Da Redação*
O Banco Central (BC) estuda endurecer os mecanismos de segurança do Pix para operações de maior valor realizadas durante a madrugada. Entre as medidas em análise está a possibilidade de o dinheiro ficar bloqueado na conta de quem recebe a transferência por até 72 horas, período destinado à verificação de indícios de fraude.
A proposta ainda está em discussão e não há definição sobre o valor que acionaria a trava nem sobre os horários em que ela seria aplicada. O objetivo é estabelecer critérios mínimos para bancos e fintechs identificarem operações de maior risco, especialmente golpes digitais, roubos e transferências feitas sob coerção, como em sequestros-relâmpago.
Atualmente, as próprias instituições definem grande parte dos parâmetros utilizados para classificar uma movimentação como suspeita. O BC considera que essa diversidade de critérios pode abrir brechas e pretende criar padrões obrigatórios, sem impedir que cada instituição adote mecanismos adicionais.
Madrugada e operações sucessivas no radar
Horário e valor da transferência devem estar entre os principais fatores considerados. Outro sinal de alerta poderá ser a realização de várias operações em sequência num intervalo reduzido.
A tendência é que eventual bloqueio ocorra na instituição recebedora. Assim, quem envia o Pix faria normalmente a operação, mas o destinatário poderia ficar temporariamente impedido de movimentar os recursos enquanto o banco analisa a transação.
O BC avalia ainda permitir que empresas ou clientes com necessidade comprovada de movimentar valores elevados durante a madrugada habilitem previamente determinadas contas. A mudança é discutida com cautela para preservar uma das principais características do Pix: a transferência instantânea.
Fraudes caíram, mas sistema terá novas barreiras
O reforço de segurança ocorre depois de ataques relevantes ao sistema financeiro, entre eles a invasão da C&M Software, em 2025, que permitiu desvios estimados em cerca de R$ 800 milhões de bancos e fintechs.
Ao mesmo tempo, indicadores do BC apontam redução das fraudes confirmadas. A taxa caiu de 11 ocorrências para cada 100 mil transações em julho de 2024 para 4,2 em abril de 2026. A recuperação de dinheiro por meio do Mecanismo Especial de Devolução (MED) também avançou: chegou a 16,2% em abril, contra 11,2% no mesmo período de 2025.
Outras mudanças estão sendo estudadas, incluindo o uso de inteligência artificial para atribuir indicadores de risco às operações, identificação do destinatário final em pagamentos feitos por intermédio de marketplaces e aperfeiçoamento do botão de contestação do Pix.
O BC também pretende ampliar as punições aplicáveis às instituições que descumprirem regras de segurança. Entre as possibilidades estão restrições ao cadastramento de novas chaves e limitações de transferências por horário ou valor. As novas normas sobre operações suspeitas poderão ser publicadas ainda em 2026, mas a eventual entrada em vigor não deverá ser imediata.
* Redator: Solon Saldanha
Ilustração criada por IA. Crédito: RED

