Aos covardes a lei, sem anistia

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De CLÁUDIO DI MAURO*

Estamos vendo a identificação e o indiciamento de centenas de participantes dos crimes cometidos em Brasília, no dia 08 de janeiro, quando milhares de pessoas invadiram e depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional (Câmara e Senado) e a sede do Supremo Tribunal Federal.

É verdade que estão nas listas do Ministério Público diversos políticos e empresários que estimularam e financiaram a contratação de ônibus e as viagens para Brasília, nas vésperas e no dia dos crimes praticados. Contudo, há muita gente ainda para ser incriminada, escondida como se nada tivessem feito.

É óbvio que a população quer a identificação de todos os criminosos que tiveram participação direta ou indireta nessas mobilizações que atacaram as instituições.

É importante que populares participantes dessas agressões sejam devidamente identificados e, se cometeram crimes, que sejam julgados, e, se condenados, sejam devidamente punidos. Devem aprender a lição e servir de exemplo para que outros não venham a se constituir em “massa de manobra” para interesses mesquinhos e criminosos.

Até aí, “tudo bem”, tem sido assim. Corresponde ao caráter de sempre, jogar a população e os populares como “bois de piranha” a serviço de “grandalhões” corruptos, criminosos e covardes que não querem aparecer. Financiam, estimulam, mas ficam apenas na espreita. Esperam pelos “bons resultados” para aplicação do golpe final… se tudo der certo, como planejaram… Caso não dê certo, ficarão salvos de acusações. É o caso!!!

Empresários médios, aqueles que colocaram seus veículos, aproveitando a oportunidade do lucro, precisam ser identificados, como alguns já foram. Outros, que pagaram os ônibus e a alimentação para que populares participassem da depredação, ainda precisam ser devidamente apurados. Mas, não há dúvidas que interesses maiores fizeram parte dessa promoção desastrosa contra as instituições democráticas.

Quem foram os verdadeiros articuladores, incentivadores, financiadores dos atos terroristas? Havia gente preparada para acender o pavio que faria detonar a bomba e com isso o chamado “estouro da boiada”? Tratava-se de um “gado” que estava perplexo e sem clareza nos seus objetivos? Certamente, sem saber das possíveis e duras consequências para seus atos, ainda que sem a devida consciência, muitos populares embarcaram nessa óbvia “canoa furada”.

Atualmente, diversos estão sofrendo as consequências de seus atos que, se comprovados, devem mesmo ser punidos. Perderam emprego, perderam relações familiares, ficaram com a vida destroçada, estão sendo processados para pagar financeiramente pelos danos causados. São populares empurrados para a miséria humana. Ficarão com suas vidas impossibilitadas e abandonados.

E OS MANDANTES? QUEM SÃO DE FATO OS “IRRESPONSÁVEIS” PELOS ACONTECIMENTOS?

Não se pode fazer “vistas grossas” para os verdadeiros criminosos, patrocinadores e treinadores de terrorismos, destruidores de vidas populares.

Além de identificar os setores civis envolvidos, um dos caminhos que deveria ser seguido pelas investigações é:

-Tem militares envolvidos? Quais? Emporcalharam as Instituições às quais deveriam servir com bravura e em defesa institucional? Deveriam apenas cumprir o que está estabelecido em suas responsabilidades constitucionais.

-Quem são os militares que se esconderam nos grupos colocados à frente dos quartéis, de órgãos das Forças Armadas? Quem eram os militares que protegiam seus familiares envolvidos no motim que estava sendo preparado para os atos de 08 de janeiro?

-Serão devidamente identificados? Serão investigados e se cometeram crimes serão devidamente punidos? Serão julgados pela Justiça comum ou protegidos pela Justiça Militar?

-Não é possível fazer “vistas grossas” para os crimes praticados por quem se coloca como “poder moderador”, sem o ser, constitucionalmente.

Na prévia e durante a campanha eleitoral já estava evidente a presença de militares em comícios e concentrações promovidas para apoiar o posteriormente eleito Jair Messias Bolsonaro. Após a vitória eleitoral, as “motociatas” e outros tipos de manifestações mostravam as notórias presenças de jovens de baixa patentes.

O Brasil não pode perder esta oportunidade para fazer a higienização completa, sem anistia, buscando esses setores neofascistas, estimuladores de comportamentos nazistas que afloram a cada dia.

O Brasil não pode esperar que tais comportamentos sejam ampliados e mantenham seus núcleos esparramados e disseminados pelo País. Este mal deve ser cortado na raiz, radicalizado.


*Geógrafo e ambientalista, docente em Planejamento e Gestão Urbana, e também em Territorial e de Bacias Hidrográficas.

Imagem em Pixabay.

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