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Alguns apontamentos para uma avaliação
Alguns apontamentos para uma avaliação
Por ALBERTO CANTALICE, no “X”*
O PT foi criado para ser uma ferramenta dos Trabalhadores. Ao longo do tempo as relações de produção no interior no mundo do trabalho mudaram significativamente: robotização, uberização e precarização. Concomitante a essas mudanças houve o garroteamento do Movimento Sindical – em grande parte burocratizado e dependente do Imposto Sindical. Perdeu potência.
Somando-se a esse processo de transformação, a exclusão social que já era imensa aumentou imensamente. O PT também foi se transmudando ao longo dos tempos. De Partido dos Trabalhadores, em Partido dos Pobres. Os setores incluídos da sociedade em parte não digeriram essa opção. Sentindo-se órfãs de quem os defenda.
A disseminação da cultura do individualismo faz com que parte da população vejam os beneficiários de Programas governamentais como um “fardo” para quem “paga impostos.
Historicamente crítico ao Sistema Capitalista e ao clientelismo, patrimonialismo o que o diferenciava do “status quo”, o Partido ao vencer 5 eleições presidenciais e ser a partir de 2013 foco das perseguições midiático-judiciais, passou a ser visto pela imensa maioria como parte do “Sistema”.
Por “tornar-se comum, houve um descolamento entre os eleitores de Lula das demais candidaturas petistas.
Sem um horizonte estratégico de longo prazo, passou-se a dependência única e exclusivamente do prestígio de Lula. É pouco!
O dia a dia das populações: a segurança pública, a mobilidade urbana e a pauta ambiental foram substituídas por pautas de identidade: que civilizatórias e fundamentais, não dialogam com as necessidades prementes da imensa maioria dos trabalhadores.
As duras condições de vida dos mais pobres: a desestruturação familiar, a busca por aceitação e pertencimento aliados a às tragédias provocadas pelo álcool e pelas drogas e a necessidade de um escape das agruras, levaram milhões de pessoas aos templos religiosos fundamentalistas.
Ou o PT começa a se ligar nessas transformações, ou estará eleição pós eleição procurando um divã. Estamos no 2° turno em 4 capitais e mais 9 grandes cidades. Em outros tantos temos aliados que precisam ser eleitos. Portanto, as avaliações mais aprofundadas ficam para depois dos pleitos.
*Alberto Cantalice foi presidente do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores do Rio de Janeiro por dois mandatos. De 2003 a 2015 esteve à frente da coordenação nacional das redes sociais do partido. Atuou desde 2015 como Secretário Nacional de Comunicação do PT, integrando todo o movimento de comunicação institucional desenvolvido pelo partido. Atualmente, é vice-presidente e Adjunto da Secretaria Nacional de Comunicação @albertocantalic
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