Por Solon Saldanha *
Em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio, o Secretário de Guerra, Pete Hegseth, afirmou que a vitória norte-americana no conflito contra o Irã é amparada por uma missão espiritual e protegida pela intervenção divina.
Retórica Religiosa no Pentágono
O Secretário de Guerra, Pete Hegseth, elevou o tom da retórica militar ao descrever a capacidade bélica dos Estados Unidos como uma “força avassaladora” destinada a confrontar inimigos que classificou como “apocalípticos”. Em pronunciamento no recém-renomeado Departamento de Guerra, o chefe da pasta apelou diretamente à população americana por orações específicas em nome de Jesus Cristo, focadas na segurança das tropas e no sucesso das operações no território iraniano.
Diferente de seus antecessores no antigo cargo de “Defesa”, Hegseth tem emoldurado as intervenções militares na África, América Latina e Oriente Médio não apenas como questões de política externa, mas como ações dotadas de uma base moral e sancionadas por um poder superior.
Alinhamento com a Doutrina Trump
A postura do secretário reflete o fortalecimento do ramo conservador cristão dentro da administração de Donald Trump. O próprio presidente, ao assumir o cargo em 2025, já havia sinalizado essa diretriz ao declarar-se “salvo por Deus” para cumprir sua missão política. O movimento é reforçado por outras figuras do alto escalão, como o Secretário de Estado Marco Rubio, que recentemente destacou a fé cristã como o elo central das civilizações ocidentais.
Embora utilize uma linguagem de forte conotação religiosa, Hegseth evitou rotular o Islã como um inimigo direto. Durante coletiva de imprensa, ele elogiou os aliados árabes no Golfo, reforçando o compromisso dos EUA em defendê-los após os ataques sofridos por parte do governo de Teerã.
Contexto e Resistência Internacional
Enquanto o Secretário de Guerra reforça a convicção na “providência divina”, vozes internacionais clamam pela desescalada. O Papa Leão 14 tem liderado os apelos globais pelo fim das hostilidades, contrastando com a visão de Hegseth, que recorre a fundamentos históricos da Igreja para validar a atual postura bélica.
Para o secretário, existe uma linha de continuidade direta entre os princípios bíblicos e o desenvolvimento da civilização americana, o que conferiria aos Estados Unidos a superioridade moral e a “vontade necessária” para prevalecer no atual cenário de guerra.
* Solon Saldanha, jornalista e escritor
Foto: Pete Hegseth. Crédito: reprodução The New Republic




