Gilmar propõe proibir policiais e militares nos gabinetes dos ministros do STF

Mudança também atingiria servidores já lotados na Corte e preservaria apenas funções diretamente ligadas à segurança.
Publicado em 6 de setembro de 2026 às 10:30
Editado em 6 de setembro de 2026 às 10:23
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Gilmar Mendes propõe restrições a policiais e militares nos gabinetes do STF

Da Redação*

O ministro Gilmar Mendes formalizou neste sábado (5) uma proposta para alterar o Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal (STF) e impedir que militares das Forças Armadas e integrantes de carreiras policiais ocupem cargos comissionados nos gabinetes dos ministros. A mudança também atingiria servidores que já trabalham nessas funções.

O texto apresentado ao presidente da Corte, Edson Fachin, acrescenta uma regra ao artigo 357 do Regimento Interno. Pela proposta, fica proibida a nomeação ou designação de militares e integrantes das carreiras policiais previstas no artigo 144 da Constituição, mesmo quando licenciados de suas corporações ou cedidos ao Supremo.

Segurança seria a única exceção

A proposta estabelece uma exceção para policiais ou militares empregados exclusivamente em atividades de segurança. Nesses casos, a chefia do gabinete deverá comunicar a função à Secretaria do Tribunal.

Mesmo os profissionais enquadrados nessa exceção não poderão participar da instrução de inquéritos ou processos nem exercer atividades de assessoramento jurídico. Com isso, a proposta estabelece uma separação entre as funções de proteção e segurança e o trabalho diretamente relacionado à atividade jurisdicional dos ministros.

A medida abrange as carreiras policiais previstas na Constituição, incluindo integrantes das polícias Federal, Rodoviária Federal, Civil, Militar e Penal.

Servidores atuais teriam de retornar aos órgãos de origem

A alteração não alcançaria apenas futuras nomeações. O texto determina que o presidente do STF providencie o retorno imediato aos órgãos de origem dos servidores atualmente em exercício no Tribunal que não se enquadrem na exceção destinada às atividades de segurança.

Assim, caso a proposta seja aprovada sem modificações, policiais e militares que hoje desempenham funções de assessoramento jurídico ou relacionadas à condução de investigações deverão deixar os gabinetes.

A iniciativa ocorre em meio às recentes tensões internas no Supremo envolvendo a participação de delegados da Polícia Federal nos gabinetes de ministros e sua atuação em investigações.

A proposta não entra em vigor automaticamente. O texto deverá ser analisado inicialmente pela Comissão do Regimento e, posteriormente, submetido à discussão dos ministros em sessão administrativa. Se aprovada nos termos apresentados, a nova regra terá vigência imediata após sua publicação.


* Redator: Solon Saldanha

Ilustração: charge de virtualidades.blog

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