Justiça determina início da execução de penas contra cinco militares e dois civis do núcleo de desinformação golpista

Última edição em abril 10, 2026, 10:46

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Alexandre de Moraes

Por Solon Saldanha*

Em um desdobramento decisivo sobre as investigações da trama golpista de 2022, o Exército Brasileiro cumpriu, nesta sexta-feira (10), mandados de prisão contra militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A ofensiva, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, marca o início do cumprimento das penas de reclusão impostas ao grupo acusado de orquestrar campanhas de desinformação para desestabilizar o Estado Democrático de Direito.


Operação e Prisões Efetivadas

As diligências ocorreram simultaneamente no Distrito Federal e no Espírito Santo. Até o momento, três oficiais foram detidos pela força terrestre: o major da reserva Ângelo Denicoli, capturado em Vila Velha (ES), o subtenente da ativa Giancarlo Rodrigues e o tenente-coronel da ativa Guilherme Almeida, ambos localizados em Brasília.

A ação ocorre após o trânsito em julgado e a oficialização do fim do processo pelo STF, ocorrida em novembro de 2025. Contudo, as autoridades ainda buscam o paradeiro de dois condenados que não foram encontrados em seus endereços: o coronel da reserva Reginaldo Abreu e o engenheiro Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal (IVL).

O “Núcleo da Desinformação”: Estrutura e Atuação

A condenação do grupo baseia-se na denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que identificou uma estrutura coordenada para atacar a credibilidade do sistema eletrônico de votação. Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, o grupo atuava em frentes distintas:

  • Ataques às Instituições: Disseminação de notícias falsas sobre as urnas eletrônicas e coação de opositores.
  • Pressão sobre a Cúpula Militar: O grupo promoveu ataques virtuais sistemáticos contra generais e chefes das Forças Armadas que se posicionaram contra qualquer tentativa de ruptura institucional. Investigações apontam que o ex-ministro Braga Netto teria coordenado a escolha dos alvos.
  • Abin Paralela: Investigações indicam que integrantes como Giancarlo Rodrigues e o policial federal Marcelo Bormevet utilizaram estruturas de inteligência para monitorar e perseguir opositores políticos do governo anterior.

O papel de Carlos César Rocha foi considerado técnico-político; ele teria manipulado relatórios do Instituto Voto Legal para dar um verniz de legitimidade jurídica ao pedido de anulação de votos feito pelo Partido Liberal (PL) após as eleições de 2022.

Penas e Crimes Tipificados

O STF impôs condenações severas, fundamentadas nos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. As sentenças variam de acordo com o grau de participação de cada réu, estabelecendo regimes de prisão fechado e semiaberto, além de multas individuais:

  • Ângelo Denicoli (Major da reserva): Condenado a 17 anos de prisão em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa.
  • Reginaldo Vieira de Abreu (Coronel): Recebeu pena de 15 anos e 6 meses de reclusão em regime inicial fechado e 120 dias-multa.
  • Marcelo Bormevet (Policial Federal): Sentenciado a 14 anos e 6 meses de prisão em regime inicial fechado, com acréscimo de 120 dias-multa.
  • Giancarlo Gomes Rodrigues (Sargento): Condenado a 14 anos de reclusão em regime inicial fechado e 120 dias-multa.
  • Ailton Barros (Major expulso do Exército): Pena fixada em 13 anos e 6 meses de prisão em regime inicial fechado e 120 dias-multa.
  • Guilherme Marques de Almeida (Tenente-coronel): Condenado a 13 anos e 6 meses de reclusão em regime inicial fechado e 120 dias-multa.
  • Carlos Cesar Rocha (Pres. do Inst. Voto Legal): Sentenciado a 7 anos e 6 meses de reclusão em regime inicial semiaberto, além de 40 dias-multa.

Contexto Político e Social

A prisão deste núcleo também joga luz sobre o papel das redes sociais no processo. Desde o final de 2025, o monitoramento judicial tem observado como páginas de entretenimento e “fofoca” foram utilizadas para capilarizar narrativas políticas distorcidas, alcançando milhões de seguidores e ampliando o alcance da desinformação produzida pelos agora condenados.

Com as prisões de hoje, o Poder Judiciário sinaliza a conclusão de um ciclo de responsabilização de militares que utilizaram suas patentes e influência para atentar contra o processo eleitoral brasileiro. As autoridades permanecem em alerta para a captura dos foragidos remanescentes.


* Solon Saldanha, jornalista e escritor

Foto: Ministro Alexandre de Moraes. Crédito: Agência Brasil

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