Na sua mesmice com relação aos números anteriores, a pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (27) traz um dado importante. A estagnação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já aparecia em pesquisas anteriores. Agora, porém, a Nexus mostra também uma estagnação do principal opositor de Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os últimos levantamentos mostravam o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro num viés de subida. Flávio parou de subir. Se antes a estagnação de Lula e a subida de Flávio aconteciam mais pelos erros de Lula do que eventuais acertos de Flávio, agora parece acontecer o contrário: é Flávio quem erra. E o maior erro está na estratégia limitada do PL, que não amplia alianças.
Carlos quer “corrigir” apoios no PL
Na semana passada, o filho 02, Carlos Bolsonaro, postou nas suas redes sociais que quer “corrigir” os apoios àqueles que não declararem publicamente estar com Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. De fato, esse apoio às vezes parece tímido. Mas pode ser improvável corrigi-lo com ameaças. Porque isso acontece justamente por conta da estratégia que limitou a possibilidade de alianças com outros partidos nos estados.
Recados de Santa Catarina

Carlos começou a atacar Nikolas | Foto: Instagram/@nikolasferreiraadm
A começar pelo próprio caso de Carlos que, ao se mudar para Santa Catarina, escanteou o senador Esperidião Amin (PP) que migrou para outra chapa e não fará campanha para Flávio Bolsonaro. Curioso que foi também de Santa Catarina que vieram recados para a governadora do DF, Celina Leão. O senador Jorge Seif (PL-SC) cobrou de Celina não ter “visto nenhuma postagem” nas redes dela de apoio a Flávio. A estreiteza nas alianças embute um outro receio do clã Bolsonaro: perder o protagonismo no comando da direita.
Daí, fogo amigo com Nikolas
É daí que parte o fogo amigo em Nikolas Ferreira (PL-MG). A possibilidade de que o deputado venha a crescer politicamente pela força que tem nas redes sociais parece incomodar fortemente Carlos Bolsonaro, especialmente. Carlos tem chamado Nikolas de “traidor” e o atacado com frequência. E Nikolas responde na mesma moeda, mantendo a tensão.
“Toupeira”
Nessa briga, Nikolas chegou a dizer que Carlos tem a “capacidade cognitiva de uma toupeira cega”. Celina entrou no alvo depois que disse, numa entrevista, que Flávio Bolsonaro deveria pedir “perdão” a Michelle Bolsonaro pelas brigas entre os dois. Michelle, diga-se, também, não morre de amores por Flávio.
Agressividade
No fundo, o comportamento agora do clã Bolsonaro um pouco replica o que fez Lula em outros momentos, quando tratou também de ofuscar qualquer arroubo na esquerda de alternativa política a ele. A diferença é que Lula sempre fez isso com maior sutileza. O clã, nessa tarefa, é muito mais agressivo.
Lula
Independentemente das chances que poderiam ter ou se era somente pretensão, nomes como Luiza Erundina, Eduardo Suplicy e Cristovam Buarque se viram no passado escanteados por Lula. O presidente só admitia que essa condução de eventuais sucessores acontecesse sob seu comando.
Dirceu
Em 2002, na sua primeira eleição como presidente, o plano de Lula era abrir o caminho para que seu sucessor fosse seu ministro da Casa Civil, José Dirceu. Mas o mensalão atrapalhou os planos. Dirceu acabou tendo o mandato cassado (juntamente com Roberto Jefferson) e terminou condenado pelo Supremo Tribunal Federal(STF) e preso .
Palocci
Após a reeleição de Lula, cogitou-se o nome do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Mas Palocci acabou guindado também, agora pela Lava Jato. Partiu para um desastrado acordo de delação premiada, que acabou não sendo comprovado. Caiu em desgraça quando as condenações de Lula foram anuladas.
Pela direita
O resultado é que Lula não formou sucessores. Fez Dilma Rousseff. Que acabou sofrendo processo de impeachment. Agora, é o clã Bolsonaro quem tenta definir processo semelhante pela direita. Pode acabar pagando um preço alto. A vida nem sempre segue o roteiro que desejamos para ela.
Publicado originalmente no Correio da Manhã.
Foto de capa: Segundo a Nexus, Flávio parou de subir | Bruno Peres/Agência Brasil





