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BRAS√ćLIA J√Ā: A√ß√Ķes de Lula para reverter o ato de Bolsonaro
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Pragm√°tico, o presidente Luiz In√°cio Lula da Silva n√£o briga com a realidade. Em entrevista, ele reconheceu que o ato convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no domingo (25) foi grande e demonstra o tamanho da sua for√ßa pol√≠tica. Assim, Lula tratou de acelerar a√ß√Ķes que j√° estavam em curso como forma de reverter os efeitos pol√≠ticos da manifesta√ß√£o. uas a√ß√Ķes importantes nesse sentido marcaram a ter√ßa-feira (27). Pela manh√£, o governo apoiou a aprova√ß√£o na Comiss√£o Especial da C√Ęmara da PEC que amplia a isen√ß√£o tribut√°ria das igrejas. Ainda que a isen√ß√£o atenda a todos os segmentos religiosos, ela agrada √† bancada evang√©lica, que tem maioria conservadora e estava em peso no ato de domingo, assim como seus eleitores. E, no fim do dia, Lula assinou medida revogando parte da MP da Reonera√ß√£o, atendendo ao empresariado e ao Centr√£o, buscando atra√≠-los tamb√©m. Ainda que tudo j√° estivesse sendo negociado, o ato acelerou as solu√ß√Ķes. √Č o que explicam Alexandre Jardim e Rudolfo Lago no Bras√≠lia J√° de hoje. Confira o v√≠deo: https://youtu.be/b348KEIQDRI   Voc√™ encontra o Bras√≠lia J√°, com Alexandre Jardim e Rudolfo Lago, de segunda a sexta-feira, √†s 12h, aqui no site e em todos os canais da RED. Foto: Ag√™ncia Brasil    

Geral

Coronel respons√°vel por proteger Planalto no 8 de janeiro faz interc√Ęmbio militar na Espanha
RED

Militar teve destaque ao bater boca com a PM do DF contra pris√£o de golpistas ap√≥s ataque Enquanto¬†generais e ex-ministros militares do governo Bolsonaro e o pr√≥prio ex-presidente tiveram que prestar contas √† Pol√≠cia Federal¬†nos √ļltimos dias sobre uma suposta tentativa de golpe para manter Jair Bolsonaro no poder em 2022, o coronel respons√°vel por chefiar o Batalh√£o da Guarda Presidencial do Pal√°cio do Planalto no dia 8 de janeiro de 2023 est√° em viagem ao exterior a trabalho. Ele participa em Madri, na Espanha, de um curso de altos estudos militares por indica√ß√£o do governo brasileiro e deve atuar como instrutor no pa√≠s europeu. Trata-se de Paulo Jorge Fernandes da Hora, que chegou a ser filmado discutindo com a tropa de choque da PM do Distrito Federal sobre a pris√£o dos manifestantes golpistas que haviam depredado o Pal√°cio do Planalto no dia 8 de janeiro. Atualmente ele √© um dos alunos da 21¬™ edi√ß√£o do Curso de Altos Estudos Estrat√©gicos para Oficiais Superiores Ibero-americanos realizado no Ceseden (Centro Superior de Estudos da Defesa Nacional, em tradu√ß√£o livre), principal centro de forma√ß√£o das For√ßas Armadas da Espanha. Ap√≥s o curso, ele deve atuar ainda como instrutor no centro. A reportagem tenta contato com o Ceseden por e-mail desde o fim de janeiro. Sem resposta do √≥rg√£o, a reportagem contatou a embaixada da Espanha, que respondeu a algumas das perguntas. Questionada se o Ceseden tinha conhecimento sobre o epis√≥dio envolvendo o coronel brasileiro e porque aceitaram um militar que n√£o impediu a depreda√ß√£o do Pal√°cio do Planalto, a embaixada da Espanha respondeu que a sele√ß√£o da turma do curso ocorreu dentro da "normalidade". "Essa sele√ß√£o ocorreu dentro do funcionamento normal e ordin√°rio dos programas de interc√Ęmbio e treinamento entre os Minist√©rios da Defesa da¬†Espanha¬†e do Brasil, de acordo com a atual estrutura jur√≠dica bilateral e sempre sob proposta do Minist√©rio da Defesa do atual governo brasileiro", afirmou a embaixada por e-mail. Viagens pela Europa Criado com o objetivo de aprimorar a forma√ß√£o de militares de alta patente dos pa√≠ses iberoamericanos e permitir o compartilhamento de experi√™ncias entre eles, o curso √© dividido em seis m√≥dulos sobre o sistema de Defesa espanhol e europeu, que incluem debates sobre "Planejamento de Defesa", "Cultura e Sociologia da Defesa", "Economia e Ind√ļstria da Defesa", "Situa√ß√£o mundial, rela√ß√Ķes internacionais e panorama estrat√©gico geral", al√©m de visitas a unidades das for√ßas armadas espanholas e da guarda civil daquele pa√≠s. A programa√ß√£o inclui pelo menos duas viagens pela Espanha, sendo uma delas para Salamanca, tradicional cidade universit√°ria espanhola. La, os integrantes do curso participam de um semin√°rio da Universidade de Salamanca que conta com a participa√ß√£o do Instituto de Defesa Nacional de Portugal. A turma do curso do Ceseden √© formada por militares de alta patente (coron√©is, generais, almirantes e capit√£es de navio) indicados pelos seus pa√≠ses por meio de uma parceria entre o Minist√©rio da Defesa espanhol e os minist√©rios das defesas dos demais pa√≠ses da Am√©rica Latina e Europa. Na edi√ß√£o deste ano participam¬†36 alunos, sendo militares da Argentina, Brasil, Bol√≠via, Chile, Col√īmbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, M√©xico, Paraguai, Peru, Venezuela, Uruguai, Rep√ļblica Dominicana, al√©m de Portugal e Espanha. Tamb√©m participam desta edi√ß√£o um diplomata espanhol e dois representantes da ind√ļstria de Defesa espanhola. O Ceseden n√£o informou quem s√£o. Prest√≠gio para promo√ß√Ķes A reportagem conversou com especialistas da √°rea militar que veem a pr√°tica como um interc√Ęmbio comum realizado entre pa√≠ses que adotam uma doutrina militar semelhante. "Estes tipos de cursos s√£o normais entre for√ßas armadas, para se ter troca de estrat√©gias dentro de um mesmo¬†espectro pol√≠tico. Eles s√£o uma forma de indicar que um pa√≠s √© parceiro estrat√©gico do outro", explica a professora aposentada da Unesp e pesquisadora do CNPq especialista na √°rea militar, Suzeley Kalil. Segundo a especialista, ainda que possam ser solicitadas em qualquer etapa da carreira, √© mais comum que este tipo de viagem de interc√Ęmbio seja feito por coron√©is ou tenentes-coron√©is, que est√£o j√° no fim da carreira militar e buscam esse tipo de qualifica√ß√£o para ajudar a pleitear postos de generais. Pela programa√ß√£o do curso, as aulas s√£o realizadas de 8h30 √†s 14h de segunda a quinta-feira e √†s sextas terminam as 13h. Al√©m disso, est√£o previstas a participa√ß√£o dos alunos em foros de debate, confer√™ncias e col√≥quios, alguns na parte da tarde. No caso do coronel Paulo Jorge Fernandes da Hora a designa√ß√£o para o curso foi feita pelo comandante do Ex√©rcito ainda em 2022 e foi mantida mesmo com os epis√≥dios do 8 de janeiro. Segundo a embaixada espanhola, o coronel foi nomeado para participar do curso pela Chefia de Assuntos Estrat√©gicos do Estado-Maior Conjunto das For√ßas Armadas em 1 de junho de 2023, menos de seis meses depois do 8 de janeiro. O curso come√ßou no dia 18 de setembro do ano passado e, segundo a embaixada da Espanha, est√° previsto que o coronel participe do curso durante todo o ano acad√™mico. O Ex√©rcito, por sua vez, n√£o informou quanto tempo ele ficar√° na Espanha Paulo Jorge foi designado para atuar como instrutor do Ceseden ap√≥s o fim do curso. A embaixada da Espanha, por√©m, n√£o explicou como se dar√° essa atua√ß√£o. A reportagem questionou ao Ex√©rcito brasileiro o motivo de Paulo Jorge ter sido enviado √† Espanha. Em resposta, a For√ßa apenas mencionou que ele foi designado para participar do curso no pa√≠s europeu por uma portaria do Comandante do Ex√©rcito de 20 de junho de 2022, sem dar detalhes sobre a escolha. A reportagem tamb√©m questionou o Minist√©rio da Defesa sobre a escolha dele mesmo ap√≥s a depreda√ß√£o ocorrida no 8 de janeiro. A pasta, por√©m, solicitou que a demanda fosse encaminhada ao Ex√©rcito. Militar teve que se explicar √† CPMI Se no Ex√©rcito¬†Paulo Jorge conseguiu seguir sua carreira sem percal√ßos ap√≥s o 8 de janeiro,¬†fora dele o militar precisou se explicar sobre o bate-boca que teve com a tropa de choque da PM do DF, acionada para prender os manifestantes depois que os pr√©dios da Pra√ßa dos Tr√™s Poderes haviam sido depredados. A CPMI do 8 de janeiro cobrou explica√ß√Ķes do militar que, em of√≠cio, afirmou que a discuss√£o teria se dado¬†pelo fato de a PM do DF ter lan√ßado bombas de g√°s lacrimog√™neo e efeito moral depois que os manifestantes j√° estavam controlados no Pal√°cio do Planalto. "Ap√≥s a situa√ß√£o ter sido controlada no interior do Pal√°cio, uma fra√ß√£o da Pol√≠cia Militar do Distrito Federal adentrou √†s instala√ß√Ķes sem coordena√ß√£o pr√©via com o BGP, utilizando granadas de efeito moral e de g√°s lacrimog√™nio. Tal fato deflagrou uma discuss√£o entre o Comandante do BGP e os policiais militares. Posteriormente, a situa√ß√£o foi contornada ap√≥s um integrante do GSI ter informado que, por ordem do Ministro do GSI, a partir daquele momento, a PMDF passaria a realizar as pris√Ķes dos manifestantes que se encontravam no interior do Pal√°cio", afirmou Paulo Jorge em of√≠cio encaminhado √† CPMI.¬†O militar n√£o figurou na lista das pessoas indiciadas pela comiss√£o. A reportagem enviou perguntas ao coronel por meio da assessoria de imprensa do Ex√©rcito, mas ainda n√£o obteve retorno. O espa√ßo segue aberto para respostas. Mat√©ria do Brasil de Fato Foto: Marcelo Camargo/Ag√™ncia Brasil

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TSE restringe uso de Intelig√™ncia Artificial nas elei√ß√Ķes de outubro
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Medida √© para evitar circula√ß√£o de fake news e montagens Por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou nesta ter√ßa-feira (27) uma resolu√ß√£o para regulamentar o uso da intelig√™ncia artificial durante as elei√ß√Ķes municipais de outubro. A norma pro√≠be manipula√ß√Ķes de conte√ļdo falso para criar ou substituir imagem ou voz de candidato com objetivo de prejudicar ou favorecer candidaturas. A restri√ß√£o do uso de chatbots e avatares para intermediar a comunica√ß√£o das campanhas com pessoas reais tamb√©m foi aprovada. O objetivo do TSE √© evitar a circula√ß√£o de montagens de imagens e vozes produzidas por aplicativos de intelig√™ncia artificial para manipular declara√ß√Ķes falsas de candidatos e autoridades envolvidas com a organiza√ß√£o do pleito. Os ministros tamb√©m aprovaram na sess√£o desta noite diversas resolu√ß√Ķes que v√£o balizar o pleito deste ano. Redes sociais Para combater a desinforma√ß√£o durante a campanha, o TSE vai determinar que as redes sociais dever√£o tomar medidas para impedir ou diminuir a circula√ß√£o de fatos inver√≠dicos ou descontextualizados. As plataformas que n√£o retirarem conte√ļdos antidemocr√°ticos e com discurso de √≥dio, como falas racistas, homof√≥bicas ou nazistas, ser√£o responsabilizadas. Armas O TSE voltou a proibir o transporte de armas e muni√ß√Ķes no dia das elei√ß√Ķes municipais de outubro. A restri√ß√£o foi adotada na disputa presidencial em 2022 e ser√° inserida na norma geral do pleito deste ano. Conforme a medida, quem tem porte n√£o poder√° circular nas ruas com armas e muni√ß√Ķes entre as 48 horas que antecedem o dia do primeiro ou segundo turnos e nas 24 horas posteriores. Transporte gratuito Em outra resolu√ß√£o aprovada, o TSE garantiu que os munic√≠pios dever√£o disponibilizar transporte p√ļblico gratuito no dia do primeiro e segundo turnos. Artistas Ap√≥s limita√ß√Ķes da liberdade de express√£o nas elei√ß√Ķes passadas, os ministros decidiram que artistas e influenciadores poder√£o demostrar apoio a candidatos durante suas apresenta√ß√Ķes, desde que as manifesta√ß√Ķes sejam de forma volunt√°ria e gratuita. Fundo de Campanha Sobre o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), os partidos dever√£o informar em suas p√°ginas na internet o valor total recebido dos cofres p√ļblicos e os crit√©rios adotados para distribuir as quantias para os candidatos. Mat√©ria da Ag√™ncia Brasil Imagem em Pixabay


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Genocídio em Gaza

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Genocídio em Gaza
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De LENEIDE DUARTE-PLON*, de Paris Nem as persegui√ß√Ķes nem o sofrimento tornam os indiv√≠duos ou os povos melhores Hannah Arendt "Os judeus de Israel, descendentes das v√≠timas de um apartheid chamado gueto, gueto√≠sam os palestinos. Os judeus que foram humilhados, desprezados, perseguidos, humilham, desprezam e perseguem os palestinos. Os judeus que foram v√≠timas de uma ordem impiedosa imp√Ķem sua ordem aos palestinos‚Ķ O povo eleito age como ra√ßa superior". Esta frase √© do texto¬† Isra√ęl-Palestine : le cancer, do fil√≥sofo Edgar Morin, publicado em 2002 no Le Monde, assinado tamb√©m por dois outros intelectuais, Sami Na√Įr et Dani√®le Sallenave. Institui√ß√Ķes judaicas francesas tentaram condenar o judeu Edgar Morin na Justi√ßa por "antissemitismo", mas Morin foi inocentado, depois de um processo pol√™mico durante o qual recebeu a solidariedade dos mais importantes intelectuais franceses. Este ano, aos 102 anos, Morin fez uma palestra na qual repetiu esta mesma ideia. O povo que foi v√≠tima de Hitler realiza uma "carnificina" (un carnage) dos palestinos em Gaza, disse Edgar Morin. O que se passa em Gaza √© um genoc√≠dio cometido por um povo que descende dos que escaparam ao genoc√≠dio nazista? A resposta √© afirmativa, mesmo que a Corte Internacional de Justi√ßa tenha sido cautelosa: dia 26 de janeiro de 2024 ela recomendou que Israel tome todas as medidas cab√≠veis para "prevenir um genoc√≠dio" na Faixa de Gaza. Isso n√£o impediu que Israel continuasse os bombardeios. Quando, finalmente, as institui√ß√Ķes internacionais e os governos ocidentais v√£o admitir que, sim, um genoc√≠dio est√° em curso em Gaza e a maioria dos governantes do mundo est√° desviando o olhar¬†? Neonazistas Poucos meses antes do 7 de outubro, o historiador israelense Daniel Blatman, especialista do nazismo e do genoc√≠dio dos judeus, em entrevista ao jornalista Ren√© Backmann, do site franc√™s Mediapart, dizia que Israel estava vivendo a pior crise de sua hist√≥ria desde a cria√ß√£o do Estado, em 1948. Depois do inc√™ndio por colonos israelenses, em 26 de fevereiro de 2023, da cidade palestina de Huwara, na Cisjord√Ęnia ocupada ‚Äď como repres√°lia √† morte de dois colonos e depois de v√°rios enfrentamentos e atentados anteriores entre israelenses e palestinos ‚Äď Blatman ousou fazer a compara√ß√£o: os projetos pol√≠ticos do primeiro-ministro Benjamin Netanyahou lembram o fim da Rep√ļblica de Weimar, com a chegada de Hitler ao poder. ‚ÄúSe homens como Bezalel Smotrich (ministro das Finan√ßas) ou Yariv Levi, (ministro da Justi√ßa) dirigissem grupos pol√≠ticos hoje na Fran√ßa, na Alemanha ou em qualquer democracia ocidental, seriam considerados neonazistas.¬†Eles n√£o s√£o de extrema-direita, est√£o muito al√©m. Digo e insisto: s√£o neonazistas‚ÄĚ, enfatiza o historiador do nazismo. Os m√©todos dos neonazistas no poder em Israel para exterminar o povo palestino n√£o s√£o menos terr√≠veis que os de Hitler para exterminar os judeus. No lugar de campos da morte, fechados e protegidos do olhar do mundo, os neonazistas de Israel jogam toneladas de bombas sobre civis desarmados, num territ√≥rio que era designado ‚Äď desde¬†¬†a declara√ß√£o do bloqueio total, decretado por Israel em 2007 ‚Äď como¬†¬†‚Äúa maior pris√£o a c√©u aberto do mundo‚ÄĚ. Os palestinos que escapam das bombas ou de serem soterrados nos escombros dos pr√©dios em Gaza sofrem com a polui√ß√£o do ar deixada por todos os componentes das bombas (algumas proibidas pelas leis internacionais), pela √°gua totalmente polu√≠da, pela falta de alimentos, de rem√©dios e de atendimento m√©dico. Os que n√£o morrem pelas bombas s√£o destinados a uma morte lenta por ferimentos, doen√ßas epid√™micas, fome e sede. Em Gaza, todos os hospitais foram destru√≠dos por Israel, inclusive o Hospital Nasser, que ainda funcionava ao sul, em Khan Youn√®s, bombardeado neste m√™s. Nos ataques a hospitais, mais de 340 m√©dicos e enfermeiros foram mortos e os doentes pereciam por falta de rem√©dios e cuidados. Os nazistas n√£o bombardeavam deliberadamente hospitais. Cento e trinta jornalistas foram assassinados em Gaza. Eles s√£o alvo preferencial das for√ßas militares que atiram sobre todo ser vivente. Como testemunhas oculares dos crimes, os jornalistas tornam-se indesej√°veis por disseminarem imagens e informa√ß√Ķes inc√īmodas, que podem ser utilizadas como provas do genoc√≠dio e de crimes contra a humanidade em tribunais internacionais. Por isso, √© preciso afast√°-los da cena do crime ou cal√°-los para sempre. Todos os dias, vemos manobras dos neonazistas que governam Israel para aniquilar de vez o povo palestino: acusa√ß√£o sem provas de que funcion√°rios da ag√™ncia da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) participaram dos ataques do 7 de outubro e bloqueio no territ√≥rio israelense dos caminh√Ķes de ajuda humanit√°ria com rem√©dios e alimentos. Os caminh√Ķes se enfileiram para tentar passar a fronteira do inferno em que Gaza foi transformada. E cidad√£os israelenses se interp√Ķem para bloquear a passagem da ajuda humanit√°ria internacional. Cumplicidade americana Os Estados Unidos, principal fornecedor de armas a Israel, participam ativamente do massacre do povo palestino. Uma carnificina que mata m√©dicos, jornalistas, bombardeia hospitais, escolas da ONU, destruindo sob bombas edif√≠cios, campos e infra-estrutura de cidades. Por onde passam os avi√Ķes de Israel a despejar toneladas de bombas americanas s√≥ restam ru√≠nas. A extrema-direita que governa Israel n√£o tem mais pudor em declarar que os palestinos t√™m que desaparecer das terras que os israelenses consideram suas usando a B√≠blia como um livro de hist√≥ria e citando Deus como o propriet√°rio anterior que lhes transmitiu a posse da terra. Todos os dias, os ministros de Netanyahou dizem explicitamente que os palestinos devem deixar a "terra prometida". Agora, segundo reportagem do¬†Le Monde, passaram a organizar reuni√Ķes em Jerusal√©m para tratar do futuro de Gaza e da reconstru√ß√£o das antigas col√īnias, transferidas por Ariel Sharon em 2005. Entrevistada pelo site¬†Mediapart, a historiadora e antrop√≥loga americana Ilana Feldman, mostrou-se c√©tica quanto ao p√≥s-guerra : "N√£o penso que a comunidade internacional abandonou seus velhos esquemas de pensar este conflito. Falar de uma ‚Äėsolu√ß√£o a dois Estados‚Äô √© insuficiente pois o governo israelense atual j√° foi claro sobre o fato de que n√£o quer a cria√ß√£o de um Estado Palestino". Antes que a solu√ß√£o pol√≠tica definitiva seja encontrada √© necess√°rio o cessar fogo definitivo para proteger os civis palestinos do genoc√≠dio em curso. *Jornalista internacional. Co-autora, com Clarisse Meireles, de¬†Um homem torturado ‚Äď nos passos de frei Tito de Alencar¬†(Editora Civiliza√ß√£o Brasileira, 2014). Em 2016, pela mesma editora, lan√ßou¬†A tortura como arma de guerra ‚Äď Da Arg√©lia ao Brasil: Como os militares franceses exportaram os¬†esquadr√Ķes da morte e o terrorismo de Estado. Ambos foram finalistas do Pr√™mio Jabuti. O segundo foi tamb√©m finalista do Pr√™mio Biblioteca Nacional. Imagem em Pixabay. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e n√£o necessariamente a posi√ß√£o editorial da RED. Se voc√™ concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para¬†redacaositered@gmail.com¬†. Ele poder√° ser publicado se atender aos crit√©rios de defesa da democracia.

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Ana Galvão РHeroína e esquecida

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Ana Galvão РHeroína e esquecida
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De ADELI SELL* Sabemos que morreu em combate na defesa da Col√īnia de Sacramento, como terra nossa, portuguesa, contra os espanh√≥is. Era 7 de agosto de 1680. Lembre-se que mesmo que naqueles tempos os espanh√≥is tenham dizimado os portugueses, Sacramento voltou a ser terra portuguesa, trocada depois pelas Miss√Ķes com os mesmos espanh√≥is. N√£o se sabe como era ela, onde nasceu, que idade de fato tinha. Era muito jovem. Foi talvez a √ļnica mulher branca a seguir com tropas naqueles tempos. Casara com um jovem oficial, Manuel Galv√£o, que deveria seguir o governador da costa brasileira at√© a boca de Buenos Aires. Seu corpo, estra√ßalhado por baionetas ou espadas, foi colocado num manto e desceu √† sua morada final, com respeito de todos por sua bravura. Salvaram-se, pelo que consta, apenas 12 portugueses, aprisionados e levados a Buenos Aires, entre eles o doente acamado governador. A ela pela bravura e combate foi dada a escolha da entrega e do perd√£o, por√©m lutou at√© o √ļltimo suspiro, muito talvez para vingar a alma do marido morto, outro valente, segundo os relatos. Os textos sobre ela, sobre este epis√≥dio, s√£o poucos, imprecisos. H√° um interessante livro de Roberto Rossi Jung, Joana Galv√£o, pela Martins Livreiro-editor, de 2006. Recomendo. *Professor, escritor, bacharel em Direito, vereador em Porto Alegre. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e n√£o necessariamente a posi√ß√£o editorial da RED. Se voc√™ concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para¬†redacaositered@gmail.com¬†. Ele poder√° ser publicado se atender aos crit√©rios de defesa da democracia.

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Ela se chama Rodolfo – rastros de vias-cr√ļcis

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Ela se chama Rodolfo – rastros de vias-cr√ļcis
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De C√ĀTIA CASTILHO SIMON* ‚ÄúQuantos Murilos j√° ter√£o morrido ¬†desde que Murilo nasceu?‚ÄĚ Julia Dantas Ela se chama Rodolfo √© o segundo romance de Julia Dantas. Com ele, a escritora conquistou dois pr√™mios no RS, o melhor romance ‚Äď livro do ano AGES/2023 e o Alcides Maya, da Academia Rio-Grandense de Letras. Ru√≠na y leveza, primeira narrativa longa, foi finalista do Pr√™mio S√£o Paulo, em 2016, quando tinha 31 anos de idade. A partir dessas considera√ß√Ķes √© correto supor que estamos lidando com uma romancista experiente e que sabe a que veio, mesmo antes de iniciar a leitura de seus livros.¬† Carola Saavedra apresenta o livro chamando a aten√ß√£o para a frase que lhe d√° in√≠cio ‚Äď ‚ÄúEra uma vez homem‚ÄĚ, dizendo que talvez esse seja o fio que o alinhava. Pouco a pouco desvela-se um processo que nos desafia a seguir em frente e, qual o canto de sereia, nos atrai para √°guas profundas. N√£o h√° retorno poss√≠vel. Moema Vilela, na contracapa do livro, nos fala da maestria de Julia em compor personagens e criar cenas perfeitas. Personagens de um cotidiano simples, que podem muito bem vizinhar conosco. A poss√≠vel extin√ß√£o das portarias com a presen√ßa f√≠sica dos porteiros √© um projeto em ampla difus√£o. Inclusive, vivo essa experi√™ncia sob protesto. Pr√©dios substituem, na velocidade da luz, os porteiros pela portaria virtual. Pensam que est√£o economizando e aumentando a seguran√ßa, quando na verdade praticam o velho conceito de descarte do humano pela tecnologia. Ainda bem que eles ainda existem e Julia soube trazer um universo interior rico e veross√≠mil, capaz de derrubar preconceitos quanto a capacidade humana das pessoas simples. Mas vamos ao livro. Murilo consegue alugar um apartamento diretamente com a propriet√°ria Francesca, sem conhec√™-la. Ao chegar no apartamento teve de fazer malabarismos para que a chave funcionasse. O incidente vai construindo uma expectativa que leva o leitor a pensar que o rapaz havia sido enganado. O pr√≥prio personagem cogita ter sido passado para tr√°s. Salvo pela vizinha da porta ao lado, consegue adentrar na nova casa. Nela, encontra uma tartaruga e logo descobre ser macho e que se chama Rodolfo. Al√©m de Murilo, Gabbriela, sua namorada que o abandonou para buscar experi√™ncias m√≠sticas, sua irm√£ L√≠dia, Rodolfo, Francesca e Camilo comp√Ķem a trama novelesca. Uma via-cr√ļcis se imp√Ķe para Murilo que n√£o quer ter sob sua responsabilidade o bicho de estima√ß√£o da antiga moradora. Atrav√©s de e-mails trocados, Francesca o orienta a buscar poss√≠veis lugares e pessoas para cuidarem de Rodolfo. Atrav√©s dessa intensa correspond√™ncia virtual inicia uma amizade entre eles. Suas conversas v√£o al√©m da quest√£o objetiva de encontrar um lar para a tartaruga, quest√Ķes filos√≥ficas e existenciais se desdobram. Murilo tem um prazo para alcan√ßar seu objetivo, o de encontrar novos cuidadores para Rodolfo. Ele entrar√° em f√©rias e ir√° ao encontro de Gabbriela para traz√™-la de volta. H√° muitos desdobramentos nessa miss√£o e transforma√ß√Ķes irrevers√≠veis na vida de Murilo e de todas as personagens. A via-cr√ļcis para encontrar um protetor para Rodolfo em tempo h√°bil sendo orientado por Francesca atrav√©s de e-mails aprofundam os la√ßos entre eles. Desenreda mortes e vidas que se revezam. Descortina outras vias-cr√ļcis. Desfaz-se o homem das in√ļmeras camadas constru√≠das em sua forma√ß√£o. Um livro com grandes surpresas e revela√ß√Ķes; coloca em xeque m√°scaras e armaduras, flagrando calcanhares de Aquiles √≠ntimos e sociais. *Doutora em estudos de literatura brasileira, portuguesa e luso-africanas; Escritora e poeta. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e n√£o necessariamente a posi√ß√£o editorial da RED. Se voc√™ concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para¬†redacaositered@gmail.com. Ele poder√° ser publicado se atender aos crit√©rios de defesa da democracia.¬†

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Isocracia – A sociedade democr√°tica do Poder Popular

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Isocracia – A sociedade democr√°tica do Poder Popular
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De LINCOLN PENNA* O voc√°bulo isegoria significa igualdade absoluta. Serve para definir direitos de toda esp√©cie. De origem grega ela deriva de uma necessidade, a de dar conte√ļdo √†s v√°rias descri√ß√Ķes e maneiras de se fazer alus√£o √† democracia. O mesmo ocorre em nossos dias, quando as in√ļmeras adjetiva√ß√Ķes, tais como democracia representativa, social, liberal, e tantas outras acabam por reduzir a democracia a um papel que retira o seu aspecto mais importante, qual seja, o do protagonismo do povo na dire√ß√£o das decis√Ķes que devem ser de seu interesse. Dela surgiu o termo isocracia ou o poder desse povo de fazer valer sua vontade coletiva, que nos tempos em que era poss√≠vel reunir o povo para deliberar nem sempre tal expediente era poss√≠vel. Hoje muito menos ainda, mas h√° como pensar nessa democracia direta. Alguns exemplos t√™m se multiplicado, embora sejam ainda bem isolados. A constru√ß√£o de uma sociedade isocr√°tica, ou seja, de uma comunidade social em que a totalidade de seus indiv√≠duos desfrute direitos efetivamente iguais, tenha acesso aos meios de decis√£o, e na qual a exclus√£o social inexista, talvez leve muito tempo. N√£o se encontra em nosso horizonte pr√≥ximo. Mas, n√£o √© um devaneio nesses tempos de eventos extremos no instante em que s√≥ se pensa nos piores cen√°rios para a nossa casa, a Terra. Tampouco configura uma utopia cl√°ssica, aquela do n√£o-vir-a-ser. Ao contr√°rio, estamos a assistir os primeiros resultados dos escombros do velho modo de vida, embora a gesta√ß√£o do novo n√£o aconte√ßa por completo sen√£o daqui a algumas gera√ß√Ķes. Os primeiros sintomas dessa nova ordem que deve vir √† tona pela via da solidariedade entre os seres humanos, come√ßam a dar seus sinais nas comunidades mais desassistidas das v√°rias forma√ß√Ķes econ√īmicas e sociais, sobretudo naquelas que se encontram no hemisf√©rio Sul e que padecem da pobreza cr√īnica quando n√£o de condi√ß√Ķes de miserabilidade. Esse movimento de comunh√£o de verdadeiros cidad√£os, n√£o obstante n√£o terem sua condi√ß√£o de cidadania plena em raz√£o dos descasos dos poderes p√ļblicos exercidos por grupos econ√īmicos e pol√≠ticos das t√£o decantadas democracias representativas, que n√£o as representam, exibem a for√ßa crescente movida ainda exclusivamente pela indigna√ß√£o. H√° os que procuram no passado encontrar similitudes para que elas possam nortear os movimentos sociais e pol√≠ticos a se baterem contra o poder que independentemente de suas representa√ß√Ķes partid√°rias acabam refor√ßando o estigma e as mesmas pol√≠ticas ineficazes quanto √† emancipa√ß√£o de in√ļmeros contingentes sociais √† margem dos direitos b√°sicos indispens√°veis √† vida. Os valores, as necessidades e as pr√°ticas sociais em geral s√£o de outra natureza porque decorrem de novas e diversas conjunturas pol√≠ticas ainda que fundadas em forma√ß√Ķes culturais sedimentadas faz tempo, raz√£o pela qual este aspecto n√£o pode ser desprezado. Assim, todas as teorias da hist√≥ria e as suas chaves explicativas em rela√ß√£o aos fatos e fatores que movem as sociedades humanas est√£o devidamente contextualizadas, dentre elas o marxismo, do qual eu e muitos historiadores e estudiosos de diferentes ramos do conhecimento lan√ßam m√£o em suas an√°lises. Conhecer o universo no qual foram produzidas essas leituras do mundo √© de fundamental import√Ęncia para que saibamos entender a necessidade de atualizar essas interpreta√ß√Ķes e n√£o as tomar como ortodoxias a serem empregadas mecanicamente em realidades t√£o distintas. E quando cito o marxismo √© para demonstrar que embora tenha surgido na contram√£o dos sistemas pol√≠ticos vigentes, no exame do modo de produ√ß√£o capitalista, seus autores, Marx e Engels, n√£o escaparam totalmente dessas culturas pol√≠ticas muitas das quais de car√°ter autorit√°rias, a despeito da moderniza√ß√£o em que se encontrava o mundo. A ideia de um poder centralizado a cargo de uma classe oriunda do mundo do trabalho, a classe oper√°ria, mesmo tendo a miss√£o hist√≥rica de p√īr fim a exist√™ncia das classes de modo a preparar o caminho para o advento de uma sociedade sem classes, nos argumentos do racioc√≠nio dos autores do materialismo hist√≥rico se encontrava a ideia do exerc√≠cio do poder destinado a fazer com que todos tivessem acesso aos bens produzidos socialmente. √Č evidente que a ditadura do proletariado seria na concep√ß√£o de Marx e Engels uma etapa de um processo findo o qual e suprimido o modo de vida ent√£o existente sob o poder das burguesias se iniciaria uma outra etapa. Esta se encarregaria de construir um modo no qual a produ√ß√£o seria comunit√°ria e na qual a propriedade voltaria como nos tempos bem anteriores ao surgimento das sociedades de classes, a pertencer a todos. A volta √† propriedade comunit√°ria regida pelas necessidades que se fizessem presentes, num interc√Ęmbio de produtos e ideias partilhadas em comum daria nascimento √† verdadeira hist√≥ria da humanidade superando a sua pr√©-hist√≥ria. Nos nossos tempos e com o surgimento de uma tecnologia que coloca cada ser humano em imediato contato com os seus semelhantes n√£o importam as dist√Ęncias, gra√ßas aos meios eletr√īnicos, tecnologia essa que deriva do avan√ßo de uma revolu√ß√£o cient√≠fica das mais velozes dos √ļltimos tempos, a perspectiva de um modo de vida mais equ√Ęnime longe de ter ficado mais distante tem favorecido as comunica√ß√Ķes e uma intensa circula√ß√£o de ideias e desejos. √Č nesse novo e assombros tempos da intelig√™ncia artificial que precisamos nos inteirar para dar impulso √† necessidade maior, que consiste na integra√ß√£o de mudan√ßas sociais que favore√ßam os marginalizados articulada √† luta pela preserva√ß√£o do meio-ambiente, dado que a quest√£o ambiental √© hoje em dia t√£o importante quanto a revolu√ß√£o social cada vez mais necess√°ria. Permanece, n√£o obstante, a quest√£o central diante desse desafio de fazer unir o social e o ambiental em um s√≥ processo de modo a eliminar o mal que o modo de produ√ß√£o capitalista tem produzido na humanidade. A quest√£o prevalecente √© a contradi√ß√£o entre capital e trabalho. Por isso, no que diz respeito √† revolu√ß√£o social ela precisa contemplar a emancipa√ß√£o do trabalho sem o que n√£o poderemos conjugar essa unidade do social com o ambiental. A raz√£o dessa impossibilidade √© que n√£o bastam reformas que mantenham o dom√≠nio do grande capital, respons√°vel pela destrui√ß√£o das condi√ß√Ķes preservacionistas a afetarem a natureza. Logo, ou nos voltemos para essa dupla tarefa hist√≥rica ou nenhuma delas isoladamente ser√° poss√≠vel realizar. Pelo menos amplamente. Afinal, uma revolu√ß√£o social tal como Marx pontuou em sua obra implica na supera√ß√£o das lutas de classes. Mant√™-las no esfor√ßo de debelar o aquecimento global, por exemplo, s√≥ √© assim considerado pelos que entendem que o antropoceno aliado ao capitoloceno, n√£o s√£o os fatores respons√°veis pelas muta√ß√Ķes atmosf√©ricas. √Č coisa da natureza, dizem. Na verdade, o modo pelo qual o ser humano age na destrui√ß√£o da natureza (antropoceno) em busca de vantagens imediatas √© extremamente nocivo ao bem-estar humano, Da mesma forma que o capitalismo e sua l√≥gica destrutiva (capitoloceno) opera na obsessiva corrida continuada da mais-valia ampliada. A continuar assim a humanidade n√£o poder√° garantir futuro para as pr√≥ximas gera√ß√Ķes. A tomada de consci√™ncia torna-se um fator indispens√°vel para que ela venha a ser socializada de maneira a permitir a multiplica√ß√£o de comunidades em condi√ß√Ķes de se organizar em seus redutos e ser capaz de mobilizar na certeza de que √© dever de cidadania crer na possibilidade de mudar o mundo enquanto √© tempo. *Doutor em Hist√≥ria Social; Conferencista Honor√°rio do Real Gabinete Portugu√™s de Leitura; Professor Aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Presidente do Movimento em Defesa da Economia Nacional (MODECON); Vice-presidente do IBEP (Instituto Brasileiro de Estudos Pol√≠ticos). Imagem em Pixabay. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e n√£o necessariamente a posi√ß√£o editorial da RED. Se voc√™ concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para¬†redacaositered@gmail.com¬†. Ele poder√° ser publicado se atender aos crit√©rios de defesa da democracia.

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Os desafios da esquerda

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Os desafios da esquerda
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De PAULO NOGUEIRA BATISTA JR* Decifra-me ou te devoro ¬† Esfinge de Tebas Em v√°rios pa√≠ses do Ocidente e do Sul Global, inclusive no Brasil, a esquerda se defronta nas d√©cadas recentes com desafios talvez sem precedentes ‚Äď e n√£o est√° se saindo bem, de uma forma geral. Com o passar do tempo, os desafios se avolumam e esquerda se debate sem sucesso contra eles. O Brasil, com Lula, at√© constitui uma exce√ß√£o, mas apenas parcial. Estou me referindo, na verdade, √† centro-esquerda, √† esquerda moderada. A extrema esquerda n√£o desempenha papel relevante. Em contraste, no campo da direita, os extremistas, apesar de alguns reveses importantes (notadamente as derrotas eleitorais de Trump e Bolsonaro), continuam fortes, amea√ßando os partidos tradicionais de centro-direita e centro-esquerda.¬† O pano de fundo desses movimentos pol√≠ticos √© a crise da globaliza√ß√£o neoliberal, iniciada ou agravada com o quase-colapso dos sistemas financeiros dos EUA e da Europa em 2008-2009. Essa crise financeira trouxe √† tona um mal-estar generalizado da popula√ß√£o dos pa√≠ses desenvolvidos com a economia e o sistema pol√≠tico. Os bancos privados foram socorridos com grande mobiliza√ß√£o de recursos p√ļblicos enquanto a popula√ß√£o endividada foi basicamente deixada √† pr√≥pria sorte. Cresceu o ressentimento, alimentando a elei√ß√£o de Trump em 2016 e de outros pol√≠ticos do mesmo naipe na Europa.¬† Esse mal-estar com a globaliza√ß√£o √© mais antigo e mais amplo do que a crise financeira de 2008. O que aconteceu nos √ļltimos 30 ou 40 anos nos EUA e na Europa foi uma dissocia√ß√£o crescente entre as elites e o resto da popula√ß√£o. A renda e a riqueza se concentraram nas m√£os de poucos, os ricos ficaram mais ricos, ao passo que o grosso da popula√ß√£o viu a sua renda estagnar ou retroceder. A confian√ßa no sistema pol√≠tico desabou. Espalhou-se a percep√ß√£o de que n√£o h√° democracia, mas plutocracia ‚Äď o governo dos endinheirados. Pior: ficou patente que o que prevalece √© uma caquistocracia ‚Äď o governo dos piores. A baixa qualidade da maioria dos l√≠deres pol√≠ticos ocidentais est√° a√≠, √† vista de todos.¬† Esse decl√≠nio das lideran√ßas do Ocidente reflete algo maior: o decl√≠nio do establishment dessas na√ß√Ķes, crescentemente dominado pelo rentismo e pelo capitalismo predat√≥rio. Especula√ß√£o financeira, privatiza√ß√Ķes destrutivas, fus√Ķes e aquisi√ß√Ķes, manobras de mercado de todo tipo substituem a produ√ß√£o e a gera√ß√£o de empregos de qualidade. A decad√™ncia parece bem evidente. Vers√Ķes anteriores do establishment dos EUA teriam permitido que o eleitorado ficasse reduzido a escolher em 2024, como tudo indica, entre um presidente senil e um buf√£o irrespons√°vel?¬† N√£o por acaso, a China, que nunca seguiu o modelo neoliberal, tornou-se ‚Äúa f√°brica do mundo‚ÄĚ √†s expensas das ind√ļstrias do Ocidente. O Brasil, infelizmente, tamb√©m caiu na armadilha da globaliza√ß√£o e ainda n√£o conseguimos dela escapar. Era inteiramente previs√≠vel. As elites locais, em geral servis e med√≠ocres, mimetizam as elites estado-unidenses, trazendo para c√° o que h√° de pior. No plano pol√≠tico-partid√°rio, quem foi prejudicado e quem foi beneficiado pela crise da globaliza√ß√£o neoliberal? Entre os prejudicados se destacam, merecidamente, os partidos tradicionais de direita, identificados com a defesa do modelo concentrador. Note-se, entretanto, que o preju√≠zo recai n√£o s√≥ sobre eles, como tamb√©m sobre os da esquerda moderada ‚Äď a social-democracia, os socialistas e outros semelhantes. Previs√≠vel: afinal, a centro-esquerda foi s√≥cia das pol√≠ticas econ√īmicas excludentes. Em muitos pa√≠ses, governou em coaliz√Ķes com a direita tradicional. Quando chegou ao poder como for√ßa hegem√īnica, pouco ou nada fez para mudar o rumo da economia e da sociedade. Assim, passaram a ser vistos, junto com a centro-direita, como parte de um mesmo ‚Äúsistema‚ÄĚ. Contra esse ‚Äúsistema‚ÄĚ, a extrema-direita se insurge, mesmo que muitas vezes apenas da boca para fora. Comandada por l√≠deres carism√°ticos e espalhafatosos, como Trump, Bolsonaro e Milei, conseguiu vencer diversas elei√ß√Ķes importantes. Despreparada e primitiva, contudo, a extrema-direita n√£o governa de modo eficaz e promove mais confus√£o do que reformas. Mant√©m ou aprofunda a orienta√ß√£o conservadora em economia, disfar√ßando essa concess√£o com atitudes extremadas na pauta de costumes. N√£o passou no teste de fogo da pandemia da Covid-19, o que contribuiu de modo importante, como se sabe, para a n√£o-reelei√ß√£o de Trump e Bolsonaro. Recuperou-se, contudo, dessas derrotas, como se nota pela vit√≥ria de Mile, o prest√≠gio de Trump e Bolsonaro, sobretudo do primeiro, e a ascens√£o de radicais de direita em alguns pa√≠ses da Europa. O que aconteceu com a centro-esquerda em outros pa√≠ses, talvez seja relevante para o governo Lula e os partidos que o apoiam. Parece intrigante, √† primeira vista, que a centro-esquerda dos pa√≠ses desenvolvidos n√£o tenha conseguido capitalizar para si a crise da globaliza√ß√£o. Parte da explica√ß√£o j√° foi mencionada acima: o condom√≠nio de poder formado com a direita tradicional. Mas vamos tentar aprofundar a quest√£o um pouco mais. O fato √© que a centro-esquerda tamb√©m se tornou tradicional e elitista, acomodou-se, perdeu contato com a popula√ß√£o e mostra n√£o compreender os seus problemas reais.¬† Corre o risco de definhar por n√£o entender as mudan√ßas em curso. Como na mitologia, a esfinge de Tebas adverte: ‚ÄúDecifra-me ou te devoro‚ÄĚ.¬† Um exemplo de uma estrat√©gia problem√°tica: abra√ßar a agenda identit√°ria, que √© uma agenda liberal, contribui para o isolamento da esquerda. Vamos nos entender: defender as mulheres, os negros, os ind√≠genas, os homossexuais e outros grupos discriminados √© indispens√°vel. Por√©m, essa defesa n√£o pode ser a plataforma central da esquerda. De um modo geral, o identitarismo n√£o conta com a aten√ß√£o ou a simpatia da grande maioria dos trabalhadores e dos setores de menor renda, geralmente √†s voltas com a luta pela sobreviv√™ncia. Os temas econ√īmicos e sociais ‚Äď emprego, renda, injusti√ßa social ‚Äď continuam priorit√°rios para eles. A extrema direita tenta desviar a aten√ß√£o desses temas com discursos religiosos e conservadores. A centro-esquerda acaba esquecendo-os ao focar nos temas identit√°rios. Uma quest√£o crucial na Europa e nos EUA, ainda n√£o presente no Brasil, √© a imigra√ß√£o. A extrema-direita vem se beneficiando amplamente da sua oposi√ß√£o virulenta √† entrada de imigrantes ‚Äď oriundos da √Āfrica e do Oriente M√©dio na Europa; da Am√©rica Latina nos EUA. A centro-esquerda n√£o sabe o que fazer com o tema. As suas tradi√ß√Ķes iluministas e internacionalistas levam-na a rejeitar a resist√™ncia √† imigra√ß√£o. N√£o percebe que ela tem fundamentos reais. A rejei√ß√£o do imigrante n√£o √© apena diversionismo, como muitos imaginam. Os imigrantes trazem problemas significativos, n√£o para as elites por suposto, que vivem √† parte no seu mundo privilegiado, mas para os cidad√£os comuns. A imigra√ß√£o em larga escala afeta o mercado de trabalho, pressionando para baixo os sal√°rios e levando √† substitui√ß√£o de empregados locais por imigrantes. As firmas veem com bons olhos, claro, o barateamento da ‚Äúm√£o-de-obra‚ÄĚ, mas os trabalhadores sentem na pele e sofrem. Note-se que a imigra√ß√£o vem sobrecarregar um mercado de trabalho j√° adverso, em raz√£o dos deslocamentos produzidos pelo r√°pido progresso tecnol√≥gico. Mas a quest√£o n√£o √© s√≥ econ√īmica. A imigra√ß√£o massiva do s√©culo 21 √© muito diferente, por exemplo, da imigra√ß√£o europeia para as Am√©ricas em √©pocas anteriores. O imigrante hoje √© essencialmente diverso das popula√ß√Ķes do pa√≠s hospedeiro, em termos raciais ou √©tnicos, assim como em termos culturais ou religiosos. A sua presen√ßa numerosa amea√ßa descaracterizar as sociedades dos pa√≠ses desenvolvidos, trazendo inseguran√ßa e rea√ß√Ķes xen√≥fobas. Em outras palavras, a quest√£o √© tamb√©m nacional ‚Äď tema com o qual grande parte da esquerda sempre lidou mal. Como reagir√° a centro-esquerda a esses problemas? Continuar√° no rumo atual ou tentar√° se conectar com as novas realidades e as preocupa√ß√Ķes da maioria? Se ela optar por apegar-se √†s suas tradi√ß√Ķes, s√≥ nos resta desejar-lhe boa sorte. *Economista, foi vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, estabelecido pelos BRICS em Xangai, de 2015 a 2017, e diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais dez pa√≠ses em Washington, de 2007 a 2015. Lan√ßou no final de 2019, pela editora LeYa, o livro¬†O Brasil n√£o cabe no quintal de ningu√©m: bastidores da vida de um economista brasileiro no FMI e nos BRICS e outros textos sobre nacionalismo e nosso complexo de vira-lata. A segunda edi√ß√£o, atualizada e ampliada, come√ßou a circular em mar√ßo de 2021. E-mail:¬†paulonbjr@hotmail.com Twitter: @paulonbjr Canal YouTube: youtube.nogueirabatista.com.br Portal: www.nogueirabatista.com.br Uma vers√£o resumida deste artigo foi publicada na revista¬†Carta Capital. Imagem em Pixabay. Os artigos expressam o pensamento de seus autores e n√£o necessariamente a posi√ß√£o editorial da RED. Se voc√™ concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para¬†redacaositered@gmail.com¬†. Ele poder√° ser publicado se atender aos crit√©rios de defesa da democracia.

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