Da Redação*
Ao menos 57 candidatos que disputam as eleições de 2026 aparecem na relação do Tribunal de Contas da União (TCU) de responsáveis que tiveram contas julgadas irregulares em decisões definitivas. O levantamento inclui casos envolvendo dinheiro da merenda e do transporte escolar, assistência social, obras públicas e até recursos destinados a vítimas de enchentes.
A identificação foi feita pelo ICL Notícias, que cruzou os CPFs presentes na lista eleitoral atualizada pelo TCU com a base de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São 33 concorrentes a deputado estadual, 21 a deputado federal, um ao governo estadual e dois candidatos a suplente de senador.
Estar na relação, entretanto, não torna automaticamente um candidato inelegível. O TCU é responsável pelo julgamento das contas, enquanto cabe à Justiça Eleitoral avaliar individualmente se as irregularidades preenchem os requisitos estabelecidos pela Lei da Ficha Limpa.
Oito processos contra um candidato
O caso com maior número de processos é o de Alexandre da Carbrás (Solidariedade-AM), ex-prefeito de Parintins e candidato a deputado federal. Ele aparece em oito tomadas de contas especiais relacionadas, entre outras áreas, à merenda escolar, programas de educação, assistência social e obras de urbanização.
Em seis processos nos quais foi possível comparar os valores originais, os débitos atribuídos ultrapassam R$ 6,7 milhões. Em um deles, relacionado a recursos do Fundo Nacional de Assistência Social, um prejuízo inicialmente estimado em R$ 2,32 milhões chegava, atualizado, a R$ 3,89 milhões em outubro de 2024.
Na Bahia, Osni Cardoso (PT), candidato a deputado estadual, consta da lista por irregularidades relacionadas à alimentação escolar. O TCU apontou falta de comprovação da destinação de R$ 630,8 mil dos recursos recebidos pelo município de Serrinha para o programa de merenda em 2015.
Recursos para vítimas de chuvas
Outro caso envolve Mário Alexandre Corrêa de Sousa, o Marão (Avante), candidato a deputado estadual e ex-prefeito de Ilhéus. O processo trata de verbas federais destinadas ao atendimento de mais de 17 mil pessoas afetadas pelas chuvas de abril de 2023. O TCU considerou que não houve comprovação da aplicação correta de parte do dinheiro.
Entre os candidatos de maior projeção está o deputado federal Diego Coronel (Republicanos-BA), que tenta a reeleição. Suas contas foram consideradas irregulares em processo referente a recursos da assistência social utilizados quando era prefeito de Coração de Maria, resultando em débito de R$ 61,8 mil e multa de R$ 10 mil.
O único postulante a governador identificado é Elizeu Morais de Aguiar (Novo), candidato no Piauí. Seu processo está relacionado a recursos federais destinados à implantação de um sistema de abastecimento de água. O TCU rejeitou as alegações apresentadas e julgou as contas irregulares.
A presença dos nomes na relação será agora considerada pela Justiça Eleitoral durante a análise das candidaturas. Portanto, a inclusão na lista do TCU registra uma decisão definitiva sobre as contas, mas não permite, isoladamente, afirmar que qualquer um dos 57 candidatos ficará impedido de disputar as eleições.
* Redator: Solon Saldanha
Ilustração criada com IA. Crédito: RED

