Da Redação*
As manifestações que lembraram os 53 anos do golpe militar ocorrido no Chile terminaram com 284 pessoas detidas em diferentes pontos do país. Os atos homenagearam as vítimas da ditadura de Augusto Pinochet, que governou entre 1973 e 1990, e tiveram seu ápice no dia 11 de setembro, data na qual o Palácio de La Moneda foi bombardeado pelos militares golpistas.
Segundo balanço divulgado pelo ministro da Segurança Pública, Martín Arrau, as autoridades registraram 198 episódios de violência, número 34% inferior ao verificado em 2025. Por outro lado, o total de prisões cresceu 80% na comparação com o ano anterior. Entre os detidos estão 31 menores de idade e 16 estrangeiros.
O golpe não apenas derrubou como assassinou o presidente socialista Salvador Allende, que havia sido eleito democraticamente. Ele abriu caminho para os 17 anos da ditadura comandada por Pinochet. O regime deixou mais de 3,2 mil mortos e desaparecidos.
Kast rompe tradição democrática
Neste ano, a data ganhou um significado político adicional. Pela primeira vez desde o retorno da democracia, em 1990, o governo chileno não promoveu uma cerimônia para lembrar o golpe. O presidente José Antonio Kast, de extrema-direita e que apoiou a ditadura de Pinochet, manteve sua agenda habitual.
Apesar da ausência de uma homenagem oficial, milhares de chilenos participaram de atos organizados por familiares de vítimas, movimentos sociais e setores da oposição. Entre os locais das manifestações estavam o Cemitério Geral de Santiago, onde fica o mausoléu da família Allende, o entorno do Palácio de La Moneda e o Estádio Nacional, utilizado como centro de detenção e tortura durante a ditadura.
Confrontos e detenções
Durante os distúrbios, policiais utilizaram gás lacrimogêneo e jatos de água. Em alguns pontos, grupos responderam com pedras e outros objetos, enquanto autoridades também registraram o uso de material pirotécnico.
De acordo com o balanço oficial, três carabineros ficaram feridos e seis veículos oficiais foram danificados. O governo afirmou, entretanto, que não houve civis feridos nem danos ao sistema de transporte público.
Mesmo 53 anos depois da derrubada de Allende, a memória do golpe e da ditadura permanece como uma das principais linhas de divisão política e histórica da sociedade chilena.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Violência no Chile. Crédito: reprodução Carta Capital

