Da Redação*
Alvo de uma operação da Polícia Federal nesta segunda-feira, 14, o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) é uma das principais figuras da articulação política da Assembleia de Deus no Congresso. Ex-presidente da Frente Parlamentar Evangélica e ex-vice-líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara, ele mantém uma relação próxima com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra o parlamentar na terceira fase da Operação Transparência. A investigação apura suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo os investigadores, integrantes do grupo teriam negociado pagamentos elevados com terceiros sob a alegação de que poderiam influenciar decisões em processos que tramitavam em tribunais superiores. A operação desta segunda foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF.
Da bancada evangélica à defesa de Mendonça
Nascido em Ipiaú, na Bahia, Cezinha construiu sua carreira política em São Paulo e está no segundo mandato como deputado federal. Antes disso, exerceu mandato de deputado estadual. Sua principal base religiosa e política está na Assembleia de Deus Ministério de Madureira, comandada pelo bispo Samuel Ferreira.
Em 2021, Cezinha assumiu a presidência da Frente Parlamentar Evangélica. Naquele período, tornou-se também um dos principais defensores da indicação de André Mendonça ao STF. O então presidente Jair Bolsonaro havia prometido indicar para o Supremo um ministro “terrivelmente evangélico”.
Cezinha participou diretamente da mobilização para que o Senado realizasse a sabatina de Mendonça, cuja indicação permaneceu meses parada na Casa. Depois, acompanhou a votação que confirmou o ministro. O deputado já se referiu publicamente a Mendonça como amigo.
Proximidade com Bolsonaro
Ao mesmo tempo, Cezinha fortaleceu os vínculos com Jair Bolsonaro. Em 2021, percorreu na garupa da motocicleta do então presidente parte da motociata “Acelera para Cristo”, realizada em São Paulo. No ano seguinte, tornou-se vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara.
A aproximação política continuou nos anos seguintes. Eleito para seus dois mandatos pelo PSD, Cezinha deixou a legenda de Gilberto Kassab e ingressou no PL, partido de Jair e Flávio Bolsonaro.
Ligação reapareceu no caso Master
A proximidade entre Cezinha e André Mendonça ganhou nova importância com as investigações relacionadas ao Banco Master. O deputado participou da articulação de um encontro entre Mendonça e Daniel Vorcaro, então controlador do banco, realizado em março de 2025, em São Paulo.
Mensagens obtidas pelos investigadores mostram Cezinha tratando diretamente da reunião. O encontro ocorreu no Instituto ITER, fundado por Mendonça. O ministro confirmou que recebeu Vorcaro, mas afirmou que apenas ouviu o empresário e que a conversa tratou de uma disputa envolvendo créditos de precatórios que estava no STF.
Posteriormente, Mendonça assumiu a relatoria das investigações do caso Master no Supremo, após a saída de Dias Toffoli do processo. Cezinha, por sua vez, negou ter praticado qualquer ilegalidade na aproximação. Segundo o deputado, quando ocorreu a reunião não havia informação pública sobre investigação ou irregularidade envolvendo o empresário.
Agora, porém, o parlamentar passa à condição de alvo direto de uma investigação da PF que procura esclarecer se integrantes do grupo sob apuração usaram influência política e acesso a autoridades para negociar vantagens em processos judiciais.
* Redator: Solon Saldanha
Foto: Cezinha na garupa de Bolsonaro. Crédito: reprodução O Globo

