Ninguém sabia exatamente o que acontecia lá dentro.
Os comunicados falavam em estabilidade.
Os comentaristas examinavam cada frase como antigos sacerdotes observando sinais no céu.
Nada sugeria desordem.
A construção ocupava lugar singular.
Alguns viam um banco.
Outros, um ministério.
Havia quem enxergasse uma catedral.
Com o tempo, tornou-se difícil distinguir.
No início ninguém percebeu.
Uma oficina fechou.
Uma universidade perdeu professores.
Uma fábrica interrompeu atividades.
Ajustes modernizantes.
Suas tubulações sugavam lentamente o conteúdo das coisas.
Os edifícios permaneciam.
As fachadas continuavam de pé.
Mas algo desaparecia.
Os jornais alardeavam a solidez da Catedral.
Quanto mais as coisas murchavam, mais ela parecia florescer.
Algumas ferramentas sobreviviam.
Escondidas em escolas técnicas e depósitos esquecidos.
Anos depois, abriram os subterrâneos da Catedral.
O reservatório era imenso.
Guardava pontes não construídas.
Livros não escritos.
Máquinas não fabricadas.
Anos que jamais vingaram.
Quando finalmente procuraram as picaretas, encontraram apenas os picaretas.
Foto de capa: IA



Uma resposta
Maravilhosa ilustração. De quem é a ideia que a IA produziu?