Ex-presidente da Coreia do Sul é condenado à prisão perpétua e caso é comparado a Bolsonaro

translate

Yoon Suk Yeol, ex-presidente da Coreia do Sul, condenado à prisão perpétua. Foto: Redes sociais.

Da REDAÇÃO

O ex-presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, foi condenado nesta quinta-feira (19) à prisão perpétua por insurreição. A decisão é do Tribunal Distrital Central de Seul, que concluiu que o ex-chefe de Estado atentou contra a ordem democrática ao decretar lei marcial em dezembro de 2024.

Lei marcial e envio de tropas ao Parlamento

Segundo a sentença, Yoon mobilizou tropas para a sede da Assembleia Nacional da Coreia do Sul com o objetivo de impedir o funcionamento regular do Legislativo e conter adversários políticos.

Em 3 de dezembro de 2024, o então presidente anunciou em rede nacional a decretação de lei marcial. Alegou a necessidade de combater supostas “forças antiestatais”. A medida provocou reação imediata de parlamentares, que se reuniram em sessão emergencial e revogaram o decreto poucas horas depois.

Para a juíza responsável pelo caso, houve tentativa deliberada de paralisar o Parlamento por período indeterminado. A corte também apontou ausência de remorso e destacou os custos sociais e institucionais da crise.

Pedido de pena de morte e moratória

O Ministério Público pediu a pena de morte, prevista na legislação sul-coreana para crimes de insurreição. Como o país mantém moratória informal às execuções desde 1997, a condenação acaba convertida, na prática, em prisão perpétua.

Além de Yoon, o ex-ministro da Defesa também foi condenado por participação na crise.

Impeachment e responsabilização criminal

A decretação da lei marcial levou à abertura de processo de impeachment. Em 2025, o Tribunal Constitucional confirmou a destituição de Yoon, que passou a responder criminalmente por insurreição, abuso de poder e obstrução de Justiça.

A condenação à prisão perpétua marca um dos episódios mais graves da história política recente da Coreia do Sul e reforça a responsabilização penal de chefes de Estado por ataques às instituições democráticas.

Comparação com o cenário brasileiro

O caso sul-coreano suscita comparação com o cenário brasileiro após os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas em Brasília e investigações apontaram tentativa de ruptura institucional.

No Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento na tentativa de golpe após as eleições de 2022.

Hoje, aliados do ex-presidente articulam no Congresso Nacional propostas para reduzir a pena aplicada e discutir anistia aos condenados pelos ataques às instituições. Juristas alertam que medidas desse tipo podem enfraquecer o princípio da responsabilização por atentados ao Estado democrático de direito.

Em contextos distintos, os dois casos recolocam no centro do debate o papel do Judiciário na defesa da ordem constitucional diante de tentativas de ruptura institucional protagonizadas por ex-chefes de Estado.


Foto da capa: Manifestação contra Yoon Suk Yeol, ex-presidente da Coreia do Sul, agora condenado à prisão perpétua. Crédito: Redes sociais.

Sobre o autor

Receba as novidades no seu email

* indica obrigatório

Intuit Mailchimp

Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para redacaoportalred@gmail.com . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia..

Gostou do texto? Tem críticas, correções ou complementações a fazer? Quer elogiar?

Deixe aqui o seu comentário.

Os comentários não representam a opinião da RED. A responsabilidade é do comentador.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Gostou do Conteúdo?

Considere apoiar o trabalho da RED para que possamos continuar produzindo

Toda ajuda é bem vinda! Faça uma contribuição única ou doe um valor mensalmente

Informação, Análise e Diálogo no Campo Democrático

Faça Parte do Nosso Grupo de Whatsapp

Fique por dentro das notícias e do debate democrático