Da Redação*
A crise aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno das investigações do Banco Master ganhou um novo e inédito capítulo. Alexandre de Moraes encaminhou ao presidente da Corte, Edson Fachin, documentos nos quais aponta indícios de irregularidades na atuação de André Mendonça e pede providências sobre a conduta do colega, relator dos casos Master e das fraudes no INSS.
A reação ocorreu depois de Mendonça retirar o sigilo de relatório da Polícia Federal que revelou mensagens possivelmente trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O documento mostra contatos ao longo de 2024 e 2025 e passou a alimentar questionamentos sobre a relação do ministro com o banqueiro.
Moraes, por sua vez, utilizou relatórios de inteligência da PF para sustentar que há indícios de interferência de Mendonça nas operações Sem Desconto e Compliance Zero, participação irregular em tratativas de delação premiada e direcionamento de investigações por razões pessoais ou políticas. A própria PF ressalva que um dos documentos é de inteligência, não tem valor probatório e trabalha, em determinados pontos, com avaliações de confiança moderada ou baixa.
Fachin tenta conter crise
Fachin abriu procedimento para esclarecer os acontecimentos e determinou manifestações dos envolvidos. A PGR terá cinco dias úteis para se posicionar sobre o pedido apresentado por Moraes e, posteriormente, Mendonça terá igual prazo. O presidente do Supremo também retirou o relatório questionado do inquérito das fake news, mantendo-o em procedimento próprio.
A turbulência levou Gilmar Mendes a propor que delegados da Polícia Federal deixem de trabalhar nos gabinetes dos ministros do Supremo. Para ele, a presença desses policiais pode criar situações de interferência nas investigações e alimentar novas crises institucionais.
Caso Master amplia ramificações políticas
Enquanto o confronto no Supremo cresce, novas revelações mostram as conexões políticas de Vorcaro. Áudios divulgados nesta semana indicam que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) procurou o banqueiro em 2025 para pedir ajuda em uma questão envolvendo um ativo de minério de interesse de seu ex-assessor Thiago Rodrigues de Faria. Nikolas confirmou o pedido, mas afirma que nunca recebeu dinheiro de Vorcaro.
Em outro desdobramento, Vorcaro afirmou em proposta de delação rejeitada que R$ 5 milhões doados oficialmente às campanhas de Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro em 2022 seriam contrapartidas de um acordo irregular envolvendo Gilberto Kassab. Tarcísio e Kassab negam as acusações.
Também chegou ao Supremo proposta de colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos. Segundo investigadores, a empresa intermediou recursos destinados a Dark Horse, cinebiografia ficcional de Bolsonaro, e teria sido utilizada para viabilizar pagamentos em dinheiro vivo. A colaboração ainda depende de homologação.
O conjunto das revelações transforma o caso Master em uma crise que já ultrapassou a investigação financeira: alcança ministros do Supremo, integrantes da Polícia Federal e personagens de primeiro plano da política nacional.
* Redator: Solon Saldanha
Ilustração criada com IA. Crédito: Redação da RED

