Da REDAÇÃO
A direitista Laura Fernández foi eleita presidente da Costa Rica neste domingo (1º), com uma vitória expressiva ainda no primeiro turno. Com mais de 48% dos votos válidos e 94% das urnas apuradas, ela superou com folga o economista de centro-direita Álvaro Ramos, que obteve 33,4%, segundo dados oficiais do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE). A eleição confirma o avanço da direita na América Latina, fenômeno que vem se intensificando nos últimos anos.
América Latina mais à direita
A vitória de Laura Fernández reforça uma tendência já visível na região: a guinada à direita em países historicamente marcados por governos progressistas. O crescimento da criminalidade e o desgaste de partidos tradicionais têm sido combustível para candidatos conservadores, muitos deles com discursos autoritários e foco em segurança pública.
Além da Costa Rica, a direita venceu recentemente eleições no Chile, na Bolívia, na Argentina e em Honduras, explorando pautas como combate à corrupção e repressão ao crime. A retórica de Fernández, centrada em “ordem, progresso e liberdade”, se alinha à de lideranças como o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, apontado por ela como inspiração direta.
Legado de Rodrigo Chaves e apoio regional
Impulsionada politicamente por Rodrigo Chaves, Fernández agradeceu ao mentor logo após a vitória. “Viva Rodrigo Chaves!”, gritavam apoiadores nas ruas de San José. Durante a campanha, ela prometeu seguir a agenda econômica de Chaves e endurecer o combate ao narcotráfico, que transformou a Costa Rica de ponto de trânsito em centro logístico do tráfico internacional.
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, foi o primeiro a parabenizar Fernández pela vitória. Seu modelo de repressão extrema ao crime — incluindo prisões em massa sem julgamento — tem sido cada vez mais citado por políticos conservadores da região como exemplo a ser seguido.
Segurança como prioridade eleitoral
A Costa Rica vive uma escalada da violência. A taxa de homicídios aumentou 50% nos últimos seis anos, chegando a 17 por 100 mil habitantes. O narcotráfico, alimentado por cartéis mexicanos e colombianos, está presente nas áreas urbanas densas, como a capital San José.
Fernández promete construir uma prisão de segurança máxima inspirada na estrutura de Bukele e declarar estado de emergência em regiões mais afetadas pelo crime. Para ela, o aumento da violência se deve à atuação firme do governo contra as lideranças do tráfico.
Temores sobre a democracia
A oposição alerta para riscos institucionais. Fernández é acusada por críticos de representar um projeto político que pode tentar alterar a Constituição e permitir o retorno precoce de Rodrigo Chaves ao poder. O ex-presidente e Prêmio Nobel da Paz, Óscar Arias, declarou: “A primeira coisa que os ditadores querem fazer é reformar a Constituição para se manterem no poder”.
Fernández nega e afirma que manterá a tradição democrática costarriquenha. Ao mesmo tempo, afirma que seu governo “não permitirá comunismo nem ditadura”, retomando uma retórica comum entre líderes de direita da região.
Fonte: Matéria original do The Gardian, publicada em 2 de fevereiro de 2026.
Ilustração da capa: Laura Fernández vence eleição na Costa Rica – Caricatura gerada por IA ChatGPT




