Brasil reage a Trump e aciona Lei da Reciprocidade contra tarifaço dos EUA

Medida não implica retaliação imediata, mas abre caminho para contramedidas caso as negociações não avancem.
Publicado em 14 de agosto de 2026 às 10:35
Editado em 14 de agosto de 2026 às 10:42
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Da Redação*

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva iniciou formalmente o procedimento previsto na Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O Itamaraty comunicou a decisão ao governo de Donald Trump na noite desta quinta-feira e solicitou a abertura de consultas diplomáticas.

As exportações brasileiras foram atingidas por duas medidas adotadas por Washington: uma tarifa adicional de 25% direcionada ao Brasil e outra sobretaxa de 12,5%, aplicada também a dezenas de outras economias. Embora existam exceções, as duas cobranças podem se acumular sobre parte dos produtos alcançados, levando a alíquota a 37,5%.

Lei não determina retaliação imediata

A legislação brasileira foi aprovada pelo Congresso e sancionada em 2025, depois da primeira rodada de tarifas anunciada por Trump. Ela autoriza o país a responder a medidas estrangeiras que prejudiquem a competitividade brasileira, inclusive com restrições comerciais proporcionais.

A abertura do procedimento, porém, não significa aplicação imediata de contramedidas. O governo afirma que pretende utilizar as consultas diplomáticas para tentar reduzir ou eliminar os efeitos das barreiras comerciais por meio da negociação.

Segundo o Planalto, o Brasil já apresentou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos argumentos contra as acusações de práticas comerciais desleais. O governo também recorreu à Organização Mundial do Comércio e afirma que continuará procurando novos mercados para reduzir os prejuízos aos setores atingidos.

Impasse ganha dimensão política

A decisão foi recebida com preocupação por setores empresariais, diante do risco de uma escalada capaz de afetar investimentos e negócios entre as duas maiores economias das Américas. Especialistas também apontam que a disputa comercial incorporou elementos políticos e diplomáticos, em um momento marcado pelo calendário eleitoral brasileiro.

As avaliações sobre a estratégia, entretanto, divergem. Enquanto analistas consideram que o acionamento da lei reforça a posição brasileira diante das pressões de Washington, outros alertam para os riscos econômicos de uma eventual retaliação cruzada.

O governo sustenta que a prioridade permanece sendo a negociação e que a reciprocidade funciona, neste momento, como instrumento disponível caso as conversas não avancem. A iniciativa eleva a pressão sobre Washington, mas preserva espaço para uma solução diplomática antes da adoção de contramedidas comerciais.


* Redator: Solon Saldanha

Foto: Trump e Lula. Crédito: reprodução de O Globo

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