De repente, por uma ação de Donald Trump, Panneraq Siegstad Munk, da tribo Inuit, estava na mídia internacional. Ela é a presidenta da Igreja Luterana na Groenlândia, onde 90% da população seguem essa denominação. Uma de suas prioridades é reconciliar os valores indígenas com a igreja.
“Como líderes religiosos, não estamos acostumados a falar sobre política, mas também percebemos a importância, neste momento, de líderes espirituais abordarem a paz e os direitos humanos em nosso país. As ameaças nos afetam profundamente e as pessoas estão preocupadas com o que poderá acontecer com elas”, declarou em entrevista para o serviço de imprensa da Federação Luterana Mundial (FLM).
As alterações climáticas são outro tema que importa à bispa, “pois elas afetam nosso modo de vida, com o derretimento do gelo e o isolamento”. Sem gelo, explicou, o transporte entre as ilhas é impossível para quem não tem barco e não pode pagar um helicóptero. “Quando eu era criança, os invernos duravam de meados de outubro até maio, mas agora não temos mais as mesmas tempestades de neve e os invernos estão ficando muito mais curtos”, frisou.
Natural de Attu, uma pequena vila em uma ilha da Groenlândia, Panneraq é filha de pais caçadores, com uma vida simples, “regida pelas estações do ano, pelos ventos e pelas marés”, que percorriam o litoral ártico em busca de peixes e outros alimentos para a família. A vida na maior ilha do mundo é regida pelos meses de luz e escuridão e pelo nível do mar. “No verão, temos o sol da meia-noite, então coletamos alimentos, e no inverno ficamos juntos, compartilhando histórias e aprendendo a cuidar uns dos outros”, relatou”. Somos ensinados a não tomar mais do que precisamos e a compreender que respeito pela natureza e a bondade para com os outros são valores mais importantes do que ter dinheiro e bens materiais”.
A pastora Panneraq, 49 anos, ingressou aos 20 anos de idade no Instituto de Teologia em Nuuk, na Universidade da Groelândia e concluiu mestrado na Universidade de Copenhague. “Durante esse período, ouvi pessoas falando mal da nossa espiritualidade inuíte, o que me motivou a estudar e encontrar maneiras de integrar o cristianismo às nossas próprias tradições culturais e religiosas”.
Crítica à mensagem cristã eurocêntrica, ela disse, na entrevista, que “os missionários trouxeram consigo teologias enganosas, acreditando que tudo deveria ser feito à maneira europeia. Alguns pastores e membros de nossa igreja ainda se recusam a considerar a inclusão das tradições indígenas”, lastimou. A bispa acredita que é preciso “estar abertos a encontrar novas formas de trabalhar juntos”.
Foto de capa: Russian Look/Global Look Press





