Campanha começa no RS com novos alinhamentos na disputa pelo Piratini e Senado

Publicado em 17 de agosto de 2026 às 7:00
Editado em 17 de agosto de 2026 às 0:03
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Largada eleitoral reúne pela primeira vez brizolistas e petistas em torno de uma candidatura competitiva ao governo, mantém forte a terceira via e leva às ruas uma disputa acirrada pelas duas vagas gaúchas no Senado.

Da REDAÇÃO

A campanha eleitoral começou oficialmente neste domingo, 16 de agosto, e os primeiros atos no Rio Grande do Sul apresentaram os principais campos que disputarão o governo estadual e as duas vagas no Senado.

A largada gaúcha teve paralelos claros com a nacional. Lula iniciou sua campanha na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, lugar histórico de sua trajetória sindical e política. Flávio Bolsonaro escolheu Copacabana, um dos principais palcos das mobilizações bolsonaristas.

No RS, Juliana Brizola (PDT) e Edegar Pretto (PT) representam o campo que apoia Lula; Luciano Zucco (PL) ocupa o polo da direita identificado com Flávio Bolsonaro; e Gabriel Souza (MDB), tendo Ernani Polo (PSD) como vice, procura preservar o espaço de centro e centro-direita que levou Eduardo Leite ao governo nas duas eleições anteriores.

A disputa pelas duas vagas no Senado amplia o confronto, com Manuela d’Ávila (PSOL), Paulo Pimenta (PT), Germano Rigotto (MDB), Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) entre seus principais protagonistas.

Juliana e Edegar: Brizola e PT juntos

Juliana Brizola e Edegar Pretto pretendiam começar a campanha com uma caminhada nas proximidades da Redenção, em Porto Alegre. A chuva alterou a programação e concentrou a mobilização no comitê central da candidatura, na Avenida José Bonifácio.

Centenas de apoiadores participaram do encontro. Juliana colocou no centro de sua manifestação a necessidade de “unir o Rio Grande”, enquanto Edegar contrapôs a chapa à política de “ódio e rancor”.

A composição traz uma novidade importante. Pela primeira vez, brizolistas e petistas chegam unidos em torno de uma candidatura competitiva ao governo do Rio Grande do Sul.

O sobrenome de Juliana remete diretamente a Leonel Brizola, à Legalidade e à tradição trabalhista gaúcha. Edegar agrega à chapa a força eleitoral e organizativa do PT. PDT, PT e demais forças de esquerda procuram, assim, somar eleitorados que historicamente também competiram entre si.

Nas duas eleições anteriores, a divisão desse campo contribuiu para abrir espaço à terceira via representada por Eduardo Leite. Em 2026, essa variável desaparece, embora a terceira via permaneça forte.

Manuela inicia campanha integrada ao campo de Juliana e Lula

Manuela d’Ávila iniciou sua campanha ao Senado deixando explícita a composição política que pretende apresentar ao eleitorado.

Em sua manifestação de abertura, pediu votos para Lula para presidente, Juliana e Edegar para o governo e Paulo Pimenta e ela própria para as duas cadeiras gaúchas no Senado.

A candidatura de Manuela passa, portanto, a integrar diretamente a campanha majoritária organizada em torno da aliança PDT-PT e demais forças de esquerda no Estado.

Pimenta começa na Vila Euclides com Lula

Paulo Pimenta escolheu uma largada diferente e carregada de simbolismo político.

Em vez de iniciar a campanha ao Senado com um grande ato próprio no Rio Grande do Sul, foi a São Bernardo do Campo participar do lançamento da candidatura presidencial de Lula na Vila Euclides.

O próprio Pimenta havia convocado seus apoiadores para o encontro.

Sua presença no ABC estabeleceu uma ligação direta entre a disputa pelas vagas gaúchas no Senado e a campanha presidencial.

Com isso, o campo chega à eleição apresentando Juliana e Edegar ao Piratini, Manuela e Pimenta ao Senado e Lula à Presidência.

Zucco percorre Porto Alegre e Região Metropolitana

Luciano Zucco adotou uma campanha de rua descentralizada. Começou com mobilizações em Porto Alegre e seguiu por municípios da Região Metropolitana, combinando adesivaços e encontros com apoiadores.

A candidatura procura converter em votos para o Piratini a forte presença eleitoral conquistada pela direita e pelo bolsonarismo no Rio Grande do Sul.

Van Hattem abre comitê em Porto Alegre

Na disputa pelo Senado, Marcel van Hattem marcou a largada com a inauguração de seu comitê central na Avenida Benjamin Constant, em Porto Alegre.

O candidato do Novo também publicou um vídeo celebrando oficialmente o começo da campanha.

Van Hattem disputa uma das duas vagas buscando consolidar sua presença entre os eleitores de direita e conservadores do Estado.

Sanderson também disputa o eleitorado da direita

Sanderson, candidato do PL ao Senado, completa o principal conjunto de candidaturas da direita gaúcha.

Sua campanha está diretamente associada ao PL e ao campo de Luciano Zucco e Flávio Bolsonaro. Sanderson e Van Hattem, embora pertençam a partidos diferentes, procuram conquistar as duas cadeiras senatoriais dentro de um eleitorado amplamente convergente.

Até o fechamento desta matéria, a RED não havia localizado registro jornalístico suficientemente seguro de um grande ato autônomo de lançamento de Sanderson realizado neste domingo. A campanha, entretanto, já estava nas ruas integrada à mobilização do campo da direita.

Gabriel leva a campanha da Capital ao Interior

Gabriel Souza e Ernani Polo começaram a campanha com um adesivaço no Largo Zumbi dos Palmares, em Porto Alegre. Depois seguiram para Carazinho, onde participaram de atividade com lideranças e apoiadores.

Gabriel procura manter o espaço político construído por Eduardo Leite e apresentar uma alternativa à polarização entre esquerda e direita.

Essa terceira via chega a 2026 sem a vantagem proporcionada pela antiga divisão entre PDT e PT, mas continua eleitoralmente forte. Conta com a estrutura do MDB e de seus aliados, com a herança política das duas administrações de Eduardo Leite e com um expressivo eleitorado antipetista que não necessariamente se identifica com o bolsonarismo.

Rigotto volta à disputa majoritária

O nome da terceira via para o Senado é Germano Rigotto, ex-governador e uma das figuras mais conhecidas do MDB gaúcho.

Sua candidatura está integrada ao campo de Gabriel Souza e procura combinar a estrutura estadual do MDB com o reconhecimento acumulado por Rigotto em sua longa trajetória política.

Assim como no caso de Sanderson, até o fechamento desta matéria não havia sido localizado um grande ato individual de lançamento realizado especificamente neste domingo. Sua campanha começou vinculada à mobilização da chapa estadual do MDB e aliados.

Maranata procura uma quarta alternativa

Marcelo Maranata (PSDB) e seu candidato a vice, Cláudio Diaz, abriram a campanha com a inauguração do comitê central na Avenida Farrapos, em Porto Alegre.

Segundo o ABC+, mais de 300 pessoas participaram. Maranata destacou sua experiência como prefeito de Guaíba e procura abrir um espaço fora dos três principais blocos.

Uma eleição estadual cada vez mais ligada à nacional

Os lançamentos oferecem apenas a primeira fotografia da campanha, mas já mostram diferenças importantes em relação às eleições anteriores.

A principal é a união do trabalhismo brizolista com o PT e demais forças de esquerda, acompanhada pelas candidaturas de Manuela e Pimenta ao Senado.

A direita procura reproduzir no Estado a força eleitoral do bolsonarismo, com Zucco na disputa pelo Piratini e Sanderson e Van Hattem concorrendo às duas vagas senatoriais.

Entre os dois campos, Gabriel Souza e Germano Rigotto procuram demonstrar que a terceira via que venceu as duas últimas eleições estaduais continua competitiva, apesar da união entre adversários que antes concorriam separadamente.

A própria forma de começar as campanhas mostra a conexão com Brasília. Lula voltou à Vila Euclides; Flávio Bolsonaro foi a Copacabana; Pimenta iniciou sua campanha ao Senado ao lado de Lula; e as principais candidaturas gaúchas já se organizam em campos que dialogam diretamente com a disputa presidencial.

Mas a eleição estadual conserva dinâmica própria. O sobrenome Brizola, a inédita união entre PDT e PT, a força do antipetismo, a presença do MDB e a tradição de voto independente entre as eleições estadual e nacional tornam o Rio Grande do Sul um espelho imperfeito da disputa presidencial.

O significado político desse novo arranjo será objeto de análise da RED ao longo da semana.


Nota de transparência editorial: Esta análise foi produzida com auxílio de ferramentas de inteligência artificial para pesquisa, organização de informações e apoio à redação. O texto final é de responsabilidade da equipe da RED.

Foto da capa: Palácio Piratini – Arquivo.

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