Nunca antes na história do Brasil se observou um engajamento tão enfático da imprensa hegemônica contra tudo e contra todos que representam as forças progressistas. Nem mesmo nos vinte e um anos da ditadura militar, em que a oligarquia midiática ajudou a incutir na sociedade o medo ao comunismo (inexistente), a imprensa teve um antagonismo tão explicito.
Em meio à campanha eleitoral, que irá definir o próximo presidente da República, não soa como exagero dizer que veículos como o Estadão, a Rede Globo, a Folha de S. Paulo e a Veja, para citar os mais conhecidos, estejam atuando como uma espécie de cabos eleitorais dos candidatos que representam o conservadorismo.
É o que se observa, por exemplo, na cobertura do escândalo envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Não obstante a suspeição baseada em declarações contraditórias de Flávio Bolsonaro a respeito da “doação” de 24 milhões de dólares (R$ 123 milhões) para a produção do filme Dark House, o foco preferencial da grande imprensa tem sido as acusações do ministro do STF, André Mendonça, contra o seu colega da suprema corte, Alexandre de Moraes, principal responsável pela prisão dos golpistas do 8 de janeiro de 2023, dentre eles o ex-presidente, pai e mentor da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Certamente não podemos chamar de suposição infundada imaginar que o intenso ataque da mídia sobre a credibilidade dos membros do STF seja a continuidade da tentativa do golpe fracassado de 2023. Algo como já que o Exército e a Aeronáutica não embarcaram na insurreição bolsonarista, quem sabe a imprensa, através dos veículos parceiros da ditadura de 64, consiga insuflar as massas e coagir o Congresso a impichar ministros da Suprema Corte? E, de lambuja, colocar Flávio Bolsonaro na liderança das pesquisas? Afinal, uma vez eleito, ele poderá indultar o pai aprisionado.
Se a imprensa para praticar o denuncismo seletivo se vale da máxima de que na política nada acontece por acaso, o mesmo critério pode e deve ser usado contra ela. Ou a corte midiática pensa que suplanta em importância o tribunal de maior grau hierárquico do sistema judiciário? Que tem servido ao país como trincheira intransponível dos ataques à democracia e à desobediência constitucional?
A pergunta que se impõe é: por que a mídia mercenária ataca tão impetuosamente uma instituição imprescindível como o Supremo Tribunal Federal? Seria por vingança, pelo fracasso do engodo da Lava Jato? Seria por motivação econômica, para agradar o mercado antilulista? Ou pela sensação de impunidade acobertada pela liberdade de imprensa?
Seja qual for a razão para a hostilidade e a parcialidade vigente, nunca é demais lembrar do ditado que alerta que “o trapezista morre quando pensa que pode voar”. O mesmo vale para o valor maior do jornalismo: a credibilidade. O que nos leva a outro ditado, lusitano: “Tantas vezes vai o cântaro à fonte que um dia lá deixa a asa”.
E a perda do protagonismo da informação, colocado em risco pela imprensa conservadora, já não se trata mais de uma ameaça, mas de uma realidade. Atualmente as redes sociais, as plataformas de vídeo e os criadores de conteúdo superam a mídia tradicional como as principais fontes de informação no mundo.
Ao agir como um Goebbels contemporâneo, apoiando a marcha incivilizatória do extremismo de direita, a grande imprensa brasileira presta um deplorável desserviço à nobre arte de informar a sociedade com fatos reais, apurados e verificados. Johannes Gutenberg, se vivo estivesse, com toda certeza jamais pensaria em visitar o Brasil.
Foto de capa: Library of Congress | IA


