Bunkers bilionários e o Letramento Digital

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Por MAURO OLIVEIRA*

Enquanto uns cavam para fugir, outros aprendem para transformar. Imagine um planeta onde titãs cheios da grana estão cavando fundo. Não para extrairem ouro ou petróleo, mas para se esconderem.
Sim, esconder! Bunkers subterrâneos, fortalezas secretas, estão brotando como raízes inquietas sob o solo americano. O Mark Zuckerberg, por exemplo, já tem seu megabunker subterrâneo sob sua mansão no Havaí, uma cidade debaixo da terra (CNN, Brasil).
O que será que esses bilionários sabem que nós, meros mortais, tateamos no escuro para entender?
Não é de hoje que a ideia de se abrigar das tormentas da história ronda a mente humana. Lá atrás, nas trincheiras da Primeira Guerra, ou nos quintais da Segunda, com seus modestos refúgios de metal, o instinto de sobreviver já pulsava forte. Mas, agora? Agora é diferente.
Estamos falando de castelos invertidos, mergulhados na terra como toupeiras de luxo, com portas à prova de explosões, sistemas de energia autônomos e, vejam só, com piscinas, sim, piscinas, talvez para refrescar os ânimos quando o apocalipse resolver tirar um cochilo.
Esses Zedoidinhos americanos, com seus bilhões tilintando feitos doações de desesperados em “cultos Adeus”, estão apenas se preparando ou ensaiando uma fuga em silêncio? Existe algo de podre no reino das big-techs … que não sabemos. Talvez seja apenas mais um brinquedo caro num mundo onde, ironicamente, terráqueos africanos ainda morrem de sede em plena luz do dia. Sabia disso?
E o mundo assiste, inquieto. Porque quando os donos do jogo começam a cavar suas saídas de emergência, não é só o chão que parece ruir — é a confiança. Há quem diga que é paranoia de quem tem dinheiro demais e leitura de menos.
Jean-Paul Sartre advertia: “O inferno são os outros” — mas talvez, para esses magnatas, o inferno seja o colapso de tudo aquilo que os fez deuses. Ao cavarem seus refúgios, não estariam também tentando escapar do espelho social que eles próprios ajudaram a moldar? Ou tem mais coisas?
Os sinais estão aí, berrando. O clima não sussurra, grita. As tensões globais estão tão esticadas quanto uma corda de varal antes de arrebentar. A tecnologia corre para nos ultrapassar. Pense no que acontecerá quando o hardware e o software forem a mecânica quântica e a singularidade, estágio em que a Inteligência ultrapassa a humana?
Esses bunkers, com suas piscinas climatizadas e estoques para décadas, não são apenas abrigos, são declarações explícitas. Declarações de uma elite que já não aposta na restauração do mundo em comum, apenas na salvação privada.
E quem paga essa conta? Somos nós, os colonizados digitais: exportadores empedernidos de commodities a preço de banana, literalmente; importadores contumazes de tecnologias embarcadas com conhecimento, a preço de VISA (Office, Netflix, Google Drive, … o que mais você paga, diz aí?)
Mas é preciso dar um basta nisso. E encontrarmos juntos, um caminho para esse basta.
Quem sabe uma revolução que comece por onde sempre deveríamos ter apostado mais cedo, no letramento digital de nossas crianças e adolescentes … “essa habilidade de se usar tecnologias de forma crítica, criativa e ética, compreendendo, produzindo e interagindo com informações em diversos ambientes digitais, respeitando suas etapas de desenvolvimento cognitivo e social” (ementa ao PL 4.937).
Que comecemos, então, aqui no Ceará, e que essa luz de Iracema se espalhe como o sol pelo restante do país.
Quem sabe, no tal do Futuro, dentre cidadões letrados cultural e digitalmente surja um novo “Chico da Matilde Digital”, um Dragão do Mar da era quântica que diga com Firmeza (Probabilidade (F) = 1):
“Neste Cais não se importará mais tecnologia, porque a tornamos nossa. Nem se exportarão mais cérebros jovens, porque eles aqui, com orgulho, inteligência e determinação, erguem um país democrático, soberano, justo e sustentável. São felizes, mah!”
Talvez nesse dia, no tal do Futuro, os bunkers dos Zedoidinhos não façam mais sentido … não nos importam mais!


*Mauro Oliveira é Professor do IFCE e PhD em informática por Sorbonne University.

Publicado originalmente no Blog do Eliomar.

Foto de capa: Créditos: Reprodução / Vivos

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Respostas de 3

  1. Excelente análise, Professor!
    Os “ zédoidinhos “ tentam fugir da destruição que eles próprios construíram .

  2. Essas gentes, são iguais o bicho da goiaba e demais parasitas. Se apoderam dos frutos frescos e maduros, saciam a sua eterna “fome” e em seguida morrem sob os sonetos das vítimas. Assim, como os gusanos, será o fim deles.

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