Da Redação*
O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) apresentou nesta sexta-feira (4) uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A iniciativa ocorre após Nikolas divulgar nas redes sociais um documento falso atribuído à Polícia Federal (PF), usado para rebater suspeitas surgidas a partir de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A representação solicita a investigação da origem do material e das circunstâncias em que ele chegou às mãos do parlamentar. Também pede a apuração de sua divulgação como se fosse um documento oficial da PF. Nikolas reconheceu que compartilhou a publicação, mas afirmou que a retirou posteriormente e que não sabia que se tratava de uma falsificação.
PF negou autoria do documento
O suposto relatório afirmava que a Polícia Federal não havia identificado indícios de crime nas conversas entre Nikolas e Vorcaro. A corporação, entretanto, confirmou que não produziu nem a imagem nem o conteúdo divulgado.
O material apresentava diversos sinais de falsificação, entre eles diferenças no símbolo da PF, erros de português, numeração irregular dos tópicos e até emojis — elementos incompatíveis com o padrão esperado de um relatório policial.
A representação menciona ainda análises que apontaram indícios de utilização de inteligência artificial na produção ou alteração do arquivo. Publicações reproduzindo o falso documento teriam alcançado pelo menos 500 mil visualizações no X em 3 de setembro.
Relação com Vorcaro está sob escrutínio
O episódio ocorreu após reportagens revelarem mensagens entre Nikolas e Daniel Vorcaro. Em uma delas, o banqueiro teria afirmado ter “bancado todos os voos” do deputado. Outra conversa mostrou Nikolas solicitando auxílio para liberar um ativo minerário relacionado a um então assessor de seu gabinete.
Chico Alencar já havia acionado a Corregedoria da Câmara e solicitado esclarecimentos ao Ministério de Minas e Energia sobre o caso do ativo mineral. A representação encaminhada agora à PGR, porém, concentra-se especificamente no documento falso.
O parlamentar pede, entre outras providências, que Nikolas seja ouvido, que dados das plataformas sejam preservados e que a PF formalize a inautenticidade do material. Solicita também a comparação da montagem com o relatório verdadeiro da corporação, datado de 27 de agosto.
A notícia-crime cita a possibilidade, em tese, de enquadramento por falsificação de documento público, falsidade ideológica e uso de documento falso. Caberá à PGR avaliar se existem elementos suficientes para dar prosseguimento às apurações.
* Redator: Solon Saldanha
Fotomontagem: Chico e Nikolas. Crédito: imagens do X

