Da Redação*
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva iniciou formalmente o procedimento previsto na Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O Itamaraty comunicou a decisão ao governo de Donald Trump na noite desta quinta-feira e solicitou a abertura de consultas diplomáticas.
As exportações brasileiras foram atingidas por duas medidas adotadas por Washington: uma tarifa adicional de 25% direcionada ao Brasil e outra sobretaxa de 12,5%, aplicada também a dezenas de outras economias. Embora existam exceções, as duas cobranças podem se acumular sobre parte dos produtos alcançados, levando a alíquota a 37,5%.
Lei não determina retaliação imediata
A legislação brasileira foi aprovada pelo Congresso e sancionada em 2025, depois da primeira rodada de tarifas anunciada por Trump. Ela autoriza o país a responder a medidas estrangeiras que prejudiquem a competitividade brasileira, inclusive com restrições comerciais proporcionais.
A abertura do procedimento, porém, não significa aplicação imediata de contramedidas. O governo afirma que pretende utilizar as consultas diplomáticas para tentar reduzir ou eliminar os efeitos das barreiras comerciais por meio da negociação.
Segundo o Planalto, o Brasil já apresentou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos argumentos contra as acusações de práticas comerciais desleais. O governo também recorreu à Organização Mundial do Comércio e afirma que continuará procurando novos mercados para reduzir os prejuízos aos setores atingidos.
Impasse ganha dimensão política
A decisão foi recebida com preocupação por setores empresariais, diante do risco de uma escalada capaz de afetar investimentos e negócios entre as duas maiores economias das Américas. Especialistas também apontam que a disputa comercial incorporou elementos políticos e diplomáticos, em um momento marcado pelo calendário eleitoral brasileiro.
As avaliações sobre a estratégia, entretanto, divergem. Enquanto analistas consideram que o acionamento da lei reforça a posição brasileira diante das pressões de Washington, outros alertam para os riscos econômicos de uma eventual retaliação cruzada.
O governo sustenta que a prioridade permanece sendo a negociação e que a reciprocidade funciona, neste momento, como instrumento disponível caso as conversas não avancem. A iniciativa eleva a pressão sobre Washington, mas preserva espaço para uma solução diplomática antes da adoção de contramedidas comerciais.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Trump e Lula. Crédito: reprodução de O Globo
