Crise no STF se agrava com pedido de Moraes para investigar André Mendonça

O confronto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça elevou a crise no STF a um novo patamar, enquanto Fachin tenta organizar institucionalmente a apuração. E novas revelações ampliam as ramificações políticas do caso Banco Master.
Publicado em 4 de setembro de 2026 às 10:30
Editado em 4 de setembro de 2026 às 10:33
Por
Prédio do STF rachado ao meio em ilustração sobre crise no Supremo

Da Redação*

A crise aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno das investigações do Banco Master ganhou um novo e inédito capítulo. Alexandre de Moraes encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, documentos nos quais aponta indícios de irregularidades na atuação de André Mendonça e pede providências sobre a conduta do colega, relator dos casos Master e das fraudes no INSS.

A reação ocorreu depois de Mendonça retirar o sigilo de relatório da Polícia Federal que revelou mensagens possivelmente trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O documento mostra contatos ao longo de 2024 e 2025 e passou a alimentar questionamentos sobre a relação do ministro com o banqueiro.

Moraes, por sua vez, utilizou relatórios de inteligência da PF para sustentar que há indícios de interferência de Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero, participação irregular em tratativas de delação premiada e direcionamento de investigações por razões pessoais ou políticas. A própria PF ressalva que um dos documentos é de inteligência, não tem valor probatório e trabalha, em determinados pontos, com avaliações de confiança moderada ou baixa.

Fachin tenta conter crise

Fachin abriu procedimento para esclarecer os acontecimentos e determinou manifestações dos envolvidos. A PGR terá cinco dias úteis para se posicionar sobre o pedido apresentado por Moraes e, posteriormente, Mendonça terá igual prazo. O presidente do Supremo também retirou o relatório questionado do inquérito das fake news, mantendo-o em procedimento próprio.

A turbulência levou Gilmar Mendes a propor que delegados da Polícia Federal deixem de trabalhar nos gabinetes dos ministros do Supremo. Para ele, a presença desses policiais pode criar situações de interferência nas investigações e alimentar novas crises institucionais.

Caso Master amplia ramificações políticas

Enquanto o confronto no Supremo cresce, novas revelações mostram as conexões políticas de Vorcaro. Áudios divulgados nesta semana indicam que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) procurou o banqueiro em 2025 para pedir ajuda em uma questão envolvendo um ativo de minério de interesse de seu ex-assessor Thiago Rodrigues de Faria. Nikolas confirmou o pedido, mas afirma que nunca recebeu dinheiro de Vorcaro.

Em outro desdobramento, Vorcaro afirmou em proposta de delação rejeitada que R$ 5 milhões doados oficialmente às campanhas de Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro em 2022 seriam contrapartidas de um acordo irregular envolvendo Gilberto Kassab. Tarcísio e Kassab negam as acusações.

Também chegou ao Supremo proposta de colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos. Segundo investigadores, a empresa intermediou recursos destinados a Dark Horse, cinebiografia ficcional de Bolsonaro, e teria sido utilizada para viabilizar pagamentos em dinheiro vivo. A colaboração ainda depende de homologação.

O conjunto das revelações transforma o caso Master em uma crise que já ultrapassou a investigação financeira: alcança ministros do Supremo, integrantes da Polícia Federal e personagens de primeiro plano da política nacional.


* Redator: Solon Saldanha

Ilustração criada com IA. Crédito: Redação da RED

Sobre o autor

Receba as novidades no seu email

* indica obrigatório

Os artigos expressam o pensamento de seus autores e não necessariamente a posição editorial da RED. Se você concorda ou tem um ponto de vista diferente, mande seu texto para [email protected] . Ele poderá ser publicado se atender aos critérios de defesa da democracia.

Gostou do texto? Tem críticas, correções ou complementações a fazer? Quer elogiar?

Deixe aqui o seu comentário.

Os comentários não representam a opinião da RED. A responsabilidade é do comentador.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Gostou do Conteúdo?

Considere apoiar o trabalho da RED para que possamos continuar produzindo

Toda ajuda é bem vinda! Faça uma contribuição única ou doe um valor mensalmente

Informação, Análise e Diálogo no Campo Democrático

Faça Parte do Nosso Grupo de Whatsapp

Fique por dentro das notícias e do debate democrático