Câmara de SP aprova mudança de nome da Rua Peixoto Gomide para Sophia Gomide

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Foto 0010 - Vereadora Sílvia - O Globo

Por Solon Saldanha *

Projeto de lei busca retirar homenagem a autor de feminicídio e honrar a memória da vítima; proposta segue para segunda votação.

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação, o projeto de lei que altera a denominação da Rua Peixoto Gomide para Rua Sophia Gomide. A iniciativa, de autoria da vereadora Silvia da Bancada Feminista (PSOL), visa impedir que logradouros públicos prestem homenagem a autores de feminicídio, promovendo uma reparação histórica na capital paulista.

O Crime de 1906

A mudança faz referência ao trágico episódio de 20 de janeiro de 1906. Na ocasião, o político Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior assassinou a tiros sua filha, Sophia Gomide, de 22 anos, por não aceitar o noivado da jovem com o poeta Manuel Baptista Cepellos. Após o crime, ocorrido na residência da família, o agressor cometeu suicídio.

À época, a imprensa registrou o caso com detalhes, utilizando termos como “crise de loucura” para descrever o ato. Por mais de um século, a via — que cruza a Avenida Paulista e o MASP — carregou o nome associado ao senador, embora registros do Dicionário das Ruas da Prefeitura indiquem que a homenagem original pudesse referir-se ao pai do político, falecido em 1850.

Reparação e Trâmite

A ambiguidade histórica e a associação direta ao autor do feminicídio motivaram a revisão. Durante a sessão, a aprovação foi unânime, com 33 votos favoráveis. Os principais argumentos em defesa da alteração destacam:

  • Combate à violência de gênero: A retirada de nomes de agressores de espaços públicos.
  • Memória da vítima: A substituição pelo nome de Sophia como símbolo de resistência.
  • Revisão histórica: A atualização de homenagens controversas na cidade.

“Feminicida não pode ser herói. Estamos em um período em que o compromisso é combater qualquer violência de gênero”, afirmou a vereadora Silvia no plenário.

O projeto ainda precisa passar por uma segunda votação antes de seguir para a sanção do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que já sinalizou favoravelmente à proposta.


* Solon Saldanha, jornalista e escritor

Foto: Vereadora Sílvia – reprodução de O Globo

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