Por RUDOLFO LAGO*, do Correio da Manhã
Em dezembro, o presidente do Instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, comunicou à senadora Tereza Cristina (PP-MS) que estava fazendo uma pesquisa para definir qual seria o perfil ideal de um candidato a vice-presidente. E que o levantamento parecia quase colocar na parede do Palácio do Jaburu, onde moram os vices, o retrato da senadora sul-matogrossense. Segundo a pesquisa, 24,4% dos entrevistados disseram preferir que o vice fosse uma mulher, “para trazer um olhar feminino à administração”. E 22,3% disseram que deveria ser alguém do setor produtivo/agronegócio “para focar na economia”. Mulher e do agronegócio, essa é Tereza Cristina. A partir de então, as conversas cresceram.
Campo conservador indefinido
Segundo interlocutores, o que Tereza Cristina tem comentado, porém, é que ela não poderia dar um passo mais incisivo nesse sentido enquanto o campo conservador estiver indefinido. Ela tem bom relacionamento com a maior parte dos que se ensaiam candidatos. Caso se defina por um, poderá ter problemas com os demais. Assim, o que a senadora tem dito é que é preciso esperar até o mês de abril.
Desincompatibilização irá definir

Desempenho inicial de Flávio surpreendeu | Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Abril é o prazo determinado pela legislação para que ocupantes de cargos se desincompatibilizem caso queiram disputar outros postos nas eleições de outubro. É quando, portanto, dois dos amigos de Tereza Cristina decidirão se sairão ou não dos seus governos para arriscar a disputa à Presidência: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD). É a partir daí que a situação vai se aclarar. O outro é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Tereza não quer entrar numa bola dividida.
Presidência do Senado
No fundo, o que ela desejava mesmo era vir a ser a próxima presidente do Senado. Mas ela sabe também que tal possibilidade estaria diretamente condicionada à eleição de um presidente conservador. Se Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito para um quarto mandato, não haveria muita condição política, ela avalia, de o Senado ser comandado por alguém de oposição.
Pulverizado
A pesquisa não deixou de animar a senadora. Mas o cenário também traz outros indicativos. O maior deles é que a disputa política segue ainda tão polarizada que a definição de quem seria o companheiro de chapa de um candidato de oposição pouco agrega. O país ainda divide-se entre Lula ou não.
Direita
Numa outra pergunta da pesquisa, 19,1% consideraram que seria bom que o perfil do vice fosse alguém que trouxesse votos de quem não é de direita, ampliando o eleitorado. E 12,8% disseram que o candidato deveria ajudar a garantir os votos da direita, sendo um conservador fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Perfil
Curiosamente, Tereza tem características que se encaixam nos dois perfis. Ela foi ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, mas não é bolsonarista. Tem uma história política anterior, ligada à defesa do agronegócio. Foi deputada federal e secretária de Desenvolvimento Agrário do Mato Grosso do Sul.
Flávio
Isso poderia aproximá-la como companheira de chapa de Flávio Bolsonaro? Seria ainda cedo para dizer. Em 2022, por exemplo, seu nome era o preferido do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Mas Jair Bolsonaro preferiu alguém que lhe passava maior confiança, o general Walter Braga Neto. Bolsonaro perdeu as eleições.
Surpresa
De qualquer modo, o desempenho inicial de Flávio depois de ungido candidato por seu pai, surpreendeu a todos no campo conservador. Pesquisa Quaest divulgada no final do ano o colocou com 23% das intenções de voto, atrás apenas de Lula, à frente de Tarcísio de Freitas, o nome preferido do Centrão.
Afunila?
Será preciso ver se tais dados afunilam a disputa até abril. Alguns movimentos foram percebidos. Movimentos começaram. No Paraná, informações de que Ratinho Jr permaneceria no governo. Em Goiás, que o governador Ronaldo Caiado (União) poderia desistir da Presidência e sair para o Senado.
*Rudolfo Lago é jornalista do Correio da Manhã / Brasília, foi editor do site Congreso e é diretor da Consultoria Imagem e Credibilidade.
Publicado originalmente no Correio da Manhã.
Foto de capa: Pesquisa se encaixa ao perfil de Tereza Cristina | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil




