Filme de Kleber Mendonça Filho conquista múltiplas indicações enquanto o país celebra vitórias recentes no maior prêmio do cinema.
Na manhã desta quinta, 22, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou os indicados à 98ª edição do Oscar, com a cerimônia marcada para 15 de março, no Dolby Theatre, em Los Angeles. Uma das maiores surpresas da lista foi a presença expressiva de O Agente Secreto, filme dirigido por Kleber Mendonça Filho, que colocou o cinema brasileiro novamente sob os holofotes internacionais.
Indicados: um momento histórico
O Agente Secreto entrou na corrida com quatro indicações nas principais categorias, um resultado excepcional para uma produção nacional:
- Melhor Filme
- Melhor Filme Internacional
- Melhor Ator (com Wagner Moura)
- Melhor Direção de Elenco
A indicação de Wagner Moura à principal categoria de atuação masculina representa um marco: trata-se de uma das primeiras vezes que um ator brasileiro disputa o Oscar de Melhor Ator, sinalizando o reconhecimento à presença e performance de intérpretes brasileiros no cinema global.
Contexto artístico, político e social
O longa, ambientado no Brasil dos anos 1970 e imerso em questões de poder, vigilância e moralidade individual em contextos de regimes autoritários, foi aclamado tanto por público quanto por crítica internacional. Seu percurso em festivais consagrados e a intensidade dramática das performances foram fatores centrais para a recepção calorosa na temporada de premiações.
Releitura histórica: Brasil no Oscar recentemente
Embora O Agente Secreto seja um dos destaques brasileiros no Oscar 2026, a presença do Brasil no prêmio vem de uma sequência de importantes conquistas nos últimos anos. Em 2025, o filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles e protagonizado por Fernanda Torres, teve três indicações ao Oscar nas categorias Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, sendo esse último um marco pela forte presença feminina brasileira na competição.
Mais ainda: Ainda Estou Aqui venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, tornando-se a primeira produção brasileira a conquistar essa estatueta na história da Academia — um feito simbólico e inspirador para toda a indústria audiovisual do país.
Por que isso importa?
O reconhecimento de Ainda Estou Aqui e agora de O Agente Secreto ilustra uma trajetória de amadurecimento da cinematografia brasileira no cenário global: narrativas que exploram nossa história — especialmente os impactos da ditadura militar e temas sociais profundos — estão encontrando voz e resposta junto a plateias internacionais.
Coragem e identidade cultural em foco
Enquanto Ainda Estou Aqui se consolidou como um marco no Oscar 2025 com sua narrativa íntima e forte atuação de Fernanda Torres, O Agente Secreto reafirma a capacidade do cinema brasileiro de dialogar com questões universais de poder e resistência, num momento em que a própria indústria cinematográfica enfrenta desafios e transformações diante das mudanças tecnológicas, políticas e de audiência.
O que esperar na cerimônia
A corrida ao Oscar 2026 continua aberta nas categorias mais disputadas, com filmes de grande apelo comercial e crítica concorrendo por estatuetas importantes. No entanto, a presença de produções brasileiras em categorias de destaque não apenas mobiliza audiências no Brasil, como também demonstra a força de uma cinematografia que combina identidade cultural, densidade temática e reconhecimento técnico.
Independentemente do resultado no dia 15 de março, as indicações de O Agente Secreto, somadas à vitória histórica de Ainda Estou Aqui no ano anterior, configuram um momento singular de afirmação internacional para o cinema brasileiro — um momento que dialoga com debates históricos, políticos e estéticos e reforça o país como protagonista de narrativas cinematográficas relevantes.
Imagem destacada: Divulgação




