Sobre o caso Master:

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Reparo que todo o debate sobre o Caso Master gira em torno do papel do ministro Alexandre de Moraes, de sua mulher, do contrato do escritório dela e, às vezes, das questões relacionadas ao ministro Dias Toffoli. OK, eles precisam se explicar, mas não apenas eles.

Afinal, certamente eles não foram os responsáveis pelos rombos. Ou terá sido eles que autorizaram Daniel Vorcaro adquirir o Banco Máxima, entrando no seleto clube dos banqueiros? Foram eles que deixaram o banco vender CDIs com remuneração acima do normal sem qualquer fiscalização? Ajudaram diretamente o banco a lesar milhares de “investidores”? Contribuíram diretamente com o rombo de mais de R$ 50 bilhões?

Enquanto a grande mídia gasta horas falando desses personagens, quase ninguém mais relembra daqueles que envolveram dinheiro publico no banco. Tipos como os governadores Ibanes Rocha (DF), Claudio Castro (RJ), os administradores de Macapá e seus padrinhos políticos, além de diversos outros prefeitos e administradores de fundos de previdência públicos, que nós ainda não conhecemos, nem corremos atrás como jornalistas.

Quem do jornalismo econômico cobrará do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto (02/2019 a 01/2025) a falta de fiscalização no banco Máxima/Master e o convívio heterodoxo de diretores e gerentes da sua gestão com Vorcaro.

Também a mídia praticamente não fala – nem buscou explicações com o próprio – do senador Ciro Nogueira (PP-PI), que apresentou um projeto para ajudar o Vorcaro a roubar mais, respaldado no Fundo Garantidor? Foi mera coincidência? Por que será que Vorcaro comemorou tal iniciativa nas conversas com a namorada?

Não se cobra também o Nikolas Ferreira (PL-MG) que fez campanha para Jair Bolsonaro no jatinho do Master. Nem políticos como Ciro Nogueira e Antônio de Rueda (União-PE) – entre outros – que aparecem como beneficiários de caronas nos helicópteros do banco. Meros favores? Algo que aconteceu ao acaso, ou já estava previamente acertado?

Nem se questiona Jair Bolsonaro (PL), seus filhos e o governador Tarcísio Freitas (Republicanos-SP) por terem recebido doações extraordinárias para suas campanhas. A troco do quê? Pura generosidade? Sem nada em troca?

Ou seja, jornalistas calejados e novatos estamos fazendo o papel que a direita quer: focando em alvos diversos – como o STF, o Moraes, sua mulher e Toffoli (que, como disse, devem explicações), mas deixando de lado aqueles que realmente se beneficiaram – e muito – do esquema de roubos.

É preciso pensarmos em pautas que revertam isso e tragam aos leitores e eleitores os demais envolvidos nesse que é classificado como o maior escândalo financeiro da nossa República.


Foto de capa: Banco Master

Sobre o autor

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Marcelo Auler
Jornalista e escritor. Trabalhou para os principais jornais do país nas cidades do Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo. Recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo em equipe (1992) e o Prêmio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa (1993).

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