STF condena Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso do processo

Por unanimidade, a Primeira Turma do STF o considerou culpado. O ex-deputado também perdeu o cargo de escrivão da PF e ficou inelegível por oito anos.
Última edição em junho 17, 2026, 08:37
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Eduardo Bolsonaro

Da Redação*

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta terça-feira (16) o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo. Por unanimidade, os ministros fixaram pena de quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, além da perda do cargo de escrivão da Polícia Federal e da inelegibilidade por oito anos. Ainda cabe recurso contra a decisão.

O julgamento teve placar de 4 votos a 0, com manifestações do relator, ministro Alexandre de Moraes, e dos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. Os magistrados acompanharam o entendimento da Procuradoria-Geral da República (PGR), segundo o qual o ex-parlamentar atuou para pressionar autoridades brasileiras durante a tramitação do processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.

Segundo a acusação, Eduardo Bolsonaro articulou medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos, entre elas o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, a revogação de vistos de integrantes do Supremo e de membros do governo federal, além da aplicação de sanções previstas na Lei Magnitsky. Para a Corte, essas iniciativas tiveram como objetivo influenciar o andamento do processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Acusação e defesa

Durante a sessão, o subprocurador-geral da República Antônio Edilio Magalhães Teixeira sustentou que as ameaças atribuídas ao ex-deputado se concretizaram por meio das medidas anunciadas pelo governo norte-americano. A acusação argumentou que as ações ocorreram enquanto o processo da trama golpista ainda estava em curso.

A defesa foi realizada pela Defensoria Pública da União (DPU). O defensor público federal Esdras dos Santos Carvalho afirmou que Eduardo Bolsonaro não possuía qualquer poder de decisão sobre a política externa dos Estados Unidos e que sua atuação se limitou à interlocução política com autoridades daquele país.

Pena dificilmente será cumprida nos Estados Unidos

Desde o ano passado, Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos, após perder o mandato parlamentar por faltas às sessões da Câmara dos Deputados. Na prática, a execução da pena enfrenta obstáculos enquanto ele permanecer em território norte-americano, uma vez que a eventual notificação para cumprimento da decisão dependeria de procedimentos internacionais e da cooperação das autoridades dos Estados Unidos.

Ao votar pela condenação, Alexandre de Moraes afirmou que o ex-deputado levou informações falsas ao governo norte-americano e provocou prejuízos ao Brasil. Segundo o ministro, entretanto, as iniciativas atribuídas a Eduardo não impediram a condenação de Jair Bolsonaro no processo relacionado à tentativa de ruptura institucional.


* Redator: Solon Saldanha

Foto: Eduardo Bolsonaro. Crédito: reprodução G1

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