CORRESPONDENTE POLÍTICO: Lavareda considera Flávio competitivo

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Por RUDOLFO LAGO*, do Correio da Manhã

O cientista político Antonio Lavareda participou de uma entrevista organizada pelo jornalista Magno Martins, em parceria com o jornal Folha de Pernambuco. Diversos jornalistas de todo o país foram convidados para fazer perguntas, inclusive o titular deste Correio Político. E a maioria deles aproveitou a experiência de Lavareda na leitura das pesquisas e do cenário político para ouvir as avaliações dele sobre as chances do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ungido por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na corrida eleitoral contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E a avaliação de Lavareda difere da que tem sido feita por boa parte dos políticos do Centrão e mesmo do PL.

Chances como as de Bolsonaro

Para Lavareda, Flávio tem boas chances. O filho 01, avalia o cientista político, é tão competitivo na corrida eleitoral “quanto seria Jair Bolsonaro”. Para Lavareda, “o eleitor que votaria em Bolsonaro provavelmente irá votar em Flávio”. Lavareda calcula que Flávio possa ter de 90% a 95% dos votos do bolsonarismo. Na mesma linha de raciocínio, Lavareda considera que a rejeição a Flávio tende a diminuir ao longo da disputa.

A divisão faz a força”, diz Lavareda

Lavareda: divisão pode virar vantagem | Foto: Reprodução/vídeo

Na sua avaliação, a rejeição diminuirá à medida que os eleitores bolsonaristas mais perceberam que o senador de fato é o nome ungido por seu pai, o nome que Jair Bolsonaro chancela. Isso tende a reduzir as chances dos demais nomes do campo conservador. Mas, na avaliação de Lavareda, isso só viria a ser de fato uma vantagem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se o levasse a vencer as eleições no primeiro turno, o que as pesquisas não indicam. Se o campo conservador sair dividido, com vários candidatos, no primeiro turno, se une no segundo.

Campo se aglutina

A divisão da direita propondo diversas candidaturas neste momento foi a pergunta feita pelo Correio Político. “Desde a criação da reeleição e do segundo turno, a pulverização do campo adversário em várias candidaturas tem sido um grande problema para o incumbente”, avalia Lavareda. Lavareda brinca com um famoso ditado: “A divisão faz a força”.

Incumbente

“Incumbente” é como a ciência política chama o candidato que disputa novo mandato no mesmo cargo. O raciocínio de Lavareda é que, nesses casos, todos os adversários na disputa tendem a ser contra ele. Assim, os eleitores que não o escolheram no primeiro turno tendem a votar contra ele no segundo.

Centrão

Hoje, na avaliação de Lavareda, as reações ao nome de Flávio partem mais de um desejo do campo conservador, especialmente do Centrão, de controlar o processo eleitoral para além da vontade de Jair Bolsonaro. Imaginavam que o ex-presidente preso reduzisse sua capacidade de condução passando a tarefa.

Tarcísio

Imaginavam que poderiam aprisionar o bolsonarismo em torno de uma candidatura do Centrão. No caso, a aposta era o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Que Bolsonaro, enfraquecido e preso, cederia para negociar mais tarde sua liberdade com quem ganhasse tendo o apoio do seu campo.

Dependência

Para Lavareda, mesmo que não sejam os candidatos do bolsonarismo, qualquer um dos nomes do campo conservador levará esses votos bolsonaristas para o segundo turno. No caso do Centrão, porém, fica a pergunta: pragmático como é, o grupo se lançará numa aventura sem previsão? Ou corre para quem tiver mais chance?

US$ 1 milhão

Assim, para onde irá o Centrão é, para Lavareda, “a pergunta de US$ 1 milhão”. Não há, para ele, uma resposta definitiva sobre os rumos do Centrão. “No Centrão, nada é definitivo”, considera. “O Centrão é uma entidade metafísica, uma maçonaria sem loja”. Amorfo, ele tende ir para onde o vento levar.

Escolhas

Se não tiver chances de eleger o próximo presidente, dada a manutenção da polarização, o Centrão fará a escolha mais conveniente para agir como força complementar. Sabe o que ganha e o que perde numa aliança com Lula. Avaliará o que ganha ou o que perde num eventual outro arranjo.


*Rudolfo Lago é jornalista do Correio da Manhã / Brasília, foi editor do site Congreso e é diretor da Consultoria Imagem e Credibilidade.

Publicado originalmente no Correio da Manhã.

Foto de capa: Para Lavareda, Flávio terá votos do bolsonarismo | Bruno Peres/Agência Brasil

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Uma resposta

  1. Exatamente é aí onde está o perigo, não pelas “qualidades” intelectuais ou políticas do herdeiro, se não pela capacidade do centrão, de serem mercenários da política, interessados únicamente na fatura pessoal do orçamento da República, pouco se importando com à maioria da população.
    Daí a necessidade de acabar com essa fonte de corrupção que é o centrão. Espero que o trabalho do ministro Flávio Dino, que está de olho nesses mercenários que atacam o orçamento seja produtivo.

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