CORRESPONDENTE POLÍTICO | Banco Master: o tamborete de Itu

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Houve um tempo em que faziam mais sucesso as lembrancinhas trazidas da cidade paulista de Itu, cuja fama é ter sempre os maiores exemplares das coisas. Então, se trazia das cidades coisas como a enorme “Caixinha de Fósforos de Itú”, ou a “Caixinha de Chicletes de Itu”. O Banco Master introduziu nos últimos tempos no mundo financeiro e político a lógica dos pequenos objetos da cidade paulista. Tornou-se o “Tamborete de Itu”. É cada vez mais impressionante o estrago que faz o banco a partir dos seus dois principais personagens, Daniel Vorcaro e Augusto Lima, ou Guga Lima. A rede de proteção montada e a forma arriscada como atuava para muito além do limite da responsabilidade assombram.

Depoimentos de Vorcaro na semana

E isso às vésperas dos depoimentos que Vorcaro dará ao Congresso na semana que vem. Vorcaro poderá dar dois depoimentos na semana que vem: na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O que ele dirá ou não é coberto de grande expectativa. Como está em prisão domiciliar, sua vinda terá se ser autorizado pelo ministro do STF André Mendonça.

Governo, oposição, poderes

Moraes e Toffoli no centro da desconfiança | Foto: Rosinei Coutinho/STF

Quando começou a estourar a crise do Master, o que se temeu foi o chamado “risco sistêmico”, um termo do jargão econômico que aponta para algo que possa impactar ao mesmo tempo todo o sistema financeiro. A partir daí, o risco foi-se tornando maior. A rede de proteção montada – agora com a história de supostas festas comprometedoras – vai tornando o risco republicano. O conjunto daquilo que já se sabe e daquilo que se desconfia atinge ao mesmo tempo governo e oposição, Executivo, Legislativo e Judiciário.

Desconfianças que aumentam

E aumentando o grau de desconfiança que vai corroendo as instituições. Quem gravou a reunião reservada no STF que tratou do envolvimento do ministro Dias Toffoli? Quem violou dados da Receita para investigar as contas da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci? Os dados vazaram? Servidores da Receita foram corrompidos para isso?

Com tudo

Assim, toda a crise parece ir cumprindo o famoso vaticínio do então senador Romero Jucá com o então presidente da Transpetro, Sergio Machado, a respeito da Lava Jato. Jucá falava de uma eventual solução. Agora, se fala da crise. Uma crise que é, como dizia o então senador, “com o Supremo, com tudo”.

Governo

Do lado do governo, o potencial de desgaste vem das relações de Guga Lima na Bahia, a partir da compra do CredCesta e todos os empréstimos consignados falsos que ali foram armados para engordar a carteira de crédito do Master, como bem mostraram reportagens de Beatriz Matos no Correio da Manhã.

Oposição

Pela oposição, há as relações do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Ou os casos que desgastam no Distrito Federal o governador Ibaneis Rocha (MDB) com as tratativas de compras do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Foi o BRB que comprou a carteira engordada com os consignados falsos.

Executivo

No Executivo, as relações não seriam tão diretas. Mas chegaram a levar Vorcaro ao Palácio do Planalto. Mas qual é o tamanho das relações de Guga Lima com os políticos da Bahia que estão no governo? Ou com o governo da Bahia? Já se perguntou aqui: quem repassou os dados dos professores da rede estadual de ensino que foram vítimas?

Judiciário

Mas hoje é no Judiciário, especificamente no Supremo Tribunal Federal, que é maior o clima de vaca não reconhecer bezerro. O vazamento da reunião sobre Toffoli azedou de vez o clima. Que nada melhorou com o fato de Moraes ter determinado a operação da PF em pleno Carnaval em cima da Receita Federal.

Causa própria

A desconfiança é que Moraes teria determinado uma operação em causa própria, por supostos vazamentos relacionados ao contrato do Master com sua esposa, a advogada Viviane Barci. O fato é que o clima reduz ainda mais o grau de confiança. As ações do Master, o Tamborete de Itu, abalam a República.


Publicado originalmente no Correio da Manhã.

Foto de capa: O Banco de Itu encontra-se na Praça dos Exageros | Prefeitura de Itu

Sobre o autor

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Rudolfo Lago
Ex-diretor do Congresso em Foco Análise, é chefe da sucursal do Correio da Manhã em Brasília. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.

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