Da REDAÇÃO
A detenção dos jornalistas Don Lemon e Georgia Fort, após um protesto em uma igreja de Minnesota, marca um fato inédito nos Estados Unidos recentes: pela primeira vez, profissionais de imprensa são presos em conexão direta com a cobertura de uma manifestação. O episódio acende um alerta sobre riscos à liberdade de imprensa e sinaliza práticas associadas a regimes de força.
O que aconteceu na igreja de Minnesota
O protesto ocorreu em janeiro, durante um culto em uma igreja de St. Paul, no estado de Minnesota. Manifestantes criticavam ações do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), órgão federal responsável pela política migratória.
Don Lemon e Georgia Fort estavam no local para registrar a manifestação. Ambos afirmam que atuavam exclusivamente como jornalistas. Ainda assim, foram detidos sob acusação de envolvimento na interrupção do culto religioso, com base em leis federais que protegem o livre exercício da fé.
Prisões e reação imediata
Don Lemon foi detido dias depois, fora de Minnesota. Georgia Fort foi presa em sua residência, em St. Paul. As ações provocaram reação imediata de organizações de defesa da liberdade de imprensa e de juristas especializados na Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.
Em nota, advogados de Lemon afirmaram que a prisão representa uma violação direta do direito à liberdade de imprensa. Veículos como The Guardian, MPR News e Star Tribune destacaram o caráter inédito do caso.
Um precedente perigoso
Especialistas ouvidos pela imprensa norte-americana apontam que a criminalização da cobertura jornalística de protestos pode abrir caminho para uma rotina de intimidação. A avaliação é que, se esse tipo de ação se repetir, o país passa a adotar práticas comuns em regimes de força, nos quais jornalistas são tratados como parte do conflito, e não como observadores.
O contexto político amplia a preocupação. Sob o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o discurso contra a imprensa crítica se intensificou, especialmente em temas ligados à imigração e segurança interna.
Liberdade de imprensa em xeque
Até o momento, o processo segue em andamento. Não há condenação, mas o simples ato de prender jornalistas no exercício da profissão já é visto como um divisor de águas por entidades de direitos civis.
A expectativa é que o caso avance para tribunais federais e se transforme em referência para futuras disputas sobre os limites entre cobertura jornalística, protesto e repressão estatal.
Ilustração da capa: Don Lemon e Georgia Fort jornalistas detidos nos EUA – Imagem gerada por IA ChatGPT
Tags: Don Lemon, Georgia Fort, liberdade de imprensa, Estados Unidos, ICE, protestos, Minnesota, direitos civis




