Quem é mãe ou pai sabe que um “lar” não se faz apenas com um sofá bonito ou paredes fortes, é necessário criar um “ambiente familiar seguro”, com relações afetivas que acolham diversidades e apoiem nas dificuldades. Guardadas as devidas diferenças, um “ambiente de trabalho seguro” também não se faz apenas com álcool gel, cadeiras ergonômicas ou bom salário: é preciso que chefias e colegas saibam se relacionar e reconhecer emoções, acolhendo não só necessidades materiais, mas psicológicas.
É isto que o Ministério do Trabalho deduziu após ocorrerem mais de 546 mil afastamentos do trabalho por doença mental em 2025, batendo recorde pelo 2º ano consecutivo. Somados, transtornos de ansiedade e depressão, representam a 2ª principal causa de licenças (292 mil), perdendo apenas para problemas da coluna. Dentre o grupo das licenças por adoecimento mental, outra surpresa: CIDs por uso abusivo de drogas e álcool, são a 2º causa de licenças (92 mil), sugerindo que o uso de drogas pode ter se tornado “válvula de escape” – altamente nociva – para o estresse do trabalho, gerando outro problema ao invés de minimizar o mal estar.
Na esteira desta “epidemia de adoecimento mental”, em maio de 2026 entra em vigor a Norma Regulamentadora 01 (NR1) do Ministério do Trabalho e Emprego que obrigará gestores a mapear estressores psicossociais de sua empresa que podem estar contribuindo para o adoecimento mental dos funcionários. Será necessário identificar riscos subjetivos como relações abusivas com chefias, comunicação empobrecida, agressiva ou discriminatória, mensagens excessivas fora de hora, sobrecarga, dentre outros. Um segundo passo será a criação de um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que capacite gestores e acolha trabalhadores em suas necessidades emocionais.
Todas as empresas regidas pela CLT são obrigadas a se adaptar à nova NR1, sob pena de multas. No caso de empresas públicas estatutárias, a lei adquire valor subsidiário, mas nada impede que seja usada como embasamento em processos judiciais futuros. A nova NR1 é esperança de um “letramento emocional” nas empresas, onde os trabalhadores não se sintam apenas um “número” e gestores, possuam recursos técnicos para gerir a complexidade das relações humanas.
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