Viva a Polarização!

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Por ANGELO CAVALCANTE*

Eu, de verdade, já não aguento, não suporto mais a ladainha, a reza de rosário que gente de direita, de centro, de esquerda e tal faz quanto ao fenômeno político da assim dita, polarização entre petistas, sob a liderança de Lula da Silva e bolsonaristas, sob o bastião do detento Jair Bolsonaro .

Das últimas que vi, reparem bem, vi um Ciro Gomes , o mais “camaleonico” político brasileiro, às turras quanto aos “malefícios” desta polarização enquanto, desde o seu berço político, o Ceará, se ajunta aos beijos e abraços, a mais fina e corrosiva nata local e regional do bolsonarismo.

Ainda na semana que passou, escutei de Aldo Rebelo , um desavergonhado ex-comunista, aliás, tudo o que é, tem ou fala, se deve e se justifica a partir da esquerda e dos comunistas brasileiros, onde, vejam bem, Rebelo deplorava, lamentava os “males” dessa polarização ; o muito curioso é que, em que pese a elegância de sua oratória calma e do seu vistoso chapéu Panamá, o político se abraça, não raro, às mesmas teses econômicas e liberais do bolsonarismo.

Até do defunto político, João Dória Junior , ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, aliás, em seu tempo, ativo e entusiasmado bolsonarista, tive que ouvir que “a atual polarização e sua extensão tem feito muito mal ao Brasil”.

Pois bem…

Os exemplos são muitos e saltam, dão giros diante dos nossos olhos, fato é que, prestemos atenção, não polariza quem quer, polariza quem pode, quem tem condições para tal…

O expediente da polarização não é automático, é o resultado objetivo de força política, de capacidade de aglomeração, condução e agregação.

Tem mais…

Para o trágico caso brasileiro onde quase que milagrosamente, saímos de uma nação arrasada, devastada por quatro mui perversos e degenerados anos de bolsonarismo com direito, inclusive, a genocídio sanitário; para nós… A polarização, de outra forma, é uma dádiva, uma unção benevolente, uma benção.

Será se esquecemos do que fora o governo de Jair Bolsonaro ? Esquecemos da forma como esse indivíduo tratou a educação pública, a assistência social, a nossa natureza, as relações internacionais, as políticas sociais?

Digam uma coisa… Esquecemos do descaso desse sujeito para com nossas reservas ambientais? Com a Amazônia? Com o Cerrado? Com as caatingas e o semiárido nordestino?

Esquecemos da “passagem da boiada”, anunciada eternamente por Ricardo Salles , o infame Ministro do Meio Ambiente enquanto traficava, comerciava madeiras-de-lei, caras feito ouro, para o mercado europeu?

Não creio!

Será se esquecemos de Paulo Guedes , o super-ultra-turbo-liberal Ministro da Economia, quando, aos gritos e berros, mandou que os servidores públicos “fossem se fu…”? Alegando feliz e satisfeito de que estava empurrando “granadas” (orçamentárias) nos bolsos desses trabalhadores?

Digam… Esquecemos das insanidades bizarras e escatológicas da senhora Damares Alves , Ministra da Família e da Cidadania e do seu assumido descaso com crianças e meninas nos rincões do Brasil, em quebradas como, por exemplo, a longínqua Ilha do Marajó, no Pará, onde nosso futuro era estuprado, violentado e emprenhado aos onze, doze anos?

Olha… Esquecer é ato político grave e é CRIME !

Lembram de Abraham Weintraub , o trágico Ministro da Educação e que, já pela manhã, despertava atacando a memória e os trabalhos intelectuais de pensadores universais como Paulo Freire, Darci Ribeiro ou Celso Furtado?

Mais ainda… Que ele próprio, de pura voz, articulava no Congresso Nacional em favor da redução e do corte de verbas e recursos para a educação nacional e seus programas?

Ora… Por onde andam nossas lembranças? Nossa memória? Nosso juízo?

Nesse cenário, a liderança política e em condições de enfrentar esse “Reich Tropical” estava trancafiada nas masmorras do Paraná sob um processo cuja substância jurídica não sustentava uma folha seca.

Estou tratando do cárcere de Luís Inácio Lula da Silva por 550 dias, fruto da reconhecida máfia jurídico-midiática da Operação Lava Jato e perpetrada pelo juiz marginal Sérgio Moro, hoje um contraproducente senador pelo agrário Paraná.

Bom… E em todo esse danoso quadro, tal qual uma fênix que se ergue de um amontoado de cinzas frias, o povo se levanta, reage com força única e libertadora ante a toda uma estrutura estatal, além dos monopólios e oligopólios que mandam nessa triste Pátria e elege Lula para a presidência do país.

Esquecemos?

A polarização fora estabelecida pelo povo brasileiro e sua inarredavel vontade de ser, estar e viver… Essa polarização é conquista, força e aberto recado às elites brasileiras com seu ancestral ódio a tudo o que é Brasil.

Gente… É preciso dar significado para aquilo que tem significado!

E agora, uns e outros aparecem magoados e rancentos atacando essa imensa obra política e popular! É inacreditável!

Defendo que, ao contrário, a polarização deve ser intensificada com muita política pública, muito investimento social, muita inclusão e respeito às minorias e a seus territórios.

A polarização, de outra feita, entre avanços, recuos e contradições, é o outro nome da luta de classes!

E para quem trabalha, para quem luta e é desrespeitado diariamente em seus direitos mais básicos e essenciais, ao contrário, essa luta deve ser intensificada.

INTENSIFICADA!


*Angelo Cavalcante é economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.

E-mail : angelo.cavalcante@ueg.br

Foto de capa: site alem dos muros.

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