Por RONALDO VIEIRA e VANESSA AFRICANI*
Nas primeiras décadas do século XXI, a ordem internacional tem passado por um processo acelerado de fragmentação institucional, erosão da hegemonia ocidental e emergência de uma arquitetura multipolar ainda incipiente (Stuenkel, 2016). Esse cenário, marcado por disputas normativas, assimetrias persistentes e crescente contestação às estruturas tradicionais de poder, tem impulsionado os países do Sul Global a recalibrar suas estratégias externas. Em vez de aceitar passivamente os marcos estabelecidos pelo Norte Global, esses Estados têm buscado ampliar suas margens de autonomia, fortalecer alianças horizontais e construir modelos alternativos de desenvolvimento e de cooperação, ainda que esse grupo seja portador de grandes contradições internas.
Essa reorientação não se limita a uma tentativa de reposicionamento sistêmico; ela também expressa um movimento epistêmico mais amplo de “desocidentalização” das Relações Internacionais. Autores como Acharya (2014), Tickner e Blaney (2012) e Braveboy-Wagner (2003) demonstram que a pluralização das epistemologias e das práticas diplomáticas é condição necessária para compreender como os Estados periféricos constroem estratégias ancoradas em realidades socioculturais próprias. Ao mesmo tempo, a literatura crítica — especialmente a de Boaventura de Sousa Santos (2007; 2009) — evidencia que o Sul Global deve ser entendido não como uma categoria geográfica, mas como um espaço político e epistêmico de resistência, de produção de conhecimento e de disputa por legitimidade. É nesse contexto que se insere a presente análise. Este artigo tem três objetivos complementares. Primeiro, oferecer uma revisão teórica inicial das principais abordagens contemporâneas sobre o Sul Global, destacando sua evolução conceitual e suas implicações para a política internacional. Segundo, propor uma agenda normativa que enfatiza a cooperação horizontal, a descolonização das práticas diplomáticas e a construção de modelos de desenvolvimento sustentáveis e inclusivos. Terceiro, desenvolver uma análise empírica da reaproximação recente entre Brasil e Nigéria, examinando como esses dois países — potências regionais em suas respectivas áreas — têm articulado estratégias convergentes no âmbito da Cooperação Sul-Sul e do desenvolvimento sustentável.
A discussão conceitual que inaugura o artigo não é meramente introdutória: ela estabelece o quadro analítico necessário para compreender por que a relação Brasil–Nigéria deve ser interpretada como parte de um movimento mais amplo de reconfiguração do Sul Global. Ao revisitar autores centrais da sociologia, da filosofia e das Relações Internacionais, buscamos demonstrar que o Sul Global constitui hoje um sistema internacional paralelo, não hegemônico, mas relativamente autônomo, no qual múltiplas vozes, experiências e racionalidades disputam espaço e legitimidade.
A partir desse enquadramento, o artigo analisa o papel desempenhado por Brasil e Nigéria na construção de novas formas de cooperação e governança. Ambos os países compartilham desafios estruturais — desigualdade, dependência de commodities, vulnerabilidades institucionais —, mas também apresentam competências complementares e uma capacidade crescente de influência regional e global. A revitalização das relações bilaterais em 2025, marcada por missões oficiais, acordos estratégicos e expansão do diálogo econômico, constitui um caso exemplar para observar como o Sul Global tem buscado construir alternativas concretas à lógica hierárquica do sistema internacional.
Assim, ao articular reflexão teórica, agenda normativa e análise empírica, este artigo argumenta que a cooperação entre Brasil e Nigéria representa não apenas um objeto relevante da política externa de ambos os países, mas também um laboratório privilegiado para compreender os rumos do Sul Global em um mundo multipolar, fragmentado e em transformação.
Não se pretende, em nenhum momento, redefinir ou deslocar as prioridades históricas do Brasil no continente africano — como os países africanos de língua portuguesa (PALOP) e a África do Sul —, mas apenas chamar a atenção para a necessidade de incluir a Nigéria nesse grupo de parceiros estratégicos. A intenção é ampliar o olhar, não substituí‑lo: reconhecer que, ao lado dos vínculos históricos, culturais e políticos já consolidados, existe um país africano de peso continental cuja relevância econômica, demográfica e geopolítica justifica plenamente sua presença entre as prioridades brasileiras. Assim, o texto busca apenas destacar que a Nigéria deve ser incorporada ao conjunto de países tradicionalmente valorizados pela política externa do Brasil na África, fortalecendo a coerência e a abrangência da atuação brasileira no Sul Global.
Para desenvolver esses argumentos, o artigo organiza-se em três seções principais. A primeira apresenta uma revisão teórica e epistemológica do conceito de Sul Global, destacando suas múltiplas interpretações e sua relevância para a compreensão da ordem internacional contemporânea. A segunda seção discute a evolução das estratégias diplomáticas do Sul Global, com ênfase nas transformações recentes nas políticas externas brasileira e nigeriana. A terceira seção apresenta uma análise empírica da reaproximação bilateral entre Brasil e Nigéria em 2025, examinando seus avanços, limitações e potencial estratégico no âmbito da Cooperação Sul-Sul. Por fim, a conclusão sintetiza os achados e aponta caminhos para pesquisas futuras e para o aprofundamento da agenda de desenvolvimento sustentável entre os dois países. Trata-se, portanto, de esforços para a construção de consenso, evidenciados nas ações políticas de países em desenvolvimento e na academia.
A Nigéria exemplifica esse reposicionamento por meio de seu protagonismo na CEDEAO, de sua participação nas operações de paz da ONU no continente africano e de sua crescente influência na União Africana, na integração recente ao BRICS e até mesmo na direção de importantes organismos multilaterais, como a OMC[1] e a ONU[2]. O Sul Global tem empregado plataformas, como a ONU, para exercer pressão contundente em favor de um multilateralismo reformado e mais equitativo. Ainda há de se ressaltar que os países do Sul Global têm procurado articular-se em fóruns específicos, com o objetivo de assegurar um equilíbrio de ganhos no sistema de comércio internacional, a fim de mitigar os efeitos de ações unilaterais. Assim, o conjunto dessas iniciativas indica investiduras de países do Sul Global na construção paulatina de uma ordem internacional paralela à hegemônica, na qual experiências históricas diversificadas adquirem centralidade na produção de soluções sustentáveis e inclusivas.
Dentre as ilustrações dessa reconfiguração, destaca-se a atuação do Brasil na articulação do G20, na qual tem se empenhado em promover temas como a reforma da governança global, a inclusão de países africanos e o fortalecimento da cooperação entre os países do Sul. A recente aceitação da União Africana como membro permanente do G20, apoiada pelo Brasil e pela Índia, representa essa nova lógica de diplomacia inclusiva e pluralista. Outro exemplo é a formação da Zona de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA), um esforço conjunto dos países africanos para intensificar a integração econômica e reduzir a dependência dos mercados internacionais. Também se nota isso no BRICS, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que acaba de ser ampliado. Desde o início do presente ano, nove países tornaram-se membros associados do agrupamento: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão. O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), nesse contexto, é referência concreta de surgimento de um novo paradigma.
No âmbito latino-americano e africano, escritores como Cerioli, Kalil e Barasuol (2022) evidenciam como a fragmentação do sistema internacional tem levado o Sul Global a reivindicar um papel mais significativo, inclusive por meio de abordagens diplomáticas inovadoras e iniciativas de cooperação Sul-Sul. Iniciativas como o Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) e a Parceria Índia-África nas áreas da Saúde e da Educação exemplificam a maneira como países do Sul têm estabelecido suas próprias plataformas de diálogo e investimento, frequentemente à margem das instituições convencionais. Ayoob (2002) enriquece essa análise ao ressaltar que os Estados periféricos estão reformulando suas táticas de segurança e desenvolvimento, distanciando-se da lógica de aceitação passiva das normas internacionais. A participação da Nigéria nas operações de paz e na mediação regional, ilustra a maneira pela qual a Nigéria tem assumido posições de liderança em suas regiões, fundamentando-se em interesses particulares e em capacidade operacional em expansão.
Dessa forma, a reconfiguração diplomática do Sul Global deve ser interpretada como o surgimento de um novo sistema internacional concomitante, alternativo e paralelo (não substitutivo), que, embora não hegemônico, apresenta-se de maneira relativamente autônoma, na qual a pluralidade de vozes e experiências assume posição central em suas respectivas regiões, ainda que permaneça na periferia do sistema internacional. Essa mudança não apenas contesta os paradigmas convencionais de autoridade, mas também expande as oportunidades de colaboração internacional fundamentadas no respeito recíproco, na solidariedade, no reconhecimento da diversidade de trajetórias históricas, bem como no desenvolvimento sustentável efetivo.
A reformulação das táticas diplomáticas do Sul Global, no contexto internacional fragmentado e multipolar, configura-se como uma necessidade premente e crescente. A referida recalibração tem como objetivo teórico assegurar a máxima autonomia possível, promover a colaboração horizontal (Cooperação Sul-Sul) e alinhar interesses em um período em que as iniciativas econômicas unilaterais do Norte Global, como as dos Estados Unidos, intensificam a necessidade de união e resistência entre os países do Sul. Resta ainda saber (e torcer) por meio do acompanhamento dos próximos eventos históricos do século XXI se os países do Sul Global estão alinhados com a filosofia desse novo sistema.
Revisitando o conceito de Sul Global
O conceito de Sul Global emergiu como uma categoria complexa e multifacetada a partir dos anos 1970. Não se trata de um marcador geográfico, mas de um campo de reflexão sobre a resistência, a autonomia e a transformação da ordem mundial. Entre os pensadores de sociologia, filosofia e relações internacionais, o termo evoca tanto uma crítica às hierarquias globais quanto um convite à construção de alternativas.
Apesar de ainda desafiador para o pensamento brasileiro, o conceito é central para compreender as dinâmicas contemporâneas das relações internacionais. Neste artigo, revisitamos algumas abordagens teóricas que ajudam a compreender como o Sul Global é pensado, vivido e projetado no cenário mundial.
O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos é uma das vozes mais influentes na reflexão sobre o Sul Global. Sob a lente da teoria crítica, ele define o Sul como metáfora do sofrimento sistêmico e da desigualdade produzidos por séculos de colonialismo — não apenas econômico ou político, mas também epistêmico.
Em sua teoria do “pensamento abissal”, Santos argumenta que o capitalismo criou uma linha invisível que divide o mundo entre os que existem plenamente e os que são considerados “sub-humanos”. Em resposta a essa exclusão, (SANTOS, 2007) (SANTOS & MENESES, 2009) propõem as “Epistemologias do Sul”: um projeto de reconstrução do conhecimento a partir das experiências, valores e racionalidades dos povos periféricos.
Mais do que um movimento intelectual, trata-se de um projeto político de reconhecimento da pluralidade de saberes, genuínos e necessários, e da necessidade de um novo paradigma de convivência global. Mas como isso funciona quando trazemos a visão brasileira e a solidariedade como pilares das relações internacionais do Brasil?
No campo da política externa brasileira, o conceito ganha contornos estratégicos. O embaixador Celso Amorim, chanceler mais longevo da história do Itamaraty, é um dos principais articuladores do termo no âmbito diplomático. Amorim entende o Sul Global como uma realidade geopolítica emergente e como um vetor de multipolaridade. Sua máxima — “Nem Ocidente, nem Oriente: Sul Global” (in Martins, 2025) — sintetiza a busca por uma autonomia estratégica capaz de fortalecer agrupamentos alternativos, como o BRICS, e ampliar a voz dos países em desenvolvimento nos fóruns internacionais.
Para Amorim, uma política externa voltada ao Sul Global deve ser solidária e humanista, promovendo a cooperação Sul-Sul, a produção de conhecimento endógeno e o fortalecimento da presença diplomática na África, na Ásia e na América Latina. Trata-se, portanto, de uma inflexão da diplomacia brasileira rumo a aqueles com quem o Brasil compartilha não apenas interesses políticos, mas também necessidades de desenvolvimento.
Intelectuais brasileiros, como Amado Cervo (2008), José Flávio Sombra Saraiva (2014) e Paulo Visentini (2013) também contribuem para a construção da noção de Sul Global em diálogo com as teorias da dependência, terceiro-mundismo e periferia internacional. Cervo destaca que o Brasil foi mais bem-sucedido internacionalmente nos momentos em que buscou distância dos centros de comando da economia global, promovendo uma “política externa para o desenvolvimento”. Visentini, por sua vez, vê o Sul Global como um contrafluxo à globalização neoliberal, defendendo que o país deve exercer uma autonomia coerente com seu tamanho e suas responsabilidades regionais. Já Saraiva coloca a cooperação Sul-Sul como principal manifestação concreta do Sul Global — uma prática de afirmação de identidade e reivindicação de mais justiça e legitimidade no sistema multilateral.
Mais do que uma estratégia de inserção internacional, o Sul Global propõe uma ética da reciprocidade a partir da humanidade das relações internacionais. Colocar o ser humano no centro das relações internacionais significa ouvir o outro e construir soluções conjuntas, respeitando contextos locais e culturais. Essa “escuta ativa”, como propõe a ONU desde 1978, é condição para evitar a reprodução de relações subimperialistas e garantir que a cooperação técnica e comercial sirva como vetor de desenvolvimento inclusivo e respeitoso[3]. Portanto, o Sul Global não é um bloco, tampouco uma fronteira geográfica. Deve ser um espaço político e epistêmico de disputa — onde se confrontam diferentes formas de poder, de saber e de existência.
Em um mundo fragmentado, ele se apresenta como alternativa à lógica binária do Ocidente e do Oriente, reivindicando um lugar próprio, baseado na solidariedade, na escuta e na construção coletiva de uma nova ordem internacional minimamente responsável.
As relações Brasil-Nigéria no contexto do Sul Global
Brasil e Nigéria são potências regionais com papéis estratégicos em suas respectivas regiões — a América Latina e a África Ocidental — e exercem influência decisiva na articulação política e econômica do Sul Global. A Nigéria, uma das maiores economias africanas e líder na CEDEAO, é peça-chave na integração continental e na agenda da União Africana. O Brasil, por sua vez, lidera iniciativas latino-americanas, como o Mercosul e a UNASUL, e é reconhecido como articulador da cooperação Sul-Sul. Ambos os países projetam forte soft power: o Brasil, com sua cultura popular, esportes e diplomacia ambiental; a Nigéria, com “Nollywood“, música “afrobeat” e literatura. A semelhança física entre os dois — vastos territórios, grande população, diversidade étnica e abundância de recursos naturais — favorece uma integração bilateral robusta em vários setores para além do comércio.
O eventual adensamento das relações Brasil–Nigéria, portanto, gerará um efeito dominó positivo, irradiando influência e cooperação aos demais países de suas regiões e consolidando uma ponte estratégica entre a América Latina e a África. Nesse contexto, a aproximação com a Nigéria é incontornável para qualquer projeto brasileiro de liderança no Sul Global, sendo uma ação geopolítica de alto valor agregado à projeção internacional do Brasil (Visentini 2010, 2013, 2016).
Apesar de apresentarem escalas diferentes, tanto o Brasil quanto a Nigéria demonstram percursos marcados por desafios econômicos semelhantes, como a dependência das exportações de commodities, a fragilidade econômica, a corrupção política, a disparidade social e a criminalidade complexa e persistente. É provável que, precisamente por esses motivos, seja fundamental ressaltar que ambos os países apresentam competências complementares suscetíveis de articulação sistemática, sustentadas por uma perspectiva de Cooperação Sul-Sul, que favorece o benefício recíproco.
A essência da Cooperação Sul-Sul, de acordo com o relatório “Forging a Global South” (PNUD, 2004), diferencia-se fundamentalmente das interações Norte-Sul. A proposta baseia-se na cooperação entre países em desenvolvimento, orientada por interesses e desafios comuns, com o objetivo de alcançar a autonomia coletiva no sistema internacional. A referida cooperação deve ser essencialmente horizontal, isenta de relações de hierarquia, e direcionada ao fortalecimento recíproco por intermédio do compartilhamento de conhecimentos, experiências, tecnologias adequadas e boas práticas. O mencionado relatório enfatiza que a Cooperação Sul-Sul representa um recurso estratégico para a promoção do desenvolvimento sustentável, a redução das desigualdades globais e o fortalecimento da influência dos países do Sul em fóruns multilaterais. É notável a crescente importância dessa forma de cooperação em um contexto globalizado, no qual a interação entre as nações do Sul se torna fundamental para enfrentar as desigualdades do sistema internacional e estabelecer uma ordem mais justa e inclusiva, ao menos no que diz respeito à qualidade de vida da população global.
A revitalização das relações bilaterais entre o Brasil e a Nigéria, em 2025, representa um reflexo direto da nova orientação estratégica da política externa brasileira, que enfatiza a reaproximação com o continente africano (Silva, 2025) e maior articulação estratégica no Sul Global. Baseada em vínculos históricos, culturais e econômicos de grande relevância, essa intensificação da colaboração abrange setores essenciais como comércio, energia, agricultura, defesa, economia criativa, ciência e tecnologia e cultura. Dois acontecimentos de notável importância assinalaram essa recuperação enérgica no ano: a Missão Comercial Brasileira a Abuja, realizada em fevereiro, e a Visita Oficial do Vice-Presidente Geraldo Alckmin, em junho (Santos, 2025).
Entre os dias 27 de janeiro e 7 de fevereiro de 2025, a capital da Nigéria, Abuja, acolheu uma missão empresarial significativa, no âmbito da “Missão África Ocidental 2025”. Sob a coordenação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Agricultura e Pecuária, a iniciativa contou com a colaboração de mais de 40 empresas brasileiras (Apex-Brasil, 2025). O foco principal consistiu no fortalecimento das relações comerciais e na constituição de parcerias duradouras com nações estratégicas da região, incluindo Nigéria, Gana, Costa do Marfim e Senegal. As sessões de negócios e os fóruns empresariais realizados ao longo da missão destacaram o interesse recíproco em setores inovadores, como alimentos processados, maquinaria agrícola, biotecnologia, transição energética, tecnologia e infraestrutura. Essa iniciativa indicou um ressurgimento estratégico e robusto do Brasil no contexto da África Ocidental, após um período de considerável diminuição das relações diplomáticas e comerciais (Oliveira, 2025).
Em junho de 2025, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, presidiu uma missão oficial de grande importância à Nigéria, acompanhado por ministros, parlamentares e por uma extensa comitiva empresarial. A visita consistiu na realização da 2ª Reunião do Mecanismo de Diálogo Estratégico entre o Brasil e a Nigéria, após um intervalo de 12 anos (Ministério das Relações Exteriores, 2025). A reunião culminou na formalização de acordos bilaterais em áreas estratégicas, como defesa, segurança pública, energia (com ênfase em fontes renováveis), comércio, turismo e coprodução audiovisual. Simultaneamente, um seminário empresarial em Abuja, capital da Nigéria, enfatizou notáveis iniciativas colaborativas nas esferas de sementes, de produção de grãos e de aprimoramento genético de gado bovino. Ademais, a visita comemorou a oficialização da Nigéria como país parceiro do BRICS, símbolo da inclusão de economias emergentes na gestão global (Brasil, 2025).
Esses esforços de diplomacia econômica, inseridos no contexto do Sul Global, vão além de uma simples recuperação pragmática das relações bilaterais, configurando-se como uma estratégia promissora para o potencial transformador da colaboração entre Brasil e Nigéria. A ênfase na inovação, na sustentabilidade e na inclusão social demonstra uma perspectiva atual e ampla da política externa brasileira, voltada ao fortalecimento do Sul Global. Diante de uma corrente comercial que já ultrapassou a marca de US$ 2 bilhões em 2024 e com previsões otimistas de expansão para 2025, Brasil e Nigéria estão consolidando uma colaboração profunda nas dimensões econômica, cultural e política (Secretaria de Comércio Exterior, 2025). A colaboração estratégica entre Brasil e Nigéria, as maiores economias tropicais de seus respectivos continentes, revela-se, portanto, como uma oportunidade geopolítica de magnitude singular, especialmente pertinente à agenda do desenvolvimento sustentável no contexto da Cooperação Sul-Sul.
Nos anos recentes, apesar das incertezas na elaboração e execução de políticas de sustentabilidade, o Brasil tem se estabelecido como um modelo em políticas de agricultura tropical sustentável, de energias renováveis e de tecnologias sociais voltadas à redução da pobreza e ao combate à fome. A Nigéria, já grande exportadora de produtos culturais, por sua vez, apresenta-se como um país com grande potencial energético e tem evidenciado um compromisso crescente com a modernização da agricultura, o incentivo ao empreendedorismo juvenil e a promoção da inovação tecnológica.
A confluência dessas competências ilustra uma sinergia estratégica de elevado valor: o Brasil é capaz de compartilhar sua ampla experiência em políticas públicas e na agricultura familiar, ao passo que a Nigéria pode disponibilizar percepções e diretrizes em segmentos como petróleo e gás, economia criativa, economia digital e finanças inclusivas. A Nigéria destaca-se em áreas como as tecnologias financeiras e o empreendedorismo juvenil, criando soluções tecnológicas adaptadas a realidades de infraestrutura limitada, que podem servir de exemplo para a adoção de modelos inclusivos no Brasil. Em conjunto, têm a capacidade de contribuir de forma significativa para a elaboração de soluções globais, superando a mera condição de reprodutoras e exportadoras de modelos já estabelecidos.
Além disso, a Nigéria possui um capital considerável, bem como um “soft power“, por meio de sua dinâmica economia criativa, que orienta sua liderança diplomática no continente africano. A Nigéria apresenta uma das indústrias criativas mais significativas do planeta, com especial ênfase nos setores audiovisual, musical e literário. A “Nollywood“, com sua metodologia de produção rápida e acessível, tem potencial para impulsionar o setor audiovisual brasileiro; a música nigeriana é amplamente reconhecida no cenário global como uma das mais destacadas; no âmbito literário, a Nigéria possui um Prêmio Nobel, concedido ao autor Wole Soyinka. No âmbito cultural, são incontestáveis os profundos vínculos históricos e culturais que conectam os dois países, especialmente por meio da herança afro-brasileira, que pode servir de base para a elaboração de ações colaborativas nas áreas de educação, cultura e identidade.
Todavia, é imprescindível admitir que essa aproximação demanda maturação institucional, superação de assimetrias nas relações entre os diversos agentes que integram o sistema bilateral e a confrontação de barreiras políticas, linguísticas e culturais existentes nas duas sociedades.
No âmbito da sustentabilidade, várias vertentes apresentam considerável potencial para ampliar a colaboração bilateral. O Brasil, com seu setor industrial estabelecido, detém uma experiência reconhecida em agricultura tropical, fundamentada em pesquisas científicas, na elaboração de políticas públicas voltadas à inclusão produtiva e ao desenvolvimento de energias renováveis. A Nigéria, por sua vez, procura, de maneira proativa, diversificar sua economia para além do setor do petróleo, tendo direcionado investimentos para a segurança alimentar, a inovação, as infraestruturas energéticas e o desenvolvimento da indústria. A união desses esforços pode resultar em benefícios mútuos, evidenciados, por exemplo, na criação de tecnologias adequadas aos trópicos, na pesquisa aplicada à saúde pública, na troca de soluções para mitigar as alterações climáticas e no fortalecimento de cadeias de valor que interligam a América do Sul e a África.
Ambos os países têm demonstrado comprometimento ativo em fóruns internacionais, como os BRICS, o G77 e as Nações Unidas, promovendo discussões sobre temas como a reestruturação da governança global, o financiamento do clima e o acesso justo a tecnologias. Assim, a consolidação do diálogo bilateral expandiria a visibilidade mútua desses tópicos no contexto multilateral, estimulando a participação e, por conseguinte, o robustecimento das demais economias do Sul Global no âmbito da cooperação para o desenvolvimento sustentável em seus respectivos continentes, em virtude da complexidade da realidade global contemporânea.
Não obstante a retórica de solidariedade entre os países do Sul, a colaboração entre o Brasil e a Nigéria tem se mostrado, ao longo da história, esporádica, pontual e excessivamente condicionada a “vontades políticas” momentâneas. Ademais, a relação é agravada pela ausência de compreensão mútua das realidades internas. Há barreiras cognitivas, linguísticas e culturais que têm servido de entrave à interação entre os agentes dos dois países, frequentemente mescladas a preconceitos e discriminação.
A falta de uma estrutura institucional sólida de continuidade das ações em ambos os países, aliada à insuficiência de mecanismos permanentes de intercâmbio técnico, econômico, cultural e social, compromete o potencial das iniciativas estratégicas. Em múltiplas ocasiões, a relação foi marcada por iniciativas de escassa continuidade, desprovidas de instrumentos eficazes para monitoramento e avaliação de impacto, além de ser ressaltada pela falta de interesse político por parte de agentes burocráticos, especialmente aqueles ligados aos temas consulares, o que inviabilizou a institucionalização adequada das ações.
Além disso, permanece o desafio de superar possíveis interpretações equivocadas por parte de agentes operacionais e do setor privado brasileiro no contexto da Cooperação Sul-Sul. É inegável que uma porção significativa dos agentes privados desconhece ou desconsidera as especificidades da cooperação sul-sul, atuando frequentemente de forma análoga a agentes econômicos tradicionais, visando apenas à exploração mercadológica.
Para que a colaboração se estabeleça de maneira duradoura, é fundamental que seja efetivamente formulada com base na horizontalidade, no respeito mútuo e na valorização das particularidades de cada nação, afastando-se de práticas que se assemelhem à “exportação de modelos tecnológicos” apenas para a obtenção de vantagens comerciais, sem a necessária prudência na construção conjunta de novas abordagens que contribuam para o desenvolvimento efetivo e recíproco. A cooperação bilateral, no âmbito do Sul Global, requer um empenho deliberado dos agentes para promover a descolonização da própria mentalidade, que, ocasionalmente, ainda reproduz práticas abusivas típicas das relações coloniais.
A retomada de uma política externa brasileira com foco renovado na Nigéria e em cada país africano, dentro de sua especificidade, aliada a uma diplomacia econômica mais proativa, que integre ações dos setores culturais, científicos, de diplomacia pública e de cooperação técnica, para um crescimento econômico de impacto, é fundamental para reposicionar o continente africano como prioridade estratégica para o Brasil. A Nigéria, com seu significativo peso demográfico, geopolítico, econômico, tecnológico e cultural, desempenha papel central em todo esse processo.
No que tange especificamente ao adensamento das relações econômico-comerciais, há de se ressaltar que as barreiras são substanciais e concretas: mentalidade arcaica, ecos do racismo brasileiro no comportamento dos agentes comerciais, falta de engajamento institucional, limitações logísticas, diferenças regulatórias, instabilidade cambial e a ausência de canais empresariais estruturados dificultam a expansão do comércio e dos investimentos. O comércio no Sul Global precisa de uma lógica distinta da tradicional. Não existe apenas a venda de produtos, mas também a necessidade de melhorar a rede de comércio do parceiro local. E, sobretudo, a necessidade de investimento mútuo.
A construção de uma agenda de médio e longo prazo, focada em áreas estratégicas como segurança alimentar, inclusão social, bioeconomia, economia criativa, transição energética e inovação exige um planejamento conjunto meticuloso, uma governança institucional sólida e o envolvimento de múltiplos atores – tanto públicos quanto privados e da sociedade civil organizada – que compreendam e incorporem em suas condutas a visão desse novo modelo de cooperação, a Cooperação Sul-Sul. E é aí que entra o fomento à promoção do setor comercial de economia criativa. No caso da relação Brasil-Nigéria, o desenvolvimento desse setor teria enorme impacto nos demais setores mencionados anteriormente por várias razões, incluindo, a título de exemplo, o grande impacto que produtos e marcas brasileiros poderiam ter por meio de sua veiculação em produções audiovisuais.
É preciso acrescentar, ainda, uma reflexão de importância singular, que talvez seja a “chave” transformadora: é necessário revolucionar as práticas de comércio dos agentes brasileiros, colocando o ser humano no centro das operações comerciais, da transferência de tecnologia e da cooperação técnica. Revolucionar as práticas de comércio, técnicas e econômicas dos países do Sul Global, colocando o ser humano no centro das operações, é um imperativo estratégico para evitar a repetição dos padrões neocoloniais e de dependência Norte-Sul (ACHARYA, 2018; AMIN, 1997; CHANG, 2014; FURTADO, 1974; SEN, 2000). Contudo, essa centralidade humana implica uma reflexão ainda mais profunda: exige respeito à cultura local, historicamente desvalorizada. Tal “chave” pode servir para novas soluções globais, abrangendo o desenvolvimento sustentável, a mitigação da mudança climática e a instauração de um modo de vida mais harmônico com a natureza, com prosperidade e crescimento econômico.
A prioridade ao fator humano nas relações Sul-Sul implica, fundamentalmente, reconhecer e valorizar o conhecimento e as práticas culturais locais como ativos essenciais, e não como obstáculos ao desenvolvimento. Historicamente, os modelos de comércio impostos pelo Norte Global tendiam a desconsiderar as estruturas sociais e os saberes tradicionais, promovendo o desenvolvimento extrativista e insustentável. Ao valorizar a cultura local, reforça-se a Cooperação Sul-Sul como um modelo radicalmente diferente da exploração.
Ao garantir que o comércio e a tecnologia promovam o desenvolvimento inclusivo e o valor compartilhado (Santos & Kramer, 2011), o Sul Global evita a armadilha de replicar padrões neocoloniais, em que o capital estrangeiro dita as regras e ignora os direitos humanos e a herança cultural (Ruggie, 2011). Práticas comerciais justas e transparentes, juntamente com a transferência de tecnologias sociais adaptadas à realidade cultural dos parceiros, constroem confiança mútua e coesão política mais forte. A afirmação da cultura local, assim, torna-se um pilar da soberania e uma contribuição singular do Sul Global para a busca de um novo paradigma de desenvolvimento global.
Colocar o ser humano no centro das relações bilaterais, técnicas e econômicas, especialmente entre nações do Sul Global, exige uma transformação que começa pela escuta ativa e genuína das necessidades e propostas do parceiro. Essa abordagem rejeita o paternalismo, fundamentando-se na horizontalidade, na qual a cooperação só se torna efetiva quando resulta de soluções elaboradas e apresentadas pelos agentes que operam em ambos os lados da relação, e não de uma agenda externa imposta (ONU, 1978). No entanto, para que o Brasil consolide essa relação estratégica com a Nigéria e com o Sul Global de maneira geral, é crucial superar desafios internos.
Primeiramente, o empresariado brasileiro deveria investir em maior abertura de mentalidade para o que é diferente da realidade interna, para se dar conta de que o Sul Global é vasto e profundamente diverso, mas que vale, inquestionavelmente, o investimento e o esforço de adaptação. Em segundo lugar, caberia ao governo brasileiro maior articulação entre a retórica presidencial e a execução das políticas pelo estamento burocrático. A liderança estratégica desse processo de reaproximação e de execução da Cooperação Sul-Sul não pode ser terceirizada, devendo ser conduzida pelo próprio Governo Federal. Por fim, para garantir a efetividade e a sustentabilidade dessa ação diplomática, é imperativo que as instituições do Executivo responsáveis pela cooperação bilateral sejam melhor equipadas e qualificadas, tanto em termos de recursos humanos quanto de expertise específica, para desenvolver relações complexas e de longo prazo como a parceria Brasil-Nigéria, evitando constrangimentos e o risco de práticas consideradas subimperialistas (Amorim, 2015).
O aprofundamento das relações bilaterais entre o Brasil e países africanos pode servir de modelo de cooperação entre economias emergentes que compartilham desafios e têm soluções complementares. Essa aliança representaria uma aposta estratégica na valorização de saberes locais, na diversificação de parcerias internacionais e na construção de um novo sistema de desenvolvimento na periferia do mercado mundial – mais cooperativo e menos assimétrico. Essa parceria, no entanto, exige mais do que boa vontade: requer institucionalidade, investimentos de longo prazo, mudança de mentalidade e superação de preconceitos históricos nas práticas comerciais e nas cooperações técnicas. Se estruturada de forma eficaz, essa parceria não apenas impulsionará o crescimento sustentável de ambos os países, mas também contribuirá para o fortalecimento de uma ordem internacional alternativa, mais inclusiva e multipolar. E por que não iniciar todo esse processo inovador exatamente com a Nigéria?
A Nigéria deve ser prioridade na política externa brasileira porque reúne, de forma única no continente africano, escala econômica, peso demográfico, liderança regional e complementaridade estratégica com o Brasil. Como maior economia e população da África, além de principal potência da África Ocidental e eixo da ECOWAS, o país concentra um mercado consumidor robusto, demanda por tecnologia, alimentos e infraestrutura, e influência política capaz de irradiar impactos para toda a região. Para o Brasil, a parceria com a Nigéria amplia oportunidades no agronegócio, energia, comércio e investimentos, fortalece a cooperação Sul-Sul e posiciona o país de forma mais competitiva na disputa geopolítica com potências globais que já atuam intensamente no território nigeriano, tornando a Nigéria não apenas um parceiro relevante, mas um vetor estratégico para a presença brasileira na África.
Segundo o estudo Perfil de Comércio e Investimentos: Nigéria 2024, publicado pela ApexBrasil, a Nigéria apresenta mais de 180 oportunidades para exportações brasileiras, distribuídas em setores estratégicos produtos industrializados, serviços, agronegócio, energia, saúde, inovação e tecnologia. Além disso, eventos como o Fórum Empresarial Brasil–Nigéria reforçam áreas de cooperação prioritárias, incluindo petróleo e gás, energias renováveis, equipamentos médicos, soluções tecnológicas e serviços de aviação. A ApexBrasil destaca ainda o potencial para que empresas brasileiras se integrem às novas cadeias de produção nigerianas, especialmente em setores industriais em crescimento na África Ocidental.
Conclusão
A análise desenvolvida ao longo deste artigo demonstrou que a reconfiguração do Sul Global, impulsionada pela fragmentação da ordem internacional e pela emergência de uma multipolaridade ainda em consolidação, abre espaço para novas formas de cooperação, autonomia e produção de conhecimento. Nesse contexto, Brasil e Nigéria despontam como atores centrais em suas regiões e como protagonistas potenciais de um sistema internacional paralelo, plural e não hegemônico. A revisão teórica apresentada evidenciou que o Sul Global deve ser compreendido não apenas como uma categoria crítica, mas como um campo de ação política e epistêmica no qual Estados periféricos constroem alternativas concretas às hierarquias tradicionais.
A partir desse enquadramento, a breve análise de reaproximação bilateral em 2025 revelou que Brasil e Nigéria possuem competências complementares, interesses convergentes e desafios estruturais semelhantes, o que torna a cooperação entre ambos não apenas desejável, mas estrategicamente necessária. As iniciativas recentes — missões oficiais, acordos setoriais, expansão do diálogo econômico e fortalecimento da cooperação Sul-Sul — indicam que há um terreno fértil para a construção de uma parceria mais robusta, capaz de gerar benefícios mútuos em áreas como agricultura, energia, inovação, economia criativa, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável.
Diante disso, o argumento central deste artigo torna-se evidente: é imprescindível que os operadores de política externa de ambos os países reconheçam e aproveitem as oportunidades significativas e produtivas de adensamento da relação Brasil–Nigéria. A consolidação dessa parceria exige continuidade institucional, superação de barreiras cognitivas e culturais, e um compromisso deliberado com práticas de cooperação horizontal, descolonizada e orientada ao desenvolvimento inclusivo. Trata-se de um esforço que transcende a diplomacia tradicional e demanda coordenação entre governos, setor privado, academia e sociedade civil.
Se bem conduzida, a relação Brasil–Nigéria pode transformar-se em um eixo estruturante da Cooperação Sul-Sul contemporânea, contribuindo para a construção de uma ordem internacional mais plural, equitativa e sustentável. Mais do que uma agenda bilateral, trata-se de uma oportunidade histórica para que ambos os países assumam um papel protagonista na redefinição dos rumos do Sul Global no século XXI.
A oportunidade está posta. Brasil e Nigéria podem construir um novo modelo de cooperação comercial que une crescimento, inclusão, mitigação antrópica da mudança climática e sustentabilidade, com projeção em seus arredores. Mas, para isso, é preciso substituir a retórica assistencialista da “dívida histórica com a África” por uma estratégia de desenvolvimento sustentável para ambas as economias. Conforme declaração do vice-presidente da Nigéria, Kashim Shettima, durante a 2ª Reunião do Mecanismo de Diálogo Estratégico Brasil-Nigéria (jun/2025)
“A Nigéria está aberta ao mundo, mas o que buscamos são parcerias comerciais sustentáveis, não caridade. Precisamos de investimentos que gerem empregos, inovação e prosperidade.”[6]
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*Ronaldo L. Vieira é diplomata de carreira. Graduado em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia e em Relações Internacionais pela Birkbeck University of London. Possui mestrado em Linguística, pela Universidade de Brasília e em Relações Internacionais, pelo Instituto Rio Branco. Atualmente, desenvolve pesquisas sobre relações bilaterais Brasil-Nigéria. Contato: https://www.linkedin.com/in/ronaldo-vieira-013049336/
*Vanessa Africani, especialista em comunicação e marketing com experiência profissional em promoção de negócios. Atua na promoção com ênfase em países africanos e na promoção de relações bilaterais com diversos países do Mercosul, Américas e África.
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