Novas pesquisas confirmam Agregado da RED e acendem alerta no primeiro turno

Datafolha e Futura confirmam Lula à frente no primeiro turno e empate com Flávio no segundo, mas a reviravolta no STF e o caso Dark Horse podem mudar novamente a direção da disputa.
Publicado em 12 de setembro de 2026 às 9:00
Editado em 12 de setembro de 2026 às 1:30
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Datafolha e Futura reforçam o quadro de eleição aberta identificado pelo Agregado da RED. Lula continua à frente no primeiro turno, mas Flávio Bolsonaro encurta a distância e os dois permanecem virtualmente empatados no segundo. A reviravolta no STF e a exposição do caso Dark Horse, porém, ocorreram depois da coleta e podem alterar novamente a disputa

Da Redação

As duas pesquisas nacionais divulgadas na sexta-feira, 11 de setembro, reforçam o sinal captado pelo Agregado de Pesquisas da RED publicado na quinta-feira, dia 10: Luiz Inácio Lula da Silva continua à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, mas uma eventual decisão entre os dois está completamente aberta.

O Datafolha traz Lula com 39% e Flávio com 35%. Na rodada anterior, eram 38% a 33%. Lula oscilou um ponto para cima e Flávio, dois. A diferença caiu de cinco para quatro pontos.

No segundo turno, nada mudou: Lula 46% × Flávio 44%, os mesmos números da rodada anterior. Considerada a margem de erro de dois pontos percentuais, é empate técnico.

A Futura/100% Cidades aponta na mesma direção: Lula 39,2% × Flávio 33,6% no primeiro turno e Flávio 45,4% × Lula 45% no segundo.

As novas pesquisas não produzem, portanto, outra virada. Confirmam a mudança registrada pelo Agregado da RED: Lula ainda lidera a primeira votação, mas perdeu a vantagem que possuía sobre Flávio no segundo turno.

Flávio encurta a distância

A principal novidade do Datafolha está no primeiro turno.

Lula passou de 38% para 39%, enquanto Flávio avançou de 33% para 35%. Augusto Cury aparece com 6%, Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 2%.

O avanço de Flávio está dentro da margem de erro e, isoladamente, não caracterizaria uma tendência. Mas se soma ao movimento captado por outros levantamentos já incorporados ao Agregado da RED.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados aos entrevistados, Lula passou de 31% para 33% e Flávio, de 22% para 25%.

O presidente continua à frente, mas o adversário se aproxima.

Segundo turno continua travado

No segundo turno, a convergência é ainda mais clara.

O Datafolha registra Lula 46% × Flávio 44%. A Futura encontra Flávio 45,4% × Lula 45%.

Somados aos levantamentos anteriores analisados pelo Agregado da RED, os resultados sustentam a mesma conclusão: nenhum dos dois possui atualmente vantagem segura numa eventual decisão presidencial.

A rejeição ajuda a explicar o equilíbrio. No Datafolha, Lula e Flávio estão empatados em 46% entre os eleitores que dizem não votar neles de jeito nenhum. Na Futura, são 45,8% para Lula e 45,7% para Flávio.

A eleição vai se estruturando entre dois candidatos com bases numerosas, mas também com resistências muito elevadas.

O Agregado confirma: a eleição está aberta

O primeiro Agregado da RED estimava Lula com aproximadamente 65% de probabilidade de vitória, diante de 35% de Flávio, a partir de uma vantagem média de cerca de 1,5 ponto percentual.

A atualização de 10 de setembro mostrou que os levantamentos mais recentes haviam eliminado essa vantagem. Datafolha e Futura reforçam essa conclusão.

Também seria enganoso substituir os antigos 65% por algo como 51% a 49%. Com diferenças tão pequenas e institutos alternando vantagens entre os candidatos, transformar décimos de ponto em probabilidades exatas produziria uma precisão que os dados não comportam.

A eleição está aberta.

Lula permanece em melhor posição no primeiro turno, mas a possibilidade de vitória sem segunda votação continua remota.

Só que o tabuleiro já mudou

Há uma ressalva fundamental: Datafolha e Futura medem um ambiente político anterior às reviravoltas de sexta-feira no STF e no caso Banco Master.

O Datafolha ouviu 2.002 eleitores entre 8 e 10 de setembro. A Futura entrevistou 2 mil entre 4 e 10. Quando os novos acontecimentos chegaram ao centro do debate público, os dois trabalhos de campo já estavam encerrados.

A crise no Supremo vinha colocando Alexandre de Moraes sob intenso desgaste e alimentando o discurso de Flávio Bolsonaro contra o “sistema”. Na sexta-feira, porém, o conflito mudou de direção.

Depois da abertura parcial de procedimentos relacionados ao Banco Master por André Mendonça, Moraes acusou o ministro de fazer uma divulgação seletiva. A Procuradoria-Geral da República pediu maior abertura e Edson Fachin determinou o levantamento dos sigilos, preservadas apenas diligências que dependessem de confidencialidade. Mendonça contestou a acusação e informou posteriormente ter cumprido a determinação.

O resultado político imediato foi recolocar sob os holofotes Banco Master, Daniel Vorcaro e o financiamento de Dark Horse.

Dark Horse coloca Flávio no centro do caso

Os documentos tornados públicos confirmaram que Flávio Bolsonaro é investigado pela Polícia Federal desde julho por suspeitas relacionadas ao financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.

A apuração procura esclarecer as negociações envolvendo Daniel Vorcaro, a origem e o destino dos recursos e possíveis crimes relacionados às operações.

Flávio nega irregularidades. Estar sob investigação não significa ser culpado e qualquer responsabilidade terá de ser demonstrada com provas.

Politicamente, porém, houve uma mudança importante.

Flávio vinha explorando a crise do STF apresentando-se como adversário do “sistema”. Agora, o próprio candidato aparece como investigado numa das ramificações do caso que desencadeou a crise.

E a investigação foi autorizada em julho pelo próprio André Mendonça, a pedido da Polícia Federal.

Flávio cresceu ou chegou ao seu pico?

É aqui que os números divulgados na sexta-feira precisam ser lidos com cautela.

Eles mostram Flávio se aproximando de Lula durante um período particularmente favorável à narrativa bolsonarista. A crise do STF colocou Moraes sob ataque e ofereceu à candidatura de oposição um poderoso discurso contra as instituições.

Mesmo assim, Lula não desabou. No Datafolha, passou de 38% para 39% no primeiro turno e manteve 46% no segundo.

O movimento foi principalmente de crescimento de Flávio, e não de perda abrupta da base de Lula.

Isso permite formular uma hipótese que as próximas pesquisas poderão testar: Flávio continuará avançando ou os levantamentos desta semana captaram seu ponto mais favorável antes da mudança do ambiente político?

A hipótese de recuperação de Lula

Se parte do crescimento de Flávio decorreu da conjuntura produzida pela crise do STF, a reviravolta envolvendo Banco Master, Daniel Vorcaro e Dark Horse pode interromper esse movimento.

Isso não significa que Lula já esteja se recuperando. Ainda não existe pesquisa realizada depois desses acontecimentos capaz de demonstrá-lo.

Mas uma recuperação é plausível.

Numa disputa em torno de 45% ou 46% para cada candidato, Lula não precisa conquistar grandes parcelas do eleitorado adversário. A interrupção do crescimento de Flávio, combinada com pequenos movimentos entre indecisos, eleitores de candidatos menores e maior mobilização da própria base, pode novamente abrir diferença.

Lula também conserva uma base eleitoral relativamente estável. Por outro lado, os atuais índices de avaliação do governo não permitem falar numa onda favorável ao presidente. Uma recuperação dependerá do desempenho do governo, da campanha e, agora, também dos efeitos políticos da crise institucional.

As próximas pesquisas permitirão distinguir as duas hipóteses.

Se Lula preservar ou ampliar seus percentuais enquanto Flávio estagna ou recua, haverá um primeiro sinal de reversão. Se Flávio continuar avançando mesmo depois da mudança do ambiente, seu crescimento terá demonstrado ser mais estrutural do que conjuntural.

A próxima fotografia

As pesquisas divulgadas na sexta-feira deixam, assim, uma confirmação e dois alertas.

A confirmação: Lula e Flávio estão virtualmente empatados no segundo turno.

O alerta para Lula: Flávio reduziu também a distância no primeiro.

O alerta para Flávio: seu crescimento foi medido antes de Banco Master, Daniel Vorcaro e Dark Horse voltarem ao centro do noticiário, agora com o próprio candidato sob investigação.

A próxima rodada terá, portanto, importância especial.

Ela começará a responder à pergunta que passa a orientar o Agregado da RED:

Flávio Bolsonaro continuará crescendo ou as pesquisas desta semana registraram seu pico antes da reviravolta política?

A resposta permitirá testar também a hipótese inversa: se Lula começa a recuperar a vantagem perdida.

Nota metodológica

O Agregado de Pesquisas da RED baseia-se em metodologia inspirada nos modelos de agregação de pesquisas desenvolvidos por FiveThirtyEight e The Economist, adaptada às características do sistema eleitoral e do mercado de pesquisas brasileiro. Em vez de simplesmente calcular a média dos levantamentos publicados, o modelo atribui pesos diferentes às pesquisas.

São consideradas apenas pesquisas nacionais registradas no TSE. A ponderação leva em conta recência, tamanho da amostra, margem de erro e metodologia de coleta. A recência utiliza decaimento temporal, com meia-vida de 21 dias, fazendo com que pesquisas mais novas tenham progressivamente maior influência no resultado.

Para impedir que a publicação de vários levantamentos por uma mesma empresa domine artificialmente o agregado, o peso acumulado de um instituto é limitado a 1,5 vez o peso de sua pesquisa individual mais relevante. Pesquisas do mesmo instituto também são tratadas como observações correlacionadas, e não como medições inteiramente independentes.

Nesta fase do modelo, não é aplicada correção específica de “efeito casa” (house effect), isto é, de eventuais diferenças sistemáticas entre os resultados produzidos pelos diversos institutos.

O Agregado da RED não pretende prever com exatidão o resultado da eleição. Seu objetivo é reduzir o ruído das pesquisas isoladas e identificar a tendência predominante do conjunto dos levantamentos, inclusive a direção e a intensidade das mudanças ao longo do tempo.

Nesta atualização, o corte dos dados é 11 de setembro de 2026.


Ilustração da capa: Lula e Flávio Bolsonaro disputam uma eleição cada vez mais apertada, enquanto Banco Master, Daniel Vorcaro e Dark Horse introduzem uma nova variável capaz de alterar o cenário eleitoral. Crédito: Ilustração produzida por inteligência artificial para a Rede Estação Democracia.

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