Da Redação*
A crise aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), que teve entre seus episódios mais recentes o afastamento e a posterior reintegração de Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal, provocou forte preocupação na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Aliados do senador da extrema-direita temem que a disputa entre ministros produza desdobramentos capazes de atingir sua candidatura.
Nesse contexto, a apreensão está concentrada especialmente está concentrada especialmente em possíveis decisões de Flávio Dino e Alexandre de Moraes. Integrantes da campanha avaliam que investigações já em andamento podem alcançar pessoas próximas ao senador e produzir desgaste político em plena corrida presidencial.
Não há evidências, entretanto, de que Dino ou Moraes pretendam utilizar processos sob sua responsabilidade como forma de retaliação. A possibilidade de um “troco” é uma avaliação feita por aliados de Flávio Bolsonaro, e não uma intenção manifestada pelos dois ministros.
Emendas e Rio preocupam a campanha
Um dos principais focos de temor está nas investigações sobre possíveis desvios de emendas parlamentares, conduzidas por Dino. Além disso, as apurações ganharam uma nova frente com o caso Dark Horse, que esteve no centro da controvérsia envolvendo a direção da Polícia Federal.
Nesta quarta-feira (9) Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. A RED já havia noticiado a decisão, que reverteu o afastamento determinado por André Mendonça e posteriormente referendado pela maioria da Segunda Turma do STF. Leia-se com os apoios de Luiz Fux e Nunes Marques.
Outra preocupação está no Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do país e principal reduto político da família Bolsonaro. Nesse caso, aliados do senador acompanham os desdobramentos de investigações conduzidas por Moraes no âmbito da ADPF das Favelas.
O ministro já autorizou operação destinada a apurar suspeitas de fraude e sonegação fiscal no setor de combustíveis e determinou investigação sobre esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo facções e milícias, além da possível infiltração de organizações criminosas no poder público. Moraes também retirou o sigilo de autos que tornaram públicas informações sobre negociações e telefonemas do ex-governador Cláudio Castro, aliado político de Flávio Bolsonaro.
Temor cresce em momento eleitoral decisivo
A preocupação ganhou dimensão maior porque a crise ocorre quando Flávio Bolsonaro aparece competitivo na disputa presidencial. Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (7) apontou empate técnico entre o senador e o presidente Lula em eventual segundo turno.
É nesse ambiente que a campanha acompanha os movimentos no Supremo. O temor é que o avanço de investigações sobre aliados ou integrantes do campo bolsonarista produza repercussões eleitorais desfavoráveis.
* Redator: Solon Saldanha
Ilustração gerada por IA. Crédito: Redação da RED

