Por FERNANDO NOGUEIRA DA COSTA*
A valorização das ações no mercado secundário tem efeitos indiretos, condicionais e ambíguos sobre uma sociedade anônima. Ela não injeta recursos automaticamente na empresa, mas reorganiza o seu ambiente financeiro, estratégico e político.
As consequências dependem da arquitetura institucional, do grau de financeirização e da posição da firma no circuito financeiro. Organizo esses aspectos em seguida, indo do estritamente financeiro ao estrutural-sistêmico.
O ponto crucial é não acontecer automaticamente o esperado de melhor. Quando a ação sobe no mercado secundário a empresa não recebe caixa novo, o investimento produtivo não aumenta automaticamente e o lucro operacional não se altera por si só. Esses efeitos só ocorrerão se a valorização for internalizada estrategicamente.
As mais imediatas são as consequências financeiras indiretas como a redução do custo de capital próprio (equity). O mercado acionário passa a exigir menor retorno esperado. A empresa pode emitir novas ações com menor diluição das participações acionárias dos controladores e usar ações como moeda em aquisições de concorrentes. Esse é o canal clássico de transmissão.
Melhora também o perfil de crédito, porque a valorização das ações na bolsa de valores eleva a capitalização de mercado e a percepção de solvência. Bancos e credores reduzem spreads e ampliam limites de crédito. Mesmo sendo equity, afeta o canal da dívida.
A empresa ganha flexibilidade financeira com opções estratégicas, capacidade de postergar decisões e margem para absorver choques. Valoriza-se “o direito de esperar” (real options).
Quanto às consequências estratégicas e de governança, sempre há pressão por maximização de valor acionário. Executivos passaram a ser avaliados por desempenho das ações, retorno ao acionista, tanto em dividendos, quanto em ganhos de capital. Seus incentivos passaram a ser bônus atrelados ao preço da ação e isso coloca o foco em resultados de curto prazo.
Nesse ponto começa a financeirização da firma. Surge o risco de captura pela lógica do mercado. Com valorização persistente das ações, cresce a pressão por dividendos elevados, recompra de ações para valorizá-las artificialmente – ou aposta em inside information (conhecer projeto de investimento da empresa) e impõe-se cortes de custos. Pode ocorrer substituição de investimento por distribuição de lucros antes retidos.
A valorização das ações no mercado secundário tem efeitos indiretos, condicionais e ambíguos sobre uma sociedade anônima. Ela não injeta recursos automaticamente na empresa, mas reorganiza o seu ambiente financeiro, estratégico e político.
As consequências dependem da arquitetura institucional, do grau de financeirização e da posição da firma no circuito financeiro. Organizo esses aspectos em seguida, indo do estritamente financeiro ao estrutural-sistêmico.
O ponto crucial é não acontecer automaticamente o esperado de melhor. Quando a ação sobe no mercado secundário a empresa não recebe caixa novo, o investimento produtivo não aumenta automaticamente e o lucro operacional não se altera por si só. Esses efeitos só ocorrerão se a valorização for internalizada estrategicamente.
As mais imediatas são as consequências financeiras indiretas como a redução do custo de capital próprio (equity). O mercado acionário passa a exigir menor retorno esperado. A empresa pode emitir novas ações com menor diluição das participações acionárias dos controladores e usar ações como moeda em aquisições de concorrentes. Esse é o canal clássico de transmissão.
Melhora também o perfil de crédito, porque a valorização das ações na bolsa de valores eleva a capitalização de mercado e a percepção de solvência. Bancos e credores reduzem spreads e ampliam limites de crédito. Mesmo sendo equity, afeta o canal da dívida.
A empresa ganha flexibilidade financeira com opções estratégicas, capacidade de postergar decisões e margem para absorver choques. Valoriza-se “o direito de esperar” (real options).
Quanto às consequências estratégicas e de governança, sempre há pressão por maximização de valor acionário. Executivos passaram a ser avaliados por desempenho das ações, retorno ao acionista, tanto em dividendos, quanto em ganhos de capital. Seus incentivos passaram a ser bônus atrelados ao preço da ação e isso coloca o foco em resultados de curto prazo.
Nesse ponto começa a financeirização da firma. Surge o risco de captura pela lógica do mercado. Com valorização persistente das ações, cresce a pressão por dividendos elevados, recompra de ações para valorizá-las artificialmente – ou aposta em inside information (conhecer projeto de investimento da empresa) e impõe-se cortes de custos. Pode ocorrer substituição de investimento por distribuição de lucros antes retidos.
*Fernando Nogueira da Costa é Professor Titular do IE-UNICAMP. Baixe seus livros digitais em “Obras (Quase) Completas”: http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/ E-mail: fernandonogueiracosta@gmail.com.
Foto de capa: IA




