Em um movimento que agitou o Supremo Tribunal Federal (STF) e o cenário jurídico-político nacional, o ministro Dias Toffoli anunciou nesta quinta-feira (12/2/2026) que deixará a relatoria do chamado “Caso Master”, e o ministro André Mendonça foi sorteado para conduzir a investigação.
O que é o “Caso Master”?
O inquérito, que tramita no STF, apura um esquema de possíveis irregularidades e fraudes envolvendo o extinto Banco Master, liquidado pelo Banco Central após constatação de práticas que teriam gerado prejuízos bilionários. A investigação faz parte da chamada Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), que vem desdobrando provas contra controladores e executivos da instituição financeira.
Por que Toffoli deixou a relatoria?
Oficialmente, Toffoli comunicou à presidência do STF que solicitou a redistribuição do processo “considerados os altos interesses institucionais”, segundo nota conjunta dos dez ministros divulgada pela Corte.
A decisão ocorre após a Polícia Federal enviar ao STF um relatório com menções ao nome de Toffoli em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, fundador e principal controlador do Banco Master. Embora a Corte tenha declarado, em nota, que não há cabimento para uma arguição de suspeição formal e que “não existe impedimento ou suspeição” contra o ministro, cresceu a pressão interna e externa sobre a continuidade de sua relatoria.
Nos documentos divulgados pelo próprio STF, os ministros reconheceram a plena validade de todos os atos já praticados por Toffoli no caso, mesmo após sua saída da relatoria.
Principais pontos que motivaram a controvérsia
Ao longo da tramitação no Supremo, a condução de Toffoli foi alvo de críticas por restrições que impôs ao sigilo de provas e por decisões consideradas atípicas na condução de depoimentos e documentos. Além disso, surgiram elementos que levantaram questionamentos públicos sobre possíveis cruzamentos de interesses pessoais e profissionais — como relações societárias e eventos envolvendo pessoas ligadas à investigação — embora o ministro negue qualquer conflito de interesses ou recebimento de valores relacionados ao caso.
Quem é André Mendonça, o novo relator?
O ministro André Luiz de Almeida Mendonça assume agora a relatoria do caso após ser escolhido por sorteio eletrônico interno do STF. Mendonça é ministro do Supremo desde dezembro de 2021, indicado pelo então presidente da República, e já atua em outras frentes importantes na Corte.
Com a redistribuição, Mendonça passa a ter sob sua supervisão todo o acervo das investigações relacionadas ao Banco Master, incluindo provas, depoimentos e diligências que ainda serão realizadas no âmbito do Supremo.
Perspectivas e próximos passos
A mudança de relatoria ocorre em um momento de intensa atenção pública sobre a credibilidade das instituições e a independência do Judiciário. Analistas e operadores do Direito acompanharão agora como Mendonça conduzirá os próximos passos da investigação, incluindo decisões sobre quebra de sigilos, pedidos de diligências da PF e possíveis desdobramentos sobre envolvidos com prerrogativa de foro no STF.
O caso Master continua sob sigilo judicial em muitos detalhes, mas sua movimentação nos tribunais já influencia debates sobre transparência, responsabilidade institucional e limites da atuação de magistrados em processos sensíveis para a esfera pública.
Imagem destacada: Paulo Pinto/Agencia Brasil




