CORRESPONDENTE POLÍTICO | PSD ganhou Caiado. E o União/PP, ganhou o quê?

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Por RUDOLFO LAGO*, do Correio da Manhã

Antes, o Correio Político precisa fazer uma pequena correção sobre o que aqui foi escrito na quarta-feira (27). Que vai, porém, na linha da análise que será feita. Se o governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), não sair do governo para disputar o Senado, a vice-governadora Celina Leão (PP) não precisará, pela lei, se desincompatibilizar para concorrer a governadora. Ela pode disputar no cargo. Mas essa hipótese não a interessa. Porque, nesse caso, ela não poderá assumir em momento nenhum o governo. Na prática, um prejuízo semelhante a ter que sair do GDF. Porque não disputará a reeleição com a máquina a seu favor. Ainda mais caso se confirme o temor de que, assim, Ibaneis não venha a trabalhar por ela.

Não é só o Banco Master

Sem dúvida, a principal razão pela qual Ibaneis Rocha cogitou permanecer no GDF é aumentar sua blindagem para se defender das acusações de envolvimento com as possíveis irregularidades que estão sendo investigadas na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. Mas, para além disso, há também uma razão política. Que vai na linha da avaliação que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, faz ao pregar candidatura própria.

Ibaneis poderia ficar sem vaga

Aliança de Celina com o PL poderia deixar Ibaneis fora | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por seu perfil, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tende a aumentar a possibilidade de limitar suas alianças regionais somente ao campo da direita. Escanteando o centro, como aconteceu com a chapa do governador Jorginho Mello (PL) em Santa Catarina. No DF, Ibaneis corre o risco de ficar sem vaga se Celina fechar ter apoio do PL. Porque o PL coloca como suas candidatas ao Senado Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis. O projeto de Kassab pode virar porto para o centro nos arranjos regionais.

Prejuízo para a União Progressista

Fechando esse raciocínio, o cientista político Isaac Jordão avalia que muito se tem dito sobre o quanto ganha o PSD com a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, mas pouco sobre o quanto perde a Federação União Progressista, que une o União Brasil e o PP. Ele avalia que os dois partidos tendem a se fechar para o centro sem obter grande espaço na chapa de Flávio.

Abraço

“Desde o início, essa federação parece um abraço de desesperados”, avalia Isaac Jordão. O União Brasil surgiu de uma fusão do DEM, que estava decadente, com o PSL, que cresceu com o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas tendia a perder deputados depois que ele deixou o partido.

Barreira

O União Brasil fechou a federação com o PP no mesmo raciocínio. “É um movimento motivado pela pressão da cláusula de barreira”, avalia o cientista político. “Mas que pode levar, no caso, ao declínio. Não um declínio rápido, mas uma queda a partir de apostas erradas, por não entender o momento”.

Valdemar

Voltando à candidatura de Flávio, Isaac Jordão concorda com o raciocínio de Kassab que ela estreita a possibilidade ao centro. “Até porque quem estará no comando desse processo será o presidente do PL, Valdemar Costa Neto”, comenta. E o projeto de Valdemar é engordar ao máximo a própria bancada.

Deputados

Em 2022, o PL de Valdemar elegeu 99 deputados. Mas durante a legislatura, já foi desidratando. Está hoje com 89. Nos cálculos feitos pelo próprio PL, o número de 2022 não deverá ser repetido agora. Mas Valdemar quer chegar o mais próximo dele. Isso é fundamental para o projeto de ter Fundo Partidário e capacidade de influência.

Senadores

Ao mesmo tempo, o PL trabalha para tentar formar a maior bancada de senadores. Porque não desistiu da ideia de poder aprovar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O centro não está convencido desse projeto, nem quer se comprometer com ele. O que também limita alianças.

DF

Voltando ao DF, Celina pode montar com o PL uma chapa forte. Mas, com o avanço de José Roberto Arruda, do PSD, não imbatível. Indo a Santa Catarina, o PP pode fechar chapa com o PSD e o MDB para abrigar o escanteado Esperidião Amin. Numa hipótese ou noutra, fica a reboque de outros projetos.


*Rudolfo Lago é jornalista do Correio da Manhã / Brasília, foi editor do site Congreso e é diretor da Consultoria Imagem e Credibilidade.

Publicado originalmente no Correio da Manhã.

Foto de capa: Saída de Caiado enfraquece União Progressista | Divulgação/União Brasil

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