TSE adia julgamento sobre pesquisa que indicou queda de Flávio Bolsonaro

O julgamento foi interrompido por pedido de vista e ainda não tem data para ser retomado.
Última edição em junho 10, 2026, 11:15
Por

translate

Ministras-Estela-Aranha

Da Redação*

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou nesta terça-feira (9) a análise sobre a validade de uma pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República divulgada pela AtlasIntel. O levantamento apontou uma queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e teve sua divulgação suspensa por decisão do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques.

O julgamento foi interrompido após pedido de vista da ministra Estela Aranha. Até o momento, o placar está em 1 a 0 para manter a suspensão da pesquisa. Ainda não há previsão para a retomada da análise pelo plenário.

Questionamentos sobre a metodologia

A ação foi apresentada pelo PL, que contestou a forma como o levantamento foi conduzido. Segundo o partido, os entrevistados foram expostos a perguntas relacionadas ao caso Banco Master e também a um áudio em que Flávio Bolsonaro aparece pedindo recursos ao empresário Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política de Jair Bolsonaro.

Ao defender a manutenção da medida cautelar, Kassio Nunes Marques afirmou que existem indícios de comprometimento da neutralidade metodológica da pesquisa. Para o ministro, a sequência de perguntas pode ter extrapolado a simples aferição da opinião pública e introduzido elementos capazes de influenciar as respostas dos eleitores.

Com a decisão individual já em vigor, a AtlasIntel está impedida de manter o levantamento em seus canais oficiais ou promover sua divulgação nas redes sociais até que o julgamento seja concluído.

Debate sobre limites das pesquisas eleitorais

Durante a sessão, representantes da AtlasIntel e do PL apresentaram argumentos divergentes sobre a legalidade do questionário utilizado. A defesa do instituto sustentou que a ação não apontou irregularidades formais nas regras eleitorais e que apenas questiona a abordagem adotada em relação a fatos políticos amplamente conhecidos.

Já os advogados do PL afirmaram que a pesquisa não apresentou integralmente o material submetido aos entrevistados, especialmente um vídeo mencionado no processo, o que teria comprometido a transparência exigida para esse tipo de levantamento.

O ministro Dias Toffoli também participou do debate e levantou dúvidas sobre a possibilidade de institutos exibirem vídeos ou áudios aos entrevistados antes da formulação das perguntas. Segundo ele, a decisão do TSE poderá estabelecer parâmetros importantes para a realização e divulgação de pesquisas eleitorais nas eleições presidenciais deste ano.


* Redator: Solon Saldanha

Foto: Ministra Estela Aranha. Crédito: divulgação TSE

Sobre o autor

Receba as novidades no seu email

* indica obrigatório

Intuit Mailchimp

Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaoportalred@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia..

Gostou do texto? Tem críticas, correções ou complementações a fazer? Quer elogiar?

Deixe aqui o seu comentário.

Os comentários não representam a opinião da RED. A responsabilidade é do comentador.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Gostou do Conteúdo?

Considere apoiar o trabalho da RED para que possamos continuar produzindo

Toda ajuda é bem vinda! Faça uma contribuição única ou doe um valor mensalmente

Informação, Análise e Diálogo no Campo Democrático

Faça Parte do Nosso Grupo de Whatsapp

Fique por dentro das notícias e do debate democrático