Mudança climática altera modo de vida do povo Inuit

Última edição em abril 9, 2026, 02:31

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De repente, por uma ação de Donald Trump, Panneraq Siegstad Munk, da tribo Inuit, estava na mídia internacional. Ela é a presidenta da Igreja Luterana na Groenlândia, onde 90% da população seguem essa denominação. Uma de suas prioridades é reconciliar os valores indígenas com a igreja.

“Como líderes religiosos, não estamos acostumados a falar sobre política, mas também percebemos a importância, neste momento, de líderes espirituais abordarem a paz e os direitos humanos em nosso país. As ameaças nos afetam profundamente e as pessoas estão preocupadas com o que poderá acontecer com elas”, declarou em entrevista para o serviço de imprensa da Federação Luterana Mundial (FLM).

As alterações climáticas são outro tema que importa à bispa, “pois elas afetam nosso modo de vida, com o derretimento do gelo e o isolamento”. Sem gelo, explicou, o transporte entre as ilhas é impossível para quem não tem barco e não pode pagar um helicóptero. “Quando eu era criança, os invernos duravam de meados de outubro até maio, mas agora não temos mais as mesmas tempestades de neve e os invernos estão ficando muito mais curtos”, frisou.

Natural de Attu, uma pequena vila em uma ilha da Groenlândia, Panneraq é filha de pais caçadores, com uma vida simples, “regida pelas estações do ano, pelos ventos e pelas marés”, que percorriam o litoral ártico em busca de peixes e outros alimentos para a família. A vida na maior ilha do mundo é regida pelos meses de luz e escuridão e pelo nível do mar. “No verão, temos o sol da meia-noite, então coletamos alimentos, e no inverno ficamos juntos, compartilhando histórias e aprendendo a cuidar uns dos outros”, relatou”. Somos ensinados a não tomar mais do que precisamos e a compreender que respeito pela natureza e a bondade para com os outros são valores mais importantes do que ter dinheiro e bens materiais”.

A pastora Panneraq, 49 anos, ingressou aos 20 anos de idade no Instituto de Teologia em Nuuk, na Universidade da Groelândia e concluiu mestrado na Universidade de Copenhague. “Durante esse período, ouvi pessoas falando mal da nossa espiritualidade inuíte, o que me motivou a estudar e encontrar maneiras de integrar o cristianismo às nossas próprias tradições culturais e religiosas”.

Crítica à mensagem cristã eurocêntrica, ela disse, na entrevista, que “os missionários trouxeram consigo teologias enganosas, acreditando que tudo deveria ser feito à maneira europeia. Alguns pastores e membros de nossa igreja ainda se recusam a considerar a inclusão das tradições indígenas”, lastimou. A bispa acredita que é preciso “estar abertos a encontrar novas formas de trabalhar juntos”.


Foto de capa: Russian Look/Global Look Press

Sobre o autor

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Edelberto Behs
Jornalista, Coordenador do Curso de Jornalismo da Unisinos durante o período de 2003 a 2020. Foi editor assistente de Geral no Diário do Sul, de Porto Alegre, assessor de imprensa da IECLB, assessor de imprensa do Consulado Geral da República Federal da Alemanha, em Porto Alegre, e editor do serviço em português da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC).

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