Basta de Fantasias Sobre Anexação, diz o Primeiro-Ministro da Groelândia

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Por EDELBERTO BEHS*

Trump quer a Groelândia e o mundo, na visão do xerife, tem que se dobrar. “É muito estratégica. No momento, a área está repleta de navios russos e chineses. Precisamos da Groelândia do ponto de vista da segurança nacional”, admitiu. Até que ponto a afirmação trumpiana sobre os navios é uma verdade, permanece a dúvida, uma vez que a imprensa nada informa a respeito.

Em declaração à CNN, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, reforçou a anexação da Groelândia como uma prioridade de segurança nacional, uma vez que “ela é vital para deter nossos adversários na região do Ártico.”

“O presidente e sua equipe estão discutindo uma série de opções para atingir esse importante objetivo de política externa e, é claro, utilizar as forças armadas dos Estados Unidos é sempre uma opção à disposição do comandante-em-chefe”, disse.

Se fosse pela vontade de Katie Miller, esposa do vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stepen Miller, o seu país já teria recorrido às forças armadas. Ela publicou em sua conta no X uma foto mostrando a maior ilha do mundo com as cores da bandeira estadunidense e a legenda: “Em breve”.

A Groelândia tem uma população estimada em 56,5 mil habitantes. Ela é um território autônomo integrado ao Reino da Dinamarca, com um Parlamento – o Inatsisartut – que tem 31 representantes, de cinco partidos, dirigido pelo primeiro-ministro, Jeans-Frederick Nielsen.

Em postagem no Facebook, Nielsen afirmou que a Groelândia não está a venda. Bateu nos Estados Unidos, mas também amenizou a crítica, reconhecendo que, como membro da OTAN, o território precisa contar com o apoio norte-americano.

“Nosso país não é objeto de retórica de superpotência. Somos um povo. Uma terra. E uma democracia. Isso precisa ser respeitado. Especialmente por amigos próximos e leais”, frisou, reportando-se aos Estados Unidos.

“Fazemos parte da OTAN e estamos plenamente conscientes da localização estratégica do nosso país. E sabemos que nossa segurança depende de bons amigos e alianças fortes. Nesse sentido, uma relação respeitosa e leal com os Estados Unidos é muito importante”, reconheceu.

Mas também mordeu: “As alianças são construídas sobre a confiança. E a confiança exige respeito. Ameaças, pressão e conversas sobre anexação não têm lugar entre amigos. Não é assim que se fala com um povo que demonstrou repetidamente responsabilidade, estabilidade e lealdade. Chega. Basta de pressão. Basta de insinuações. Basta de fantasias sobre anexação!”

Ainda no primeiro mandato Trump pretendia anexar o território ártico, o que foi confirmado pelo senador Tom Cotton em artigo para o The New York Times em 2019. As razões vão muito além do ponto de vista da segurança nacional. A área é rica em minerais e terras raras, “recursos essenciais para nossas indústrias de alta tecnologia e defesa”, escreveu então o senador por Arkansas.

Duas pesquisas realizadas no início do ano passado entre a população da Groelândia chegaram a resultados conflitantes. Na primeira, realizada pela Patriot Polling com 416 entrevistados, 57,3% responderam que aprovavam a venda do território aos Estados Unidos. A segunda pesquisa, realizada duas semanas depois pelo Verian Group com 497 adultos da Groelândia, indicou que 85% não concordavam com a anexação e apenas 9% deram o seu apoio.

Também estadunidenses foram ouvidos a respeito em 29 de agosto de 2025. A YouGov entrevistou 6.996 adultos americanos dos quais 45% se opuseram à compra da Groelândia pelos Estados Unidos; 24% apoiaram a transação. Mas 72% se mostraram contrários ao uso da força por tropas americanas para assumirem o controle da Groelândia.

Trump precisa ouvir mais o seu povo. Ele é aquele líder que consegue brigar com seus aliados. Alemanha, França, Suécia, Noruega, Finlândia e Holanda, países da OTAN, enviaram pequenos contingentes militares a Groenlândia, a pedido da Dinamarca, com o objetivo de planejar um reforço maior no decorrer do ano.

O secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), pastor Dr. Jerry Pillay, frisou, em declaração pública, que a determinação declarada do governo dos Estados Unidos em possuir e controlar a Groenlândia “está em oposição diametral aos desejos do povo groenlandês e à sua trajetória política rumo à independência. Equivale ao neocolonialismo”, uma ameaça a toda a comunidade internacional.


*Edelberto Behs é Jornalista, Coordenador do Curso de Jornalismo da Unisinos durante o período de 2003 a 2020. Foi editor assistente de Geral no Diário do Sul, de Porto Alegre, assessor de imprensa da IECLB, assessor de imprensa do Consulado Geral da República Federal da Alemanha, em Porto Alegre, e editor do serviço em português da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC).

Foto de capa: EFE/EPA/MADS CLAUS RASMUSSEN DENMARK OUT

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