Por SILVANA CONTI*
Somos muitas e falamos como uma só voz.
Uma voz ancestral, que vem antes do nome, antes da fronteira, antes da cerca.
É voz de ventre, de chão batido, de tambor que nunca se calou mesmo quando tentaram.
À frente da tropa seguimos porque aprendemos com as mais velhas que recuar não salva,
que silenciar mata, que caminhar juntas sustenta o mundo.
Nossa ancestralidade não é memória parada: é prática viva, é estratégia de sobrevivência.
A luta é pela vida inteira — e isso inclui o tempo.
Dizer não à escala 6×1 é dizer sim ao direito de ser feliz, ao direito de sonhar, de amar quem quisermos amar, e ter tempo para existir sem trabalhar a exaustão.
O descanso é direito, não privilégio.
O corpo não é mercadoria.
Viver não pode ser castigo.
Resistimos ao colonialismo que invade terras e corpos, ao neoliberalismo que transforma a vida em mercadoria, ao racismo que decide quem pode viver e quem pode morrer.
Resistimos à lesbofobia, à bifobia, à transfobia — porque amar livremente é parte da luta.
Caminham conosco as Marias, as nomeadas e as sem sobrenome, as que o feminicídio tentou apagar — presentes em cada passo.
Nas ruas estamos.
Com unidade.
Com coragem coletiva.
Nossa luta é intransigente pela democracia viva, pela soberania brasileira, pela construção de um mundo onde a paz seja princípio de existir, e não promessa vazia.
Nós queremos vivas.
Vivas inteiras.
Vivas com tempo, com dignidade, com liberdade.
Seguimos com unidade, resistindo, lutando sempre, mulheres à frente da tropa, até que todas sejamos livres.
*Silvana Conti é professora aposentada da RME, Diretora de Formação do SIMPA, Membra do CC – Partido Comunista do Brasil, Direção Nacional da UBM na coordenação LBT, Mestra em Políticas Sociais e Doutoranda da Educação/UERGS.
Foto de capa: Silvana Conti




