Mulheres à Frente da Tropa 2026

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Design sem nome (21)

Por SILVANA CONTI*

Somos muitas e falamos como uma só voz.

Uma voz ancestral, que vem antes do nome, antes da fronteira, antes da cerca.

É voz de ventre, de chão batido, de tambor que nunca se calou mesmo quando tentaram.

À frente da tropa seguimos porque aprendemos com as mais velhas que recuar não salva,
que silenciar mata, que caminhar juntas sustenta o mundo.

Nossa ancestralidade não é memória parada: é prática viva, é estratégia de sobrevivência.

A luta é pela vida inteira — e isso inclui o tempo.

Dizer não à escala 6×1 é dizer sim ao direito de ser feliz, ao direito de sonhar, de amar quem quisermos amar, e ter tempo para existir sem trabalhar a exaustão.

O descanso é direito, não privilégio.

O corpo não é mercadoria.

Viver não pode ser castigo.

Resistimos ao colonialismo que invade terras e corpos, ao neoliberalismo que transforma a vida em mercadoria, ao racismo que decide quem pode viver e quem pode morrer.

Resistimos à lesbofobia, à bifobia, à transfobia — porque amar livremente é parte da luta.

Caminham conosco as Marias, as nomeadas e as sem sobrenome, as que o feminicídio tentou apagar — presentes em cada passo.

Nas ruas estamos.

Com unidade.

Com coragem coletiva.

Nossa luta é intransigente pela democracia viva, pela soberania brasileira, pela construção de um mundo onde a paz seja princípio de existir, e não promessa vazia.

Nós queremos vivas.

Vivas inteiras.

Vivas com tempo, com dignidade, com liberdade.

Seguimos com unidade, resistindo, lutando sempre, mulheres à frente da tropa, até que todas sejamos livres.


*Silvana Conti é professora aposentada da RME, Diretora de Formação do SIMPA, Membra do CC – Partido Comunista do Brasil, Direção Nacional da UBM na coordenação LBT, Mestra em Políticas Sociais e Doutoranda da Educação/UERGS.

Foto de capa: Silvana Conti

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