Por Solon Saldanha *
Após longo período de resistência, o presidente do Senado encaminhou a indicação à CCJ. A articulação do governo, sustentada pela unidade dos partidos progressistas, projeta uma aprovação folgada para o atual advogado-geral da União.
O cenário de paralisia na indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) chegou ao fim nesta quinta-feira (9). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enviou formalmente o nome do advogado-geral da União para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com a sabatina prevista para ocorrer no dia 29 de abril.
O senador Otto Alencar (PSD-BA), que preside a CCJ, indicou que o rito de avaliação deve ser concluído em um intervalo de até 15 dias. Para ser confirmado como ministro, Messias necessita do apoio de 41 dos 81 senadores em votação secreta no plenário da Casa.
A mensagem presidencial estava retida desde o dia 31 de março devido a tensões políticas entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto. Originalmente anunciado em novembro, o nome de Messias enfrentou resistência inicial de Alcolumbre, que preferia a indicação de Rodrigo Pacheco (PSB-MG). O tempo de espera, contudo, foi utilizado pelo governo para pavimentar o caminho político e reduzir resistências.
Unidade na esquerda e reforço na articulação
Enquanto o foco das notícias recaía sobre os impasses na direita, os partidos de esquerda operaram de forma silenciosa para garantir a viabilidade do nome. Siglas como PT, PSB, PDT e a Federação PSOL-Rede fecharam questão em torno de Messias, transformando a indicação em uma prioridade absoluta do bloco.
Essa coesão foi fundamental para neutralizar ataques da oposição e conquistar votos em setores moderados. Lideranças do governo no Senado destacam que a atuação conjunta desses partidos permitiu que Messias realizasse um “beija-mão” técnico e político mais eficiente. O esforço parece ter surtido efeito: os cálculos internos agora apontam para uma base sólida de 56 votos favoráveis, um patamar significativamente superior ao que se projetava no final do ano passado.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Foto: Jorge Messias. Crédito: reprodução Metrópoles




