Por Solon Saldanha*
Entrou em vigor nesta segunda-feira (4), com a publicação no Diário Oficial da União, o Programa Antes que Aconteça. A iniciativa surge como uma resposta institucional urgente ao cenário crítico da violência de gênero no Brasil, que em 2025 atingiu a marca histórica de 1.518 vítimas de feminicídio. O projeto é fruto de uma articulação entre a Bancada Feminina do Congresso, o Ministério da Justiça, o Conselho Nacional de Justiça e o Ministério Público.
Atendimento humanizado e expansão de abrigos
O programa estabelece a criação das Salas Lilás, estruturas projetadas para oferecer recepção digna e proteção à privacidade de mulheres e meninas em delegacias e prédios públicos. Para os casos de perigo imediato, o governo também confirmou a ampliação da rede de casas-abrigo, garantindo locais seguros para o acolhimento temporário das vítimas e de seus dependentes.
Além das sedes fixas, o atendimento será descentralizado por meio de unidades móveis. Vans equipadas percorrerão localidades de difícil acesso e comunidades periféricas para oferecer, de forma gratuita, suporte jurídico, psicológico e assistência social.
Prevenção e independência econômica
Para além do suporte emergencial, o Antes que Aconteça busca atacar as raízes da violência através de dois pilares: educação e economia. No âmbito escolar, serão desenvolvidas ações de conscientização sobre igualdade de gênero. Já no campo social, o foco será o fomento ao empreendedorismo feminino, visando garantir que a autonomia financeira permita que mais mulheres consigam encerrar vínculos com seus agressores.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Ilustração de capa criada por IA




