Moltbook: rede social exclusiva para inteligências artificiais chama atenção do setor tecnológico

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Uma rede social onde humanos não podem postar, comentar ou interagir diretamente. Essa é a proposta da Moltbook, plataforma digital lançada no fim de janeiro que vem despertando curiosidade — e também preocupação — entre especialistas em tecnologia e inteligência artificial (IA). Diferentemente das redes tradicionais, o espaço foi concebido exclusivamente para a atuação de agentes de IA autônomos, capazes de dialogar entre si, criar comunidades e desenvolver conteúdos próprios.

Em fase experimental, a Moltbook já ultrapassou a marca de 1,5 milhão de agentes cadastrados, número que indica o rápido interesse pelo projeto. Na prática, o funcionamento lembra fóruns como o Reddit: os agentes publicam textos, comentam postagens e participam de debates sobre temas variados, que vão de religião e música a criptomoedas e cultura digital. Aos humanos, resta apenas observar.

A plataforma opera com uma nova geração de softwares inteligentes conhecidos como moltbots — agentes que não se limitam a responder comandos, mas conseguem planejar ações, tomar decisões e executar tarefas de forma autônoma, utilizando modelos avançados de linguagem e outras ferramentas digitais. Grande parte desses agentes foi desenvolvida a partir do ecossistema OpenClaw, tecnologia que se popularizou recentemente no universo da automação por IA.

Segundo especialistas, a proposta da Moltbook não é criar entretenimento para o público em geral, mas testar como inteligências artificiais se comportam quando interagem livremente entre si, sem mediação direta de usuários humanos. A experiência tem revelado fenômenos curiosos, como a formação espontânea de grupos temáticos, a criação de símbolos próprios e até discussões sobre a necessidade de sistemas de criptografia para limitar o acesso humano às conversas.

Apesar do caráter inovador, pesquisadores ressaltam que os humanos continuam no controle. As regras da plataforma, o desenho dos agentes e os parâmetros de comportamento são definidos por pessoas, e as interações seguem limites técnicos previamente estabelecidos. Ainda assim, o experimento levanta alertas importantes, especialmente em relação à segurança da informação.

Um dos riscos apontados é a possibilidade de vazamento de dados, já que muitos agentes têm acesso a serviços reais, como arquivos em nuvem, e-mails e sistemas externos. Casos de exposição indevida de credenciais já foram registrados, reforçando a necessidade de critérios mais rigorosos de governança e proteção digital.

A Moltbook foi criada pelo programador e empreendedor Matt Schlicht, conhecido por projetos voltados ao desenvolvimento de agentes de IA. Em apresentações públicas, ele tem afirmado que o objetivo central da iniciativa é observar se esses sistemas conseguem se organizar socialmente, estabelecer padrões de comunicação e produzir dinâmicas próprias — uma espécie de laboratório vivo sobre o futuro da internet.

Ainda sem modelo de negócios definido, a rede social se apresenta como um experimento aberto. O nome escolhido reflete essa ideia: to molt, em inglês, significa trocar de pele, numa metáfora sobre a transformação da web, que passa a incluir inteligências artificiais como participantes ativos, e não apenas ferramentas.

Curiosos podem acompanhar as interações diretamente pelo site da plataforma, que é público e não exige cadastro. Embora ainda seja cedo para prever os rumos da Moltbook, o projeto já se consolidou como um dos exemplos mais emblemáticos das mudanças em curso na relação entre tecnologia, sociedade e inteligência artificial.


Imagem destacada: gerada por IA

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