Da Redação*
Uma das empresas citadas pela Polícia Federal na investigação sobre a possível triangulação de recursos públicos até a produtora do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, está registrada em um endereço onde funciona uma loja de vestidos de noiva e roupas para festas, em Guarulhos, na Grande São Paulo.
Trata-se do Instituto Super Poder Educacional. Segundo cadastros da Receita Federal e da Junta Comercial paulista, a empresa existe desde 2023 e declara atividades como treinamento profissional, edição de livros e comércio atacadista de material de escritório. No endereço informado, porém, um atendente da loja afirmou à imprensa que o estabelecimento funciona ali há pelo menos três anos e meio e não possui ligação com a empresa investigada.
Caminho do dinheiro
A investigação ganhou novo impulso após operação da PF autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (10). Os investigadores apuram se recursos públicos federais e municipais acabaram chegando à Go Up Entertainment, produtora responsável por Dark Horse.
No caso federal, o deputado Mario Frias (PL-SP) destinou R$ 1 milhão em emendas para ações de letramento digital e empreendedorismo. Os recursos foram repassados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à empresária Karina Ferreira Gama, também dona da Go Up.
Segundo a investigação, o ICB subcontratou a Dinâmica Editora e Distribuidora e o Instituto Super Poder Educacional. Juntas, as duas empresas receberam R$ 700 mil entre fevereiro e março de 2025. A PF sustenta que posteriormente recursos teriam passado pela NTT Brasil, pertencente a Heric Fabiano Dias, irmão de Pamella Cristina Dias, sócia da Super Poder.
Entre novembro e dezembro de 2025, a NTT transferiu R$ 750 mil à Go Up, justamente durante o período de filmagens de Dark Horse. A polícia investiga agora se esse dinheiro corresponde aos valores anteriormente repassados às empresas contratadas pelo ICB.
Emendas e produtora na mira da PF
A decisão de Dino também menciona transferências de R$ 645 mil feitas pelo próprio Mario Frias à produtora. Para os investigadores, os pagamentos levantam dúvidas sobre a origem dos recursos diante da renda declarada pelo parlamentar.
Além disso, o ICB recebeu R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para a oferta de pontos de wi-fi em bairros periféricos. A PF apura, portanto, diferentes caminhos de recursos públicos e sua eventual conexão com o financiamento do filme.
Karina Gama negou irregularidades, enquanto Frias classificou a operação como “cortina de fumaça”.
Dark Horse retrata o atentado sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018. As investigações sobre seu financiamento também ganharam repercussão depois da divulgação de áudios nos quais Flávio Bolsonaro aparece solicitando recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, supostamente para a produção da obra.
* Redator: Solon Saldanha
Ilustração: Karina Gama e Mário Frias, em fotomontagem. Crédito: RED, com IA

