Da Redação*
Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo para encerrar o conflito iniciado há pouco mais de três meses e devem formalizar o tratado em uma cerimônia marcada para a próxima sexta-feira (19), na Suíça. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, por meio das redes sociais.
A confirmação ocorreu um dia após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que um entendimento seria alcançado em até 24 horas. Como declarações semelhantes já haviam sido feitas anteriormente sem resultados concretos, o anúncio inicial foi recebido com cautela por parte de analistas e observadores internacionais.
Negociações e impacto econômico
O acordo foi construído após semanas de intensa articulação diplomática envolvendo mediadores regionais. Embora os detalhes completos do texto ainda não tenham sido divulgados, Sharif afirmou que o pacto prevê o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes relacionadas ao conflito, incluindo o território libanês.
Segundo informações divulgadas anteriormente pela agência Reuters, a proposta também prevê a reabertura do estreito de Hormuz, rota estratégica por onde circulam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo. A interrupção do tráfego marítimo na região provocou forte elevação dos preços da energia, com o barril de petróleo chegando a superar US$ 120 durante o auge da crise.
Nos Estados Unidos, o prolongamento da guerra aumentou a pressão política sobre o governo Trump. Além da alta nos combustíveis, pesquisas apontaram queda significativa na aprovação presidencial, ampliando as preocupações do Partido Republicano às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato.
Questão nuclear permanece em aberto
Fontes ouvidas pela Reuters indicam que o acordo não encerra as negociações sobre o programa nuclear iraniano. O tema deverá ser tratado em uma nova rodada de conversas prevista para os próximos 60 dias.
Entre os pontos discutidos estariam a suspensão de restrições econômicas impostas ao Irã, a liberação de ativos iranianos congelados no exterior e a manutenção temporária dos atuais níveis de atividade nuclear do país até a conclusão de um entendimento definitivo.
Uma autoridade iraniana afirmou que Teerã aceitou não ampliar suas instalações nucleares nem avançar em atividades de enriquecimento de urânio durante esse período de negociações complementares.
Tensões com Israel persistem
O anúncio do acordo ocorreu em meio a novos episódios de violência no Oriente Médio. Neste domingo (14), um ataque israelense em Beirute deixou mortos e feridos, segundo a imprensa estatal libanesa. A ação foi justificada por Israel como resposta a disparos atribuídos a grupos aliados do Irã.
Autoridades iranianas responsabilizaram os Estados Unidos pelo episódio e questionaram a capacidade de Washington de garantir o cumprimento dos compromissos assumidos nas negociações. Apesar disso, Trump criticou publicamente a ofensiva israelense, afirmando que ela ocorreu em um momento delicado para a consolidação do acordo de paz.
O governo israelense informou que não participou das negociações entre Washington e Teerã. Divergências entre Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sobre a condução das operações militares no Líbano vinham se tornando mais evidentes nas últimas semanas, mesmo com a aliança histórica entre os dois países.
* Redator: Solon Saldanha
Ilustração: Presidentes Trump e Pezeshkian, com Netanyahu. Charge do blog Virtualidades




