Se a briga entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça fosse uma daquelas clássicas cenas de duelo de filmes de faroeste, eles acabariam por produzir uma situação inusitada: ambos sairiam da rua empoeirada igualmente alvejados. E se o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, imaginava aí um papel parecido com o de John Wayne no clássico “O Homem que Matou o Facínora”, de John Ford, decidindo o duelo dando um tiro escondido da esquina, ele também conseguiria a proeza de acertar a si mesmo. É o que mostra um relatório da crise do STF feito pelo DSC Lab, que acompanhou a repercussão do caso nas redes sociais entre os dias 31 de agosto e 8 de setembro. O relatório mostra que os três personagens principais dessa história no Supremo, ainda que uns mais e outros menos, saíram do episódio com as reputações comprometidas.
Mais de um bilhão de visualizações

Ou seja, as redes sociais refletem o que dissemos na quinta-feira (10) aqui no Correio Político: não é o caso de torcer para algum ministro; a crise é da instituição. Assim, desgasta-se fortemente o Supremo Tribunal Federal. Porque é impressionante como o assunto dominou as redes sociais. Segundo o DSC Lab, o tema obteve 1,5 bilhão de visualizações entre 31 de agosto e 8 de setembro. Foram 76,2 mil publicações nas duas redes. 111 milhões de interações. Figura principal das postagens: Alexandre de Moraes.
Moraes: reputação em nível crítico
O relatório produzido pelo diretor do DSC Lab, Tiago Falqueiro, demonstra que Alexandre de Moraes foi a figura central dessa crise. Ele é o eixo principal de 40,9 mil publicações, que somam 65,8 mil interações e 807 mil visualizações. Ou seja, 63,4% de todo o debate em torno da crise STF/Master. E muito pouco disso teria sido para elogiá-lo pela sua atuação. O DSC Lab faz uma pontuação para medir o nível de reputação. Essa pontuação coloca a reputação de Moraes em “nível crítico”: 84,51 pontos de criticidade e 86,13 pontos de risco.
Mendonça não ficou muito melhor
Opositor de Moraes nesse duelo, André Mendonça, porém, não chegou a aparecer como herói. No seu caso, atingiu 71,40 pontos de criticidade e 72,84 de risco. No caso de Mendonça, observou o DSC Lab, houve uma oscilação: uma primeira avaliação mais positiva, que depois de certa forma se reduziu, especialmente depois de informações de que ele também se encontrou com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Fachin
Presidente do STF, Fachin terminou a semana intervindo na crise, tomando decisões que retiraram de Moraes o inquérito das fake news e desfazendo também o ato de Mendonça que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Mas ele não fica assim tão melhor na fita da crise do STF: 48,51 pontos de criticidade e 49,19 de risco.
Com Moraes
Segundo o DSC Lab, as postagens envolvendo Alexandre de Moraes reforçam pontos como “possível conflito de interesses”, “pedidos de explicação”, “pressão por investigação”, “afastamento” ou “impeachment”. O contraponto são contestações aos métodos de Mendonça, que não traduzem, porém, uma defesa de Moraes.
Com Mendonça
No caso de Mendonça, críticos de Moraes o apontam como “agente de abertura e responsabilização”. Por outro lado, seus críticos o mostram como “magistrado que teria ultrapassado seus limites”. Tiago Falqueiro observa: “O encontro divulgado em 2 de setembro [de Mendonça com Daniel Vorcaro] deslocou parte da pressão” para ele.
Com Fachin
Com Fachin, ele é “destinatário de cobranças por medidas”, sobre cobranças por “transparência” e pela “preservação da Corte”. Para Falqueiro, “sua resposta passa a ser teste de governança do STF, mais do que acusação pessoal”. Fachin aparece predominantemente como o “árbitro e gestor da crise”. Outros também foram impactados.
Gonet e Nikolas
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparece como alguém “interessado em invalidar um material que também o menciona”. É acusado, assim, de blindagem. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) “mobiliza sanções como Moraes”, mas também é impactado negativamente pelos áudios de conversas que teve com Daniel Vorcaro.
Eleições
Do ponto de vista da disputa eleitoral, os apoiadores de Flávio valeram-se mais da situação e fizeram mais postagens que os eleitores de Lula. Flávio lidera em publicações: “Flávio tem 24,2% mais publicações e 35,2% mais interações, embora os dois tenham praticamente a mesma quantidade de publicadores”, observa Falqueiro.
Publicado originalmente no Correio da Manhã.
Foto de capa: Mendonça e Moraes: ambos saíram chamuscados | Luiz Silveira/STF


