Dirigi nos últimos dias três cartas às Centrais Sindicais, publicadas em vários sites e blogs, onde fiz, refletindo a ansiedade da Sociedade Civil brasileira na perspectivas das eleições, um dramático apelo para que articulem mobilizações sociais de massa em vista do pleito. Elas, supostamente, são as melhores representações dos trabalhadores com capacidade de levantar um movimento de massas a fim de conseguirmos, junto com a eleição de Lula no primeiro turno, uma maioria de 2/3 na Câmara e no Senado.
Foi como uma voz que clama no deserto. Não houve resposta. Na verdade, sindicalistas com quem falei alegaram que as Centrais, exceto a CUT, não tinham mesmo dinheiro para fazer grandes mobilizações populares desde que o golpista Michel Temer acabou com o imposto sindical.
Sabendo disso, eu havia organizado antes um esquema especial pelo qual a revista Mutirão Solar atuaria como uma ponte entre as Centrais e os filiados dos sindicatos, a fim de organizar, em nome da cidadania, uma coleta de recursos entre esses últimos que seriam destinados ao financiamento eleitoral da Aliança Social Trabalhista. Esta última é formada por partidos de inspiração socialista e trabalhista, e está aberta a adesões. Minha oferta, aceita por umas poucas entidades, foi simplesmente descartada pelas Centrais, sem qualquer explicação (veja minha proposta no anexo).
Colocando de lado a indesculpável falta de educação em não me responder, tenho duas explicações para o fato: ou as Centrais, ao contrário do que eu pensava, estão com excesso de dinheiro para aplicarem em campanhas eleitorais, ou simplesmente rejeitam qualquer tipo de atividade coletiva mesmo que seja no sentido de defender um objetivo de caráter inequivocamente de interesse comum.
Nada disso, porém, é o que realmente importa. O que importa é o papel das Centrais Sindicais – são 16 ao todo – no Mundo do Trabalho no Brasil. Elas estão ignorando o fato de que, com o avanço acelerado da tecnologia, se tornarão rapidamente inúteis. É que perderão sua base trabalhista, que necessariamente terá de migrar para Arranjos Produtivos Locais, Territoriais ou Vocacionais cuja organização o próprio Governo terá de incentivar para que se absorva o excesso inevitável de desemprego e subemprego tecnológico no mercado de trabalho.
Num dos artigos que escrevi, sugeri que os próprios dirigentes dos Arranjos Produtivos assumissem papeis de liderança neles, já que, supostamente, têm maior experiência empresarial do que os trabalhadores comuns. Estes, certamente, enquanto associados nos Arranjos, terão dificuldade em substituir os patrões que a nova organização social também expelirá do mercado de trabalho. É que, sem trabalhadores comuns a explorar, os patrões capitalistas não terão de onde tirar mais valia e lucro.
Já não estou mais tão certo de que dirigentes de Centrais poderiam conduzir trabalhadores na organização de Arranjos Produtivos. Como visto nestas eleições, eles estão revelando uma incapacidade absoluta de reunir e comandar os trabalhadores em movimentos de massa que seriam, no plano político, o único instrumento para deslocar os barões da Faria Lima e da Febraban de sua posição privilegiada de controladores do Congresso, do Judiciário e, em parte, do próprio Executivo. Temo que, acostumados a uma convivência burocrática com a burguesia, acabem, nos Arranjos, se tornando associados dela, e não seus substitutos ou verdadeiros líderes dos trabalhadores.
Não sou do tipo que dou o jogo por encerrado antes de o juiz apitar. Até o último dia antes das eleições continuarei mantendo como meta das forças progressistas, reunidas na Aliança Social Trabalhista, a eleição de Lula no primeiro turno e de 2/3 de parlamentares no Congresso. Se fossem menos burocráticas, menos dependentes das próprias classes dominantes e menos acostumadas a ter uma relação de pedintes com o Governo, as Centrais deveriam fazer o mesmo.
É uma falácia que já não há tempo para mobilizações de massa. Isso seria verdadeiro se as Centrais não tivessem dinheiro para essas mobilizações. Acontece que elas mesmas estão dando todas as sinalizações de que têm, inclusive, no caso da maioria delas, recusando o esquema que lhes foi oferecido pela Mutirão Solar. Na verdade, para efeito eleitoral, infelizmente, elas se tornaram burocratizadas e inúteis.
Mas jogo com o inesperado e com a intervenção divina. Acredito piamente que, no nível de degenerescência moral e ética em que o Brasil se encontra, assim como em face da degradação institucional que afeta as principais instituições da República, o Criador, usando algum instrumento humano, vai orientar, como faz somente em circunstâncias extremas, as mãos dos eleitores brasileiros na direção dos melhores resultados eleitorais para o Brasil.
Foto de capa: IA


