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Opinião

As campanhas eleitorais na era da imagem

As campanhas eleitorais na era da imagem

Artigo por RED
10/10/2023 05:30 • Atualizado em 11/10/2023 21:23
As campanhas eleitorais na era da imagem

De ELIS RADMANN*

A legislação diminuiu o tempo das campanhas eleitorais e as redes sociais aumentaram o tempo de exposição da imagem dos candidatos. Significa dizer que, atualmente, os “pré-candidatos a candidatos” têm muito mais trabalho do que seus antecessores e precisam contar a sua rotina nas redes sociais, mantendo e mostrando a todo o tempo a sua identidade. Acabam vivendo em um estado de “Big Brother” permanente.

A identidade de um pré-candidato se constrói através da demonstração de suas características, de suas crenças e de feitos. Na prática, muitos políticos já estão tentando mostrar quem são, o que fazem e no que acreditam.

A exposição da identidade é o primeiro passo para a construção da imagem de um político, que é resultado da interação com o seu público e essa relação, entre identidade e imagem, cria a reputação de um candidato.

As matérias jornalísticas já perguntam qual o perfil ideal de prefeito, o que um candidato precisa ter para ser um vereador? A resposta está na subjetividade da reputação, da estima ou da “fama” de um político que está sendo permanentemente trabalhada nas redes sociais.

As pesquisas qualitativas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião estudam sistematicamente os motivadores do voto, que estão associados à leitura que os eleitores fazem da imagem dos políticos de cada localidade.

A primeira coisa que um eleitor faz é reparar nos nomes de destaque de sua comunidade, observar quem aparece mais, o que esta pessoa diz e quais são as suas raízes. O conhecimento da raiz do candidato está associado à busca por sua origem, que pode estar atrelada a um nome de família, a um bairro ou até mesmo a uma profissão ou cargo político.

Só o conhecimento do nome não basta para que um candidato tenha boa reputação e esteja apto a receber futuramente um voto. Nesse caso, entra o segundo elemento, a confiança! O eleitor precisa receber algumas informações sobre a idoneidade, a honestidade do candidato. Este quesito tem um valor imensurável nos atuais processos eleitorais, tendo em vista as sucessivas decepções da sociedade com políticos corruptos, pelo país afora.

Mas só o conhecimento do nome e a sensação de confiança não garantem o voto, é necessário o terceiro elemento para a construção de uma reputação que possa atrair votos. A percepção sobre a competência está associada à experiência do político, ao quanto ele consegue conectar conhecimentos técnicos com capacidade de liderança. Neste caso, os eleitores esperam que um pré-candidato mostre o que aprendeu em sua vida e o quanto este aprendizado o ajudou a servir outras pessoas.

Então o eleitor irá olhar para o “pré-candidato a candidato” mais conhecido, com maior credibilidade e histórico. Entretanto, essas características referendam o passado do candidato e não o seu futuro. Neste estágio entra a importância das ideias apresentadas pelo candidato, como ele compreende os problemas e quais as soluções que consegue.

E toda essa vida do político relatada nas redes sociais é que vai construindo a sua reputação, criando a leitura de que esta pessoa tem trânsito, consegue se relacionar bem com os seus pares partidários e mantém bom diálogo com os demais partidos e instituições. 

Parece uma jornada tão simples mas, para a maioria dos políticos interessados, é muito complexo manter uma reputação em permanente julgamento popular.


*Cientista social e política. Fundadora do IPO – Instituto Pesquisas de Opinião. Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado.

Imagem em Pixabay.

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