Da Redação*
A violência contra os povos indígenas avançou em diferentes frentes no Brasil em 2025. Relatório divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) contabiliza 258 indígenas assassinados no período, aumento de 22% em relação às 211 mortes registradas em 2024.
Roraima liderou as ocorrências, com 82 assassinatos, seguido por Amazonas, com 47, e Mato Grosso do Sul, com 37. O levantamento reúne informações de sistemas oficiais de mortalidade, secretarias estaduais de Saúde e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).
Terras seguem no centro dos conflitos
Segundo o Cimi, disputas territoriais, invasões e demora na demarcação continuam diretamente associadas à violência. Entre os episódios destacados estão ataques contra integrantes dos povos Avá-Guarani, Pataxó e Guarani Kaiowá em áreas onde os processos de reconhecimento territorial permanecem inconclusos há anos.
O relatório contabilizou 1.276 ocorrências classificadas como violência contra o patrimônio indígena. Desse total, 897 estão relacionadas à demora ou omissão na regularização de terras, 169 envolvem conflitos por direitos territoriais e 210 correspondem a invasões, exploração ilegal de recursos naturais e outros danos.
Das 1.443 terras e reivindicações territoriais identificadas no país, 897 aguardavam alguma providência administrativa. Em 582 delas, segundo o levantamento, sequer havia sido iniciado o procedimento demarcatório.
Suicídios e mortes de crianças aumentam
Outro indicador preocupante foi o crescimento dos suicídios, que passaram de 208 em 2024 para 215 em 2025. Jovens concentraram a maioria dos registros: 41% das mortes ocorreram entre indígenas de 20 a 29 anos e 34% entre aqueles com até 19 anos.
Também foram contabilizadas 1.024 mortes de crianças indígenas de até quatro anos, contra 922 no ano anterior. Do total, 586, equivalentes a 57%, decorreram de causas consideradas evitáveis, incluindo gripe, pneumonia, doenças infecciosas intestinais e desnutrição.
O documento aponta ainda problemas de acesso à saúde, água potável e saneamento, além dos efeitos da contaminação de rios por agrotóxicos e mercúrio. Sobre indígenas isolados, o Cimi registra 119 grupos no país, dos quais somente 28 têm existência confirmada oficialmente pela Funai.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Acampamento Terra Livre. Crédito: Marcelo Camargo, Agência Brasil
